Mistério no ar

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Por André Kfouri


COLUNA DOMINICAL

Uma via do contrato de Paulo César Carpegiani sumiu da casa do presidente do Corinthians, no domingo passado, e apareceu na primeira página do diário Lance! dois dias depois.

O Corinthians diz que o documento foi roubado.

O Lance! diz que a repórter Marília Ruiz recebeu os papéis de uma fonte.

Não tenho nenhum motivo para acreditar na atual diretoria do Corinthians. E também não tenho nenhum motivo para duvidar do jornal. Se você conhecesse os dois lados, aposto que concordaria comigo.

Só há um detalhe mal explicado na história: qual é o objetivo do vazamento do contrato de Carpegiani?

Dualib recebeu jornalistas em sua casa, na noite em que o documento desapareceu. A repórter, que trabalha para a TV Record e para o Lance!, estava presente.

Uma pessoa que esteve na casa de Dualib, e em cuja palavra confio sem titubear, garante que o manda-chuva Renato Duprat e a jornalista sentaram-se num sofá que fica ao lado da mesa onde estava o papel. E que, por alguns minutos, Duprat se ausentou para atender um telefonema.

É óbvia a suspeição de que Marília pegou o contrato, autorizada ou não.

Por que Duprat teria permitido? A única explicação não é das melhores. Está escrito no documento que o empresário Orlando da Hora (agente de Nilmar) recebeu R$ 150 mil de comissão por intermediar a ida de Carpegiani para o Corinthians. Desde que passou a dar as cartas no clube, Duprat vem sendo muito criticado por também lucrar em negociações. Da Hora não queria que sua comissão aparecesse no contrato, mas Duprat não concordou. O vazamento teria o propósito de mostrar como são feitas as coisas no futebol, e que Duprat não é o único a receber comissões.

Você se convenceu? Eu não. Mas não consigo encontrar outra justificativa.

Agora, o outro lado. Também sou repórter. Se alguém me dissesse que eu poderia levar os papéis, é evidente que eu levaria.

Se apenas tivesse a chance de ler o que estava escrito, anotaria o que conseguisse, talvez até tirasse uma foto pelo celular, ou pediria para o cinegrafista fazer uma imagem, se fosse possível.

Mas não o pegaria sem autorização.

Depois da divulgação da notícia, seria a minha palavra contra a dos cartolas.

As pessoas saberiam em quem acreditar.

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