Golpe de Estádio: os vazamentos nada inocentes de documentos no Corinthians

Nas últimas semanas, documentos relativos aos negócios irregulares realizados pela diretoria do Corinthians com a Odebrecht, em que o patrimônio do clube foi cedido à construtora por 30 anos, sem autorização do Conselho, foram vazados à imprensa e também distribuídos para alguns conselheiros.
Oposicionistas importantes do clube estranham o procedimento e acreditam que a origem dos vazamentos foi premeditada pela própria Diretoria.
Amedrontados com a possibilidade de serem descobertos e pagarem o “pato” sozinhos, os próprios dirigentes trataram de explodir o escândalo, sabedores de que conseguiriam, posteriormente, abafá-lo internamente no Conselho, local em que possuem maioria absoluta.
Anteontem, por exemplo, em reunião do CORI, as irregularidades foram, acreditem, aprovadas, e seguirão agora para serem referendadas pelo CD.
Em aprovadas novamente, e tudo indica que serão, dividirão a responsabilidade pelo caos financeiro corinthiano no futuro não apenas em duas ou três pessoas, mas com trezentos e poucos conselheiros.
Outro fato que gerou estranheza em algumas pessoas foi que somente documentos assinados pelo presidente Mario Gobbi e pelo vice-presidente Luis Paulo Roisenberg foram vazados, excluindo os que tiveram participação de Andres Sanchez.
Acredita-se que, pelo racha notório entre os poderes da atual gestão, tentou-se, com a ação, induzir algumas pessoas a acreditarem que a derrama de documentos teria sido originaria de “situacionistas” ligados ao ex-presidente.
Porém, duas cartas, publicadas neste espaço, enviadas pelo escritório de advocacia do FUNDO diretamente a Luis Paulo Rosenberg, sem intermediários, demonstram claramente a origem e intenção do incêndio.
Por fim, durante todos os dias subsequentes, o grupo de conselheiros que mais tem feito alarde sobre as irregularidades, que de fato existem e devem ser combatidas, comporta-se de maneira estranha, como se fizessem parte, de alguma maneira, do negócio.
Tocam fogo nos bastidores, mas não se manifestam “oficialmente” no clube, e refutam entrar com qualquer ação judicial a respeito.
Uma espécie de “vender dificuldades” para colher facilidades.
Interesses estes que nada tem a ver com o desejo real de que as coisas sejam esclarecidas e punidas como deveriam.
A grande verdade é que a irregularidade foi cometida, sem anuência do Conselho, nem da Assembleia Geral.
O clube ficará em situação complicada nos próximos anos, mas, com o escândalo abafado no início, de maneira até inteligente, e referendado por todos no Conselho, não haverá culpados a serem cobrados.
Mas, certamente, três ou quatro pessoas a mais para dividir o bolo.

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