Departamento de futebol do Corinthians é terra de ninguém

Ontem, o Corinthians, apesar do investimento milionário no futebol, foi desclassificado no fraco Paulistinha por um Novorizontino que, há anos, disputa a segunda divisão do Brasileirão.

Um vexame.

Financeiramente, perdeu R$ 5 milhões em premiação e a renda das finais — ainda que, em ambos os casos, não colocasse muito dinheiro no bolso, já que teria de pagar mais de R$ 4 milhões a Memphis Depay por acerto contratual de premiação, além das parcelas da dívida com a CAIXA.

O departamento de futebol do Corinthians está jogado ao vento.

Ontem, Dorival Júnior detonou a diretoria pela negociação do jovem André ao Milan.

Marcelo Paz, que conduz o acordo, contemporizou e deixou claro que respeitará a decisão do presidente, que, pressionado, ainda não sabe se assinará — embora precise fazê-lo diante do caos financeiro que ajudou a criar.

Memphis não se cansa de detonar os cartolas publicamente.

Paz imaginou que teria autonomia, mas já percebeu que precisará agradar muitos caciques antes de assinar qualquer papel.

No episódio Alysson — jogador que contratou, levou ao CT e depois, desautorizado, teve de engolir a seco — o executivo chegou a pedir demissão, mas foi demovido.

Suportará nova afronta após o acerto com o Milan?

A indignação de Dorival ocorre mais porque, pela primeira vez — contratado que foi pela diretoria anterior —, estaria sendo deixado de lado nas benesses oriundas das negociações.

Ativo nos bastidores, ligado, através de familiares, a empresa de Intermediação de jogadores, o treinador nunca se opôs a movimentações de mercado.

A “desculpa” de estar no Corinthians para ser campeão contrasta com a realidade que lhe foi apresentada — e que ele sempre conheceu — no dia da assinatura do contrato.

Os títulos vieram mais pelo peso da camisa do que pelo desempenho dentro de campo.

Enquanto o Timão não profissionalizar efetivamente o departamento de futebol e dele retirar a ingerência amadora de alguns conselheiros, tudo permanecerá como está: um gigante em arrecadação — por conta de uma torcida única —, mas sem saber exatamente como transformar dinheiro em gestão de sucesso.

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