A gritaria dos narradores de futebol

Por JOTA JUNIOR*

A Copa contribui e muito para o assunto “avaliar”os profissionais da mídia que tem microfones no trabalho.

A principal implicância é a da gritaria dos narradores e especialmente em momentos onde não há nenhuma emoção coerente ao que acontece na partida.

O lance de exagerar na “emoção” precisa ser analisado e avaliado sob vários aspectos.

Na história do rádio e televisão tivemos consagrados locutores que “gritavam” nas transmissões mas não agrediam os tímpanos dos ouvintes e telespectadores.

Exemplos: Luciano do Valle, Marco Antônio Mattos, Geraldo José de Almeida, Pedro Luiz, Haroldo Fernandes, Fiori Gigliotte e tantos outros.

Caberia mais gente brilhante nessa lista.

Uma das explicações se prende ao potencial físico da voz e da técnica empregada por eles.

Vibrar, sem extrapolar os decibéis que um órgão de comunicação respeitosamente permite.

No linguajar de quem é do meio falamos de “vozes pequenas”, de baixo poder de emissão e que para não serem agressivas precisam de técnica.

Os de “voz grossa” por sua vez necessitam também de técnica pois não podem passar do ponto, mas oferecem qualidade na emoção a quem está ouvindo.

Esganiçar a voz para gritar e sem utilizar corretamente o diafragma e o controle das cordas passa ao ouvinte um certo desconforto auditivo.

É possível se envolver em lances de gol ou de perigo iminente respeitando os limites do poderio vocal.

O melhor comunicador não é o que grita mais.

Mesmo os que assistem jogos pela televisão e o fazem simultaneamente via rádio/internet, e que têm as imagens, percebem claramente quando o locutor força a barra da suposta emoção.

A vibração é falsa.

É um marketing desnecessário da função, eu acho.

São apenas considerações de quem trabalhou nisso e hoje é um simples assistente.

Pra encerrar há também algo importante a se considerar.

As faixas etárias mais jovens gostam muito dos que gritam.

Há uma identificação plena.

Os acima de 45 ou 50 repelem a empolgação vocal dos jovens locutores.

Ainda conservam a sobriedade dos narradores antigos mas também de profissionais mais novos que seguem a escola de ontem.

Aqui nesse último tópico consideremos também que os 50+ são herdeiros do rádio e onde a estridente emoção cabia.

E não era agressiva.


*Publicado no facebook do narrador JOTA JUNIOR

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