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Por Roque Citadini
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Só a verdade fará mudanças
As últimas notícias sobre a parceria do Corinthians com a MSI provocam, nos torcedores, raiva, indignação e, em alguns, até desânimo.
Tivemos, nas últimas semanas, a aceitação, pela Justiça Federal, da denúncia feita pelo Ministério Público contra diretores do Corinthians e da MSI, enquadrandando-os em vários crimes. Os principais estrangeiros envolvidos tiveram inclusive prisão decretada.
Igualmente sobre a parceria Corinthians-MSI veio a decisão do CORI, que por 14 a 3, decidiu pelo encerramento da parceria.
De forma igual, a Comissão escolhida pelo Conselho Deliberativo, por ampla maioria, decidiu pelo fim da parceria e afastamento dos diretores corinthianos que capitanearam tão desastrada aventura.
À margem de todas essas ocorrências, no entanto, resta algo de extrema importância e que só pode ser feito pelo Corinthians e seus dirigentes: a busca da verdade.
O Clube não pode continuar protegendo atos da parceria (em alguns dos quais é co-partícipe), ou esconder outros; dissimular outros tantos; negar negócios que fez; e até mentir sobre a essência da parceria.
Esta desastrada viagem, que teve início quando uma delegação foi a Londres e à Geórgia, e optou por esconder a identidade dos investidores, seguiram-se todos os desatinos, agora relatados pelo MPF, e aceitos em ação judicial.
O primeiro ponto para o Clube, entretanto, é passar a falar a verdade, nada esconder, tudo mostrar, e qualquer manobra expor sem meias palavras.
Seja a contratação de Tevez e a sua desastrosa transferência para o West Ham; o contrato simulado com o Boca Juniors; as contratações de Carlos Alberto e outros atletas, propriedades de russos; o golpe na compra de Nilmar, que o Clube sabe, mas jurou silêncio. Enfim, toda seqüência de atos continuados praticados pela MSI com a co-participação corinthiana, que mancham o Clube e sua história como nunca ocorreu.
Muitos dirão que os investidores da MSI e seus partícipes corinthianos têm direito a defesa. E têm. Só não têm – os dirigentes corinthianos – o direito de continuar mentindo sobre a parceria, escondendo fatos e operações nebulosas. E são essas que nos mancham, independentemente dos avanços e recuos de processos judiciais. Mas para chegar à verdade, o Clube deve renunciar a um sem número de subterfúgios e justificativas dadas para a parceria nos últimos anos: “O problema do dinheiro é dos investidores”; “Se vier jogador, a gente apóia”; “Todos os clubes fazem da mesma forma”; “É um mal necessário”; “Todo fundo tem investidor escondido”; “Se vier pelo Banco Central a gente aceita” etc.
O Corinthians que é um clube grande, não pode aceitar isso. Não nasceu pobre, na periferia do Bom Retiro e cresceu em cem anos, praticando a política de que “os fins justificam os meios”.
Com meios lícitos, fins nobres, transparência nos seus atos o Clube reencontrará o caminho. Se deixar, no entanto, de buscar a verdade e continuar com uma parceria coberta pela mentira, perderá mais e mais.
