Funcionários do Corinthians denunciam autoritarismo de gestor que se apresenta como “capitão Marcelo Rodrigues”

Funcionários do setor de controle de acesso do Corinthians cobram providências do Departamento de Recursos Humanos diante de supostas irregularidades nas escalas de trabalho e nos dias de folga.
Segundo os relatos, o gestor Marcelo Rodrigues, que se apresenta como “capitão Marcelo Rodrigues”, adotaria uma postura autoritária no tratamento com seus subordinados.
Os trabalhadores questionam possíveis violações da legislação trabalhista, especialmente dos artigos 66, 67 e 468 da CLT, relacionados aos períodos de descanso e às alterações contratuais prejudiciais aos empregados.
O documento solicita a apuração das denúncias pelo RH, a participação do sindicato da categoria e garantias contra eventuais retaliações.
Abaixo, mensagem de vídeo enviada pelo ‘capitão’ aos funcionários do Corinthians:
Aos Recursos Humanos do Sport Club Corinthians Paulista e ao Sindicato representativo dos Trabalhadores da categoria de Controle de Acesso
O Corinthians é uma instituição associativa, não um quartel. Nenhum gestor, independentemente do cargo que ocupa, possui autoridade ilimitada para impor vontades pessoais aos seus subordinados ou desconsiderar direitos garantidos pela legislação trabalhista.
Causa preocupação a postura de um gestor que, segundo relatos dos funcionários, exige ser tratado pelo título de “capitão”, como se a administração de um departamento pudesse ser conduzida por imposições hierárquicas e práticas incompatíveis com um ambiente profissional respeitoso.
A liderança se conquista com competência, respeito, equilíbrio e responsabilidade, e não pela imposição de títulos ou pelo exercício arbitrário de autoridade.
Mais preocupante ainda são os relatos de funcionários que estão organizando um abaixo-assinado para solicitar providências do Departamento de Recursos Humanos diante de questionamentos sobre alterações nas escalas e nos dias de folga.
É importante lembrar que os direitos dos trabalhadores não estão sujeitos à vontade individual de qualquer gestor.
A Constituição Federal, em seu artigo 7º, inciso XV, assegura o repouso semanal remunerado. A CLT, em seus artigos 66 e 67, estabelece os períodos mínimos de descanso entre jornadas e o repouso semanal de 24 horas consecutivas. Além disso, o artigo 468 da CLT estabelece limites para alterações contratuais prejudiciais ao trabalhador.
Diante disso, solicitamos formalmente:
- Que o Departamento de Recursos Humanos apure os relatos apresentados pelos funcionários.
- Que sejam esclarecidos os critérios legais utilizados para alterações nas escalas e nos dias de folga.
- Que sejam respeitados os contratos de trabalho, a legislação vigente e os acordos e convenções coletivas aplicáveis.
- Que o sindicato representativo da categoria dos controladores de acesso seja oficialmente comunicado e acompanhe a situação, garantindo orientação e defesa dos direitos dos trabalhadores.
- Que seja assegurado aos funcionários o direito de apresentar suas reivindicações sem sofrer constrangimentos ou retaliações.
O Corinthians precisa de gestão profissional, não de autoritarismo.
O patrimônio humano do clube merece respeito. Nenhum gestor está acima da legislação trabalhista, e nenhum funcionário deve ser obrigado a abrir mão de seus direitos para satisfazer a vontade pessoal de quem ocupa uma posição de comando.
Respeito não é submissão. Hierarquia não é autoritarismo. E cargo de chefia não é licença para descumprir a lei.
Que o RH cumpra seu papel institucional e que o sindicato exerça sua função de representação e defesa da categoria.

