Possível acordo entre Uefa e Concacaf escancara a pequenez da Conmebol

Uefa e Concacaf negociam a criação de uma Liga das Nações conjunta, que reuniria, a partir de 2028, as 96 seleções filiadas às duas entidades.
As conversas ainda estão em estágio inicial, mas a ideia é uma grande sacada.
O projeto aproveitaria as datas já reservadas às competições de cada confederação, sem aumentar o número de partidas, e manteria a divisão por níveis técnicos, seguida de uma fase eliminatória e de um torneio final entre quatro seleções.
Os jogos seriam distribuídos em blocos geográficos para reduzir o desgaste das viagens.
Todos ganhariam.
México, Estados Unidos e Canadá passariam a enfrentar regularmente Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e outras potências europeias em partidas oficiais.
As seleções menores receberiam mais dinheiro, por meio da divisão das receitas, e disputariam jogos compatíveis com seus níveis técnicos.
A Uefa, por sua vez, entraria com mais força no riquíssimo mercado norte-americano.
Trata-se de um encontro entre duas entidades capazes de perceber o que cada uma possui de melhor para oferecer à outra.
O movimento expõe ainda mais a incompetência da Conmebol, que, apesar de organizar a maior competição de clubes do continente, nunca conseguiu transformar a Libertadores num verdadeiro campeonato de toda a América.
Embora a Liga das Nações envolva seleções e a Libertadores seja disputada por clubes, o princípio administrativo é o mesmo: unir mercados, compatibilizar calendários e criar um produto mais valioso para todos os participantes.
Clubes mexicanos participaram da Libertadores entre 1998 e 2016.
Cruz Azul, Chivas Guadalajara e Tigres chegaram à decisão do torneio.
O Pachuca, em 2006, conquistou a Copa Sul-Americana.
Havia rivalidade, competitividade, audiência e interesse comercial.
Em vez de consolidar essa integração e ampliá-la aos clubes dos Estados Unidos e do Canadá, a Conmebol modificou o calendário e não conseguiu construir um acordo que mantivesse os mexicanos na competição.
Perdeu qualidade e muito dinheiro.
Em 2023, Conmebol e Concacaf chegaram a anunciar uma parceria estratégica que, além da Copa América de 2024, previa um torneio entre os principais clubes das duas regiões.
A Copa América foi realizada nos Estados Unidos.
A competição de clubes, porém, não saiu do papel.
As dificuldades logísticas sempre são apresentadas como justificativa.
O possível acordo entre Uefa e Concacaf derruba boa parte dessa desculpa.
Se é possível organizar uma competição que se estenda da Europa ao Caribe, também seria viável estruturar uma Libertadores com fases preliminares regionalizadas e integração continental nos momentos decisivos.
A Conmebol tem nas mãos uma marca fortíssima, clubes populares, rivalidades históricas e o futebol de melhor qualidade das Américas.
Falta competência para transformar esses ativos num projeto verdadeiramente continental.
Enquanto a Concacaf atravessa o Atlântico para negociar com a Uefa, a Conmebol permanece incapaz de atravessar o Panamá.
Chama-se Libertadores da América.
Na prática, por limitação de quem a administra, continua sendo apenas a Libertadores da América do Sul.

