‘Trump, bombardeie o Brasil’

Da FOLHA
Por RUY CASTRO
- Os bolsonaristas sugeriram isso a Trump em São Paulo, mas ele nunca aceitará a ideia
- Precisa dos nossos minerais críticos, que Flávio Bolsonaro já lhe garantiu se for eleito
No ato bolsonarista em São Paulo, no domingo (18), um objeto inflável em forma de míssil, de 3 metros de altura, desfilou pela avenida Paulista. Nele lia-se: “Trump nuke Brazil”. “To nuke” é um verbo em inglês, significando destruir algo usando uma bomba nuclear. Era o que os bolsonaristas pediam a Donald Trump, que jogasse uma bomba no Brasil —claro que no Brasil “de Lula”. Os americanos são craques em matar a distância, mirando alvos isolados com drones de alta precisão. Mas como conseguir isso com uma bomba feita para varrer milhões de uma sentada?
O objeto levava um recado a ser visto por Trump, para dizer-lhe que “os brasileiros” contam com ele para intervir nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro. Ou, em caso de derrota, minar a nossa economia com tarifas, sanções e boicotes para implodir o governo Lula. Até aí Trump irá, mas é claro que ele jamais bombardeará o Brasil. Nosso subsolo é precioso demais —contém material “capaz de livrar os Estados Unidos da dependência dos minerais críticos da China”.
Esta frase, dita há poucos dias, é de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. Revela que, com ele, se eleito, o Brasil porá sua vital matéria-prima à disposição dos celulares e computadores dos Estados Unidos, ameaçados de pifar se a China lhes cortar a venda dos ditos minerais. Será uma contrapartida às atividades da Rockbridge Network, uma empresa americana suspeita de estar trabalhando na sua campanha, injetando milhões em doutrinação de jovens, infiltração em universidades, trabalho em igrejas, compra de jornalistas e benesses a políticos.
Nos primeiros anos 1960, as multinacionais americanas, ligadas a empresários brasileiros, estabeleceram aqui organizações parecidas: o Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais). Com esses nomes de fachada, elas financiaram a campanha que levou à ditadura em 1964.
Os objetivos são os mesmos e os métodos, mais eficientes. Os bolsonaristas podem recolher seu míssil inflável.

