O caso Nilmar
Por Roque Citadini
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O Golpe de Lyon
O imbróglio do jogador Nilmar, que teve mais um capítulo na última sexta-feira, 17/8, está longe de chegar ao fim, mas serve para mostrar a face mais podre da parceria Corinthians-MSI e, também, o lado mais cínico e igualmente podre do futebol brasileiro.
O jogador Nilmar veio do Lyon para o Corinthians por empréstimo, com um valor fixado para sua contratação definitiva. Os atores deste episódio poderiam ter assim resumido a sua participação:
1-A MSI, por seu dirigente Kia Joorabchian, anunciou que tinha interesse em contratar em definitivo o jogador e iniciou negociações com o clube francês. A partir de um certo momento das tratativas, Kia anunciou a conclusão positiva da contratação. Em verdade, tinha conseguido a “liberação do jogador” e elaborou, com Nilmar, um contrato por cinco anos, acertando com o Flamengo a ida do atleta para o clube carioca;
2-A Direção Corinthiana referendou toda a negociação com o Lyon e agora alega que a “liberação” do jogador foi escondida pela MSI, que só a informou do ocorrido muito tempo depois, quando a questão já estava sendo debatida na FIFA. Atuou como um perfeito laranja. Pouco sabia, embora tudo assinasse;
3-O jogador Nilmar tinha como principal objetivo não retornar ao Lyon. Negociou o contrato com a MSI e, dificilmente, desconheceria a negociação para levá-lo ao Flamengo. Ao saber da “liberação” pelo Lyon, passou a se declarar “jogador livre”, embora soubesse de todo o negócio que ocorria entre Lyon, MSI e Corinthians;
4-O francês Lyon, por seu lado, pretendia ver-se livre do jogador e seus advogados negociaram em várias oportunidades as formas de pagamento com a MSI. Não sabem justificar o porquê da “liberação”, apesar de algumas vezes declararem a necessidade de se abrir vaga de jogador estrangeiro para a entrada de Fred;
5-Na FIFA, o Lyon pleiteou o pagamento dos 8 milhões de euros que não recebeu, alegando que lhe era devido e que o atleta já se encontrava no Corinthians, e, mais ainda, que o Clube brasileiro era o responsável por tudo. O advogado do Corinthians-MSI alegou que o atleta era livre e que aos franceses nada era devido. A decisão final da entidade condenou o Corinthians a pagar os 8 milhões de euros, aceitando os argumentos do Clube francês;
6-Na Justiça brasileira, o Corinthians procurou sustentar o vínculo com Nilmar, que estava em tratamento de saúde e com o contrato suspenso, embora o jogador venha tentando reiteradamente ficar desvinculado do Clube. A decisão da última semana será objeto de recurso e esperamos que, tendo o Clube sido condenado a pagar pelo jogador, venha a ser reconhecido o vínculo entre o atleta e o Corinthians.
De toda essa confusão, salta aos olhos não haver nessa história nem ingênuos, nem tão pouco vítimas pessoais, mas um conjunto de espertalhões que se revezam em continuados pequenos golpes. O Corinthians paga o preço de ter feito essa trágica parceria, que levou a agremiação a referendar e se responsabilizar por todos os atos inventados pela MSI. Não devia tê-lo feito. Nem a parceria inicial, nem esse negócio. Talvez a única vítima seja o torcedor, que, a todo momento, foi iludido e, afinal, a agremiação alvinegra que terá que pagar o jogador e ficar com mais essa desgastante história. Vamos esperar por um final menos trágico.
