A ação criminal de Presidente do Conselho contra o Presidente do Corinthians

Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, após frustrada tentativa de obter esclarecimentos, apresentou queixa-crime contra o presidente do clube, Osmar Stabile, e o influenciador Carlos Eduardo Catalão, conhecido como Cacá Catalão, acusando ambos da prática dos crimes de calúnia e difamação.

O cartola alega que os dois divulgaram falsas acusações de que ele teria tentado interferir em contratos do Corinthians para obter vantagens pessoais.

A petição tem como base um vídeo publicado por Catalão nas redes sociais, no qual o influenciador afirma ter recebido uma ligação telefônica de Stabile.

Segundo o relato, o presidente do Corinthians teria dito que Tuma tentou impedir a substituição de um escritório de advocacia mais caro por outro de menor custo e também se opôs ao aumento do contrato do Camarote Brahma, de R$ 2 milhões para R$ 4,5 milhões anuais.

Durante o vídeo, Catalão questiona qual seria o interesse de Tuma nessas intervenções, sugerindo que haveria benefício pessoal por trás da conduta.

Para sustentar a acusação, o cartola anexou ata notarial do conteúdo publicado, transcrição das declarações, estatísticas de repercussão da postagem — que teria alcançado cerca de 186 mil visualizações — e diversos comentários de internautas que, segundo a defesa, demonstrariam o dano causado à sua imagem.

A inicial também destaca que Stabile foi previamente interpelado judicialmente para esclarecer as declarações que lhe foram atribuídas, mas permaneceu em silêncio.

Embora a petição seja detalhada na descrição dos fatos e apresente documentação sobre a existência e a repercussão do vídeo, a acusação nasce com um ponto juridicamente questionável.

Toda a responsabilização de Osmar Stabile está baseada na afirmação de Cacá Catalão de que o dirigente lhe fez aquelas revelações por telefone.

A documentação apresentada comprova que o influenciador disse ter ouvido tais acusações, mas não demonstra, ao menos nesta fase inicial do processo, que Stabile efetivamente pronunciou as frases que lhe são atribuídas — o que o blog, é preciso destacar, acredita que tenha ocorrido.

A diferença é relevante.

O vídeo comprova que Catalão fez as declarações publicamente, mas não comprova a veracidade de sua afirmação de que elas partiram de Osmar Stabile.

Há uma diferença entre aquilo que é verdadeiro e aquilo que, embora possa ser verídico, não pode ser comprovado.

A conduta de Catalão, que efetivamente divulgou o vídeo, está documentalmente comprovada — o que não significa, por si só, que seja criminosa, questão que caberá à Justiça decidir.

Já a responsabilidade atribuída a Stabile dependerá, essencialmente, da comprovação de que ele foi a fonte das acusações reproduzidas pelo influenciador.

Na prática, há apenas uma forma inequívoca, salvo gravação da conversa, de comprovar a participação de Osmar no episódio: a confissão do próprio cartola.

É pouco provável que isso ocorra.

Tudo indica que o caso se resumirá à palavra de um contra a do outro, com alguma possibilidade de a ação avançar em relação a Catalão, mas com chances bastante reduzidas de prosperar contra Stabile.

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