Entrevista com Betão
Alçado à equipe profissional por Wanderley Luxemburgo com apenas 17 anos, Betão pode ser considerado um veterano no clube. Prata da casa, o jovem zagueiro já atingiu a marca centenária com a camisa alvinegra. Líder dentro e fora de campo, Betão tem grande identificação com a torcida por sua inesgotável força de vontade.
Vamos a entrevista,
Betão, como iniciou sua carreira no futebol ?
Foi em 1994, quando meu pai foi levar meu irmão mais velho para fazer um teste no Corinthians, na ocasião eu tinha 10 anos, e para não ficar em casa chorando, meu pai acabou me levando junto, já que toda aposta estava no meu irmão que era habilidoso, atacante canhoto, e eu era baixinho e gordo. Mas graças a Deus estou aqui até hoje e infelizmente meu irmão desistiu.
Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?
A primeira dificuldade foi justamente pelo fato de ser gordinho, e não conseguia acompanhar muito bem meus companheiros. E outras dificuldades como as que muitos passam, são as famosas “panelinhas”, quem chega sempre acaba sofrendo com isso. E o fato de perder um pouco a infancia, com os amigos de bairro, ja que do primeiro momento eu sempre levei muito a sério e me cuidava bastante.
Sofreu algum tipo de discriminação ou preconceito ?
Uma vez. Quando eu era da categoria “dente de leite”, fomos jogar em um campo em que o alambrado era muito próximo, quando eu fui cobrar um lateral, um cara encostou no alambrado e disse: “Quebra a perna desse macaco !!!”. Mas para azar dele estavam ao seu lado meu pai e meu tio.
Qual seu maior momento como jogador ? E o que prefere esquecer ?
Graças a Deus, para escolher um momento é dificil, tiveram varios:
– O dia em que joguei pela primeira vez como profissional e a torcida gritando meu nome.
– Meu primeiro clássico contra o Palmeiras.
– Quando marquei o gol contra o Santos ( Meu filho único ), rs
– Quando fui convocado para a Seleção Paulista.
– Quando fui Campeão Brasileiro, entre outros.
O momento para esquecer foi a nossa eliminação da Copa Libertadores da América, foi um dia inesquecível para todo corinthiano.
Qual a sua opinião sobre a atuação de empresários e procuradores no futebol brasileiro ?
Eu nunca tive nenhum problema com procuradores, estou com o mesmo a 6 anos ( Claudio Gadagno ), mas como em toda profissão existem os bons e maus profissionais.
Conhece algum caso que possa nos relatar sobre algum jogador que tenha sido lesado por esses empresários ?
A gente sempre escuta alguma coisa em respeito a isso, mas não sei até que ponto as coisas são reais.
Você é hoje uma liderança dentro do grupo do Corinthians. Como conquistou esse espaço ? Essa situação te acarreta mais problemas ou benefícios ? Por que ?
Na minha opinião um lider você não fabrica, e tão pouco se auto denomina. Na verdade quem é lider ja nasce com a liderança. Eu, por exemplo, desde a infância, no colegio, roda de amigos, sempre tomei a frente nas decisões e aqui no Corinthians, sou capitão praticamente desde 1997. Em todas as categorias de base fui capitão. As consequencias desse posto no profissional acarretam grandes responsabilidades, pelo lado positivo é que se tem um respeito por parte de todos, até mesmo por parte da imprensa. O lado ruim é que tudo o que acontece de problema internamente, o lider é sempre colocado como cabeça das decisões, mas nem sempre é assim.
Qual a real importancia de um treinador de futebol em um grupo de jogadores ?
O treinador é uma figura muito importante, porque, na minha opinião, a equipe é o reflexo do treinador.
Que treinador mais contribuiu para a sua evolução profissional ?
Aqui no Corinthians eu tive a oportunidade de trabalhar com os melhores treinadores do Brasil desde 2001. Então você acaba pegando o que tem de melhor em cada treinador e monta um “super-treinador”.
Qual seu maior ídolo como jogador ?
Não tive a oportunidade de jogar com ele, mas para mim o Gamarra é um exemplo de defensor.
