Voto e vergonha

Por ROQUE CITADINI

A campanha no segundo turno mudou — e mudou muito.

Após o resultado ruim no primeiro turno, a campanha de Lula cresceu na internet, um campo de batalha singular onde a esquerda não ia bem.

Todos os indicadores mostram que a campanha de Lula assumiu a dianteira em número e em temas debatidos na área.

Já a campanha do senador Flávio Bolsonaro, que sempre foi forte na área, pela primeira vez é confrontada e muitas vezes superada pelos adversários.

Na rua — outro campo da guerra eleitoral —, a campanha do senador tem claros problemas, até de forma surpreendente, pois, tendo vencido a primeira votação, esperava-se um crescimento em comícios, eventos, carreatas etc., e isso não vem ocorrendo.

Mesmo contando com deputados “tiriricas digitais” que obtiveram milhões de votos, não conseguem trazer esses eleitores para a rua, por vários motivos.

Certamente um deles é que esses fenômenos eleitorais foram constituídos com temas muito específicos, como contra banheiros mistos e críticas a gays, lésbicas e trans que teriam muitos direitos.

Essas campanhas reúnem multidões de eleitores, mas esses não se sensibilizam por temas mais amplos, como a disputa presidencial.

Outro fator é o voto envergonhado no bolsonarismo, em que o cidadão vai à urna em silêncio para votar com o anti-lulismo no peito, mas não se sente confortável em defender um candidato tão carregado de denúncias como o senador Flávio.

No caso do candidato Lula, o crescimento nas ruas, como em São Paulo, deu-se com o PT perdendo as frentes nos eventos, como ficou claro no primeiro comício da Avenida Paulista do segundo turno, onde os grupos majoritários não eram do PT, mas reuniam uma ampla coalizão de grupos e entidades de jovens.

A chegada à campanha desses movimentos, quase subterrâneos para os partidos, deu novo vigor à campanha de rua de Lula.

A questão que fica agora é saber se esses movimentos fortes da campanha superaram o voto silencioso (e também envergonhado) da campanha bolsonarista.

Isso só a urna resolverá.


*Originalmente publicado nas redes sociais de Roque Citadini

Facebook Comments

Posts Similares

1 Comentário

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.