Cinema premiado e promissor

Da FOLHA

EDITORIAL

  • Láureas conquistadas por ‘O Agente Secreto’ no Globo de Ouro se somam ao sucesso de ‘Ainda Estou Aqui’
  • Outros exemplos mostram vigor da produção brasileira, como ‘O Último Azul’, de Gabriel Mascaro, que recebeu o Urso de Prata em Berlim

Ao receber dois prêmios de grande projeção na cerimônia do Globo Ouro, na noite de domingo (11) e madrugada desta segunda-feira (12), o filme “O Agente Secreto“, dirigido por Kleber Mendonça Filho, e estrelado por Wagner Moura, levou novamente o cinema brasileiro a uma posição de destaque no cenário internacional.

Apenas uma vez, em 1999, com Central do Brasil, de Walter Salles Júnior, uma produção do país obteve a prestigiosa premiação, conquistando o troféu de melhor filme em língua não inglesa. Na mesma ocasião, Fernanda Montenegro, a atriz protagonista da obra, justamente indicada, terminou por não ser a escolhida.

Agora, Wagner Moura, melhor ator de drama, assegurou à cinematografia brasileira uma inédita dupla de láureas. O feito poderia ser visto como um ponto luminoso, desses que ao longo do tempo lembram a todos, inclusive a nós mesmos, que o Brasil é capaz de fazer ótimos filmes.

Não é, entretanto, apenas a isso que estamos assistindo: na edição de 2025 do Globo de Ouro, o cinema nacional também figurou entre os mais reconhecidos do mundo, com “Ainda Estou Aqui“, também de Salles Júnior, indicado nas categorias de melhor filme de língua não inglesa e atriz de drama.

Venceu nesta última categoria com a atuação de Fernanda Torres, também nominada para o Oscar ao lado do longa —que conquistou o então inédito troféu de Hollywood como melhor filme internacional para o Brasil.

Esses êxitos em sequência já bastariam para sugerir que há algo de mais consistente acontecendo na produção cinematográfica brasileira. Há, contudo, mais evidências. Para ficar em dois casos, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2025, e “Manas”, de Mariana Brennand, tem merecido amplo reconhecimento e premiações em diversos eventos internacionais.

Essa fase iluminada tem sido marcada não apenas por prêmios relevantes, reconhecimento de críticos internacionais e exibições em outros continentes. Presenciamos, ainda, um bem-vindo encontro com o público, que reconhece seu país nas telas.

Fenômeno de bilheteria, “Ainda Estou Aqui” levou cerca de 6 milhões de pessoas aos cinemas. “O Agente Secreto” segue a mesma trajetória promissora. A atração de espectadores, que já se via em produções de apelo mais comercial, vai se afirmando em outras faixas, com renovado interesse dos mercado nacional e externo.

É fato que o cinema brasileiro tem atraído jovens profissionais e elevado sua qualidade média, no que diz respeito a recursos técnicos, ideias, temas, atuações, marketing e outros aspectos.

Para além do apoio de políticas públicas, multiplicam-se as co-produções com outros países e registram-se investimentos privados. Os resultados estão aí, nas telas, nos troféus e nas bilheterias. As perspectivas são, justificadamente, auspiciosas.

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