São Paulo adia o inevitável com desculpa esfarrapada

Durante a semana, o São Paulo recusou-se a fornecer à polícia e ao MP-SP contratos do clube com a Live Nation, que estariam envolvidos nos rolos de camarotes operados por um ex-diretor e pela ex-esposa do presidente.

Trata-se de possível desvio de dinheiro, investigado por força-tarefa e também pelo próprio clube.

A justificativa apresentada foi pueril — e burra.

O Tricolor alega que não poderia ceder a documentação em razão de cláusulas de sigilo inseridas no acordo.

É, a princípio, um equívoco.

Tais cláusulas servem, quando muito, para evitar que diretrizes comerciais sejam copiadas ou até criticadas por terceiros — sejam eles do mesmo ramo ou não.

Nesse contexto, é razoável impedir o vazamento ao público em geral, mas não faz sentido em um inquérito que visa proteger a agremiação e que, além disso, tramita em segredo de Justiça.

Além disso — e aqui reside o aspecto mais evidente da “burrice” — bastará que os órgãos oficiem o Judiciário para, de forma coercitiva, obterem acesso ao material.

Evidentemente, conseguirão.

Trata-se de um desgaste desnecessário e infeliz para uma diretoria que deveria estar mais interessada em colaborar com as investigações do que em atender a interesses — possivelmente — de quem pode estar envolvido nos fatos descritos.

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