Cuca, a compensação pelo crime confessado e a má conduta contra Vojvoda

O Santos anunciou, nas primeiras horas da manhã, após demitir o treinador Vojvoda na noite anterior, o retorno de Cuca ao comando técnico da equipe.

De imediato, evidencia-se a má conduta.

Desta vez, não de natureza sexual, mas pelo fato de, ao que tudo indica, ter fechado acordo pelas costas de um companheiro de profissão.

Cuca deve explicações ao argentino — mas não apenas a ele.

Ao longo do dia, questionou-se por que a reação negativa da imprensa a esta contratação do Santos não foi, proporcionalmente, próxima à ocorrida no acerto com o Corinthians — que resultou, à época, em seu afastamento.

A explicação é simples.

Antes de chegar ao Timão, a condição de Cuca era a de condenado por estupro, que havia fugido do cumprimento da pena e se recusava, de forma reprovável, a admitir o crime.

Hoje, o cenário é outro.

Após a Justiça revisar o caso — não para absolvê-lo, mas para anular o processo por ausência de oitiva do acusado, com consequente prescrição — houve uma movimentação até então inédita.

Em coletiva, quando trabalhava no Athletico-PR, Cuca praticamente assumiu os atos que lhe eram imputados, pediu desculpas e, aparentemente sensibilizado, prometeu:

“Quero e me comprometo a fazer parte da transformação.”

“Vou fazer isso com o poder da educação.”

“Quero ajudar.”

“Quero jogar luz, usar a voz que tenho para, ao mesmo tempo que me educo, educar também outros homens, principalmente os jovens que amam futebol.”

“Eu pensei que estava livre da minha angústia quando resolvi meu problema com a anulação do processo e a indenização.”

“Mas entendi que não acabou, porque não dependia apenas da decisão judicial, mas do que a sociedade esperava de mim.”

“O que vocês vão ver de mim daqui para frente não serão palavras, serão atitudes. Podem me cobrar.”

Estamos, neste momento, cobrando.

O que Cuca, após o discurso que contribuiu para arrefecer as críticas da imprensa e suavizar a forma como passou a ser tratado, efetivamente realizou fora das quatro linhas para amenizar o gravíssimo ato do qual diz estar arrependido?

Salvo engano, não há notícia de atuação concreta do treinador nesse sentido.

Alguns dirão, com razão: “quem faz o bem não espera recompensa nem exposição”.

Não é o caso.

Cuca prometeu agir, afirmou que “o que vocês vão ver de mim daqui para frente não serão palavras, serão atitudes” e, ao fazê-lo, autorizou que fosse cobrado caso — como parece ocorrer — descumprisse o que afirmou.

O Santos, se tivesse uma diretoria minimamente responsável e preocupada com suas torcedoras, deveria ser o primeiro, antes de contratá-lo, a verificar se, de fato, tais compromissos estariam sendo cumpridos.

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