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Do site da Carta Capital


No campo da intolerância


por Phydia de Athayde


O futebol, paixão nacional, abriga os preconceitos mais retrógrados


Nas últimas semanas, uma polêmica no meio esportivo escancarou, mais uma vez, como o futebol, paixão e símbolo da identidade brasileira, também é fértil campo para preconceitos e intolerâncias.


“O futebol é um esporte de homens, feito por homens e para homens. É o mais conservador dentre os esportes. O gênero masculino o elegeu para ser o espaço da validação da masculinidade socialmente permitida e criará sérios problemas para aqueles que não se identificarem com o gênero masculino. Se algum jogador assumir a homossexualidade, dificilmente sobreviverá no futebol”, analisa a professora Heloísa Reis, do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol da Unicamp. E conclui: “Da forma como a questão está espetacularizada, dá para imaginar o que aconteceria”.


A verve fascistóide do futebol ganhou ares de espetáculo televisivo depois que um boato alcançou o grande público. Na segunda-feira 25, o jornal popular paulistano Agora noticiou que um jogador de um grande clube assumiria ser gay em entrevista no programa Fantástico, da Rede Globo. No dia seguinte, a história chegou à TV Record. No intervalo de seu programa futebolístico Debate Bola, que é ao vivo, o apresentador Milton Neves atiçava os participantes com a suposta revelação. Assim que entrou no ar, inquiriu um diretor palmeirense: “É do Palmeiras o jogador que vai assumir na televisão que é homossexual?” De supetão, o dirigente respondeu: “Não, o Richarlyson quase foi do Palmeiras”. Transformou o que era zumbido em urro estrondoso. Estava feito o estrago. Menos para Milton Neves, que deve ter ganhado alguns pontos de audiência com a polêmica que gerou.


Nunca houve entrevista agendada, também não há revelação a ser feita. O advogado de Richarlyson, Renato Salge, apresentou uma queixa-crime por injúria contra o dirigente palmeirense e pretende entrar com uma ação cível por danos morais e materiais, com pedido de indenização. A Justiça foi a trilha escolhida para driblar a convulsão provocada pela mera associação de dois termos: futebol e homossexualidade.


O jogador são-paulino teve a sabedoria de pouco comentar, declarou-se chateado e considerou a atitude do palmeirense “leviana”. Os pais, pressionados a dar declarações, disseram desde “está na cara que é despeito do Palmeiras” (o pai) até “meu filho não tem esse tipo de problema” (a mãe). Lela, pai de Richarlyson e ex-jogador de futebol, acertou a trave ao dizer que “o futebol é um meio sujo”. Não que não seja, longe disso. Mas é pior. “A corporação do esporte é quase tão conservadora, para não dizer reacionária, como a dos militares”, observou Juca Kfouri na Folha de S.Paulo.


Para ler a reportagem completa clique no link abaixo


http://www.cartacapital.com.br/2007/07/452/no-campo-da-intolerancia

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