Crise na Kalunga atrasa salários da XSports

A XSports, emissora de Paulo Garcia, dono da Kalunga e um dos principais personagens da política do Corinthians, atrasou o pagamento dos salários de praticamente todos os seus funcionários.
Apenas dez profissionais haviam recebido seus vencimentos, que deveriam ter sido quitados no dia 10.
Entre os contemplados estavam executivos considerados essenciais e operadores responsáveis por manter a emissora no ar.
A situação está longe de ser surpreendente.
Em dezembro de 2025, o Blog do Paulinho revelou que, quatro meses após a estreia, a XSports operava sem anunciantes comerciais, sustentada basicamente pela própria Kalunga.
Em junho deste ano, noticiamos a ruptura da parceria com a ESPN, que fornecia à emissora parte importante de sua programação esportiva.
A situação financeira da controladora, porém, é ainda mais preocupante.
Em agosto, o Blog analisou o balanço do segundo trimestre da Kalunga, identificando dívida líquida de R$ 471,3 milhões, apenas R$ 5,2 milhões em caixa e obrigações de curto prazo superiores a R$ 1,1 bilhão.
A receita líquida havia recuado 11,7%.
O dado mais intrigante, porém, estava nos R$ 690,5 milhões que a empresa tinha a receber de partes relacionadas, dos quais R$ 672,6 milhões correspondiam a empréstimos aos próprios acionistas controladores.
Dinheiro emprestado, em contratos sem vencimento predeterminado, enquanto a companhia enfrenta dificuldades de liquidez.
Vale lembrar que, em 2021, a Loading, antecessora da atual emissora, encerrou sua programação original após a retirada dos investimentos da Kalunga, deixando quase 60 profissionais desempregados.
No Corinthians, os negócios de Paulo Garcia também merecem atenção.
Em julho, questionamos a exclusividade concedida à XSports para transmitir um amistoso do clube contra o Cascavel, sem esclarecimentos sobre a eventual remuneração pelos direitos.
Também revelamos que Ângelo de Sá Junior, ligado politicamente a Garcia, acumulava funções no marketing corinthiano e na vice-presidência da emissora.
Há ainda Emerson Piovesan, diretor financeiro do Corinthians e vice-presidente do Conselho de Administração da Kalunga.
Personagens que circulam entre empresas com dificuldades financeiras e um clube mergulhado em dívidas bilionárias.
O atraso salarial da XSports reforça dúvidas sobre a sustentabilidade dos negócios de Paulo Garcia.
E, principalmente, sobre a conveniência de permitir que pessoas envolvidas nessa estrutura empresarial exerçam tamanha influência na administração do Corinthians.

