Corinthians: entre candidatos ruins e algumas incógnitas

Zé Mendes, Sérgio Janikian, Ilmar Schiavenato, Rozallah Santoro e André “do Bilhão” Castro serão os candidatos à presidência do Corinthians nas próximas eleições, marcadas para o mês que vem.
Sem conseguir viabilizar a própria candidatura, o que é revelador do fracasso de sua gestão, Osmar Stabile não tentará a reeleição.
Dizem alguns que seria impugnado, em razão de interpretações divergentes do Estatuto que, provavelmente, levariam à judicialização.
Ficaram de fora também, entre os que se movimentavam, Miriam Athiê e André Negão.
A primeira, sem credibilidade e sem o financiamento no qual se escorava.
Negão, dizem, porque teria acertado o apoio de seu grupo a Janikian, de quem sempre foi amigo pessoal.
O que o corinthiano pode esperar dos candidatos?
Sérgio Janikian possui problemas jurídicos mal explicados, entre os quais uma condenação criminal, ainda sujeita a recurso, além de um passado empresarial cercado de controvérsias.
Seu agravo será julgado entre os dias 29 de outubro e 03 de novembro.
Se confirmada a condenação colegiada, sua candidatura seria, segundo se comenta em bastidores, possivelmente impugnada.
No Corinthians, Janikian integrou estruturas ligadas à Renovação e Transparência e votou contra a reforma estatutária.
A escolha do vice também é polêmica.
Antonio Rachid, homem de Paulo Garcia, protagonizou episódios pouco edificantes em Parque São Jorge, como denúncias envolvendo compra de votos (documentadas em áudios), comercialização de vagas vitalícias no Conselho, entre outros.
Em caso de uma eventual “dor de barriga” de Janikian, seria temerário, diante desse histórico, imaginá-lo na presidência do Corinthians.
Ilmar Schiavenato foi punido pela OAB por práticas irregulares no exercício da profissão, aprovou contas do clube questionadas pela auditoria e votou contra a reforma do Estatuto.
Quando candidato, no passado, teve a chapa cassada sob acusações de falsidade ideológica, envolvendo assinaturas de integrantes apontadas como falsificadas.
Representante do Centrão, Rozallah Santoro, ex-diretor financeiro de uma gestão investigada por suspeitas de desvios de dinheiro para contas ligadas ao crime organizado, vende a imagem de profissionalização, embora tenha aprovado contas contestadas e rejeitado a reforma estatutária — neste caso, para defender, entre outras coisas, o emprego do irmão, advogado do clube.
Omitiu-se diante dos escândalos de Augusto Melo.
Chegou a pedir afastamento, mas retornou quando já se sabia do caso Vai de Bet.
Escolheu como vice Zezinho Mansur, representante da velha política corinthiana, aliado histórico de Rubão e apontado como um dos financiadores da campanha que levou Augusto ao poder.
O mitômano André “do Bilhão” Castro, por sua vez, tornou-se conhecido por apresentar contratos “bilionários” sem demonstrar garantias suficientes de sua concretização.
Tentou empurrar no Corinthians créditos podres do Banco Santa Catarina, instituição que, segundo investigações recentes da Polícia Federal, teria ligações com o esquema de fraudes envolvendo a REAG e o Banco Master.
Também esteve nas categorias de base durante a gestão Duílio.
É, de longe, a pior opção.
José Augusto Mendes participou da gestão Mario Gobbi, mas não carrega, até onde se conhece, o mesmo conjunto de problemas de seus concorrentes.
Ainda assim, é uma incógnita.
É desconhecida sua capacidade de administrar um clube da dimensão do Corinthians e com problemas tão graves.
Prometeu abrir espaço para a SAFiel, o que lhe angaria simpatia fora do Parque São Jorge, mas também forte oposição interna.
O sexto “candidato”, preferido de muitos torcedores, não estará nas urnas, mas poderá surgir com força caso a situação do Corinthians continue ingovernável: a intervenção judicial.

