Acordo sigiloso do São Paulo com Bertolucci envolveu dinheiro a receber de outro clube

Acordo firmado pelo São Paulo para encerrar uma dívida milionária com o empresário Giuliano Bertolucci incluiu a cessão de créditos que o clube tinha a receber de outra agremiação.

Os detalhes da operação, porém, foram colocados sob segredo de Justiça.

A dívida com o agente, acumulada a partir de diversas negociações de jogadores, chegou, corrigida a valor presente, a aproximadamente R$ 76 milhões.

Desde 2023, o São Paulo já havia desembolsado cerca de R$ 46 milhões, suficientes, considerados os ajustes previstos contratualmente, para amortizar aproximadamente R$ 60 milhões da dívida.

Restavam, portanto, cerca de R$ 16 milhões.

Em agosto deste ano, clube e empresário acertaram as condições para encerrar a pendência.

O São Paulo possuía valores a receber de outro clube e transferiu a Bertolucci o direito sobre esses créditos como forma de pagamento.

Embora os detalhes permaneçam sob sigilo, é possível tentar identificar, a partir dos demonstrativos financeiros do São Paulo e das negociações realizadas pelo clube, quais recebíveis poderiam ter sido cedidos ao empresário.

Duas operações chamam particularmente a atenção.

Uma delas é a venda de Ângelo ao Racing Club de Strasbourg, da França.

O lateral foi negociado, em junho de 2025, por € 5 milhões.

O pagamento foi dividido em duas parcelas iguais, de € 2,5 milhões cada.

A primeira, equivalente à época a aproximadamente R$ 16,1 milhões, venceu em julho de 2025.

A segunda tem vencimento previsto para 31 de dezembro de 2026.

No balanço do São Paulo referente a 2025, esse crédito contra o Strasbourg aparecia contabilizado em R$ 15,361 milhões.

Outra negociação que merece atenção é a venda de Rodrigo Nestor ao Bahia.

O próprio São Paulo informou que os € 3,8 milhões referentes à transferência definitiva seriam pagos em três parcelas, com vencimentos em 31 de outubro de 2025, 31 de agosto de 2026 e 31 de agosto de 2027.

O acordo com Bertolucci foi celebrado no início de agosto de 2026.

Poucas semanas depois, venceria uma das parcelas devidas pelo Bahia.

Outra está prevista para agosto de 2027.

Seja qual tenha sido o crédito destinado a Bertolucci, é fundamental que o novo presidente do São Paulo, a ser eleito em breve, coloque fim a esse sistema de compadrio com empresários, que, ao longo do tempo, acaba prejudicando os interesses da agremiação.

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