Entrevista com Lars Grael – Parte 2
Qual foi o adversário mais difícil de ser batido ?
A descrença sobre o papel cívico e patriotico e todas as conotações educacionais do esporte sobre nossa juventude.
Qual a prova que não esquece ?
As últimas regatas de Seul 88 e Savannah 96
Em sua opinião, qual o atual estagio do iatismo brasileiro ?
Do talento, da oportunidade de crescimento, da necessidade de reestruturação.
Qual a sua opinião sobre a organização do Pan do Rio 2007 ?
Satisfatório, mediante às dificuldades do cenário político e econômico do Rio e do Brasil.
Acredita que o Brasil possa organizar eventos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo ?
Copa, seguramente. Olimpíadas, dependeremos do sucesso do Pan e da consolidação da retomada do crescimento sócio-econômico do Rio de Janeiro.
Qual a sua opinião sobre o COB e sua administração ?
Orgão mais relevante do desporto nacional. É inegável o crescimento organizacional e resultados gerados pela gestão do presidente Carlos A. Nuzman, após sua posse em 1995.
Em sua opinião, qual o maior erro do Governo Lula ? E o maior acerto ?
Erro ? A perda de valores éticos e morais. Persistir na teoria de que os fins justificam os meios. O corporativismo da classe política dominante dos cargos das instituições públicas, em detrimento ao interesse público.
Seu maior acerto ? A capacidade de comunicação com as massas. O populismo aprovado nas urnas. Acerto ? Talvez não. Resultados, talvez sim.
Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa ?
Presidencialismo pautado em um conjunto de reformas de reestruturação do sistema político, judiciário, tributário, fiscal, previdenciário. O Estado a serviço da sociedade e não a serviço do corporativismo da máquina do funcionalismo público e dos políticos. A distribuição de renda dar-se-á através da profunda reforma e enxugamento do estado, do desenvolvimento econômico, da redução da carga tributária.
De um novo pacto sociedade-estado onde os impostos serão reduzidos, a informalidade combatida, a sonegação punida.
Com estas medidas amargas porém necessárias, será possível avançar com políticas efetivas e sólidas com educação, saúde, saneamento e habitação. Será a porta de saída da miséria e da pobreza e não formas de perpetuação da pobreza através de mecanismos de transferência de renda que não apontam para a porta de saida da pobreza.
Não existirá desenvolvimento sócio-econômico sem trabalho, justiça, patriotismo e espírito público.
A impunidade é a grande chaga moral da nação.
Qual a sua opinião sobre o jornalismo esportivo no Brasil ?
Genericamente medíocre. Pautado na monocultura do futebol masculino. As excessões por sorte aumentam com a maior importância dada aos esportes olímpicos, para-olímpicos, auto-motores, de aventura e as experiências sócio-esportivas. Vejo uma forte luz no fim do túnel.
Defina com apenas uma frase:
Iatismo: Um estado de espírito de coexistir com as forças da natureza e estimular cumplicidade com elas.
Torben Grael: Um grande irmão, o filho do vento.
Olimpíadas: Maior evento da humanidade. A confraternização entre povos. Antítese da intolerância e da incompreensão entre povos, costumes, religiões e interesses geo-políticos.
Robert Scheidt: A combinação entre o talento, profissionalismo, preparo físico e a força de vontade.
Família: A célula base da sociedade e o porto seguro para nossa felicidade.
Religião: A crença em Deus. A fraternidade, solidariedade e respeito ao próximo e a natureza. Não pode existir a crença que uma religião específica seja a certa, a justa, a única.
Um sonho: A globalização da paz, da tolerância, do respeito ao próximo. A luta pela salvação das crianças vítimas da fome e da violência. A vida só será melhor, se o mundo for melhor e mais justo para todos.
Um pesadelo: A escalada da violência e a inversão de valores éticos, cívicos e morais do Brasil atual.
Lars Grael: Um sonhador, apaixonado, patriota, por vezes, até incoerente.
Lars, muito obrigado pela entrevista.
