Ata da reunião do Conselho que aprovou o acordo entre Corinthians e CAIXA (íntegra)

O Blog do Paulinho teve acesso à Ata da Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Corinthians, realizada em 27 de junho de 2022, que, induzido a erro e sem verificar o documento, aprovou o acordo lesivo do clube com a CAIXA.
Publicamos, ao final do texto, a íntegra.
Não foram divulgados os nomes dos conselheiros presentes.
Entre diálogos constrangedores e a ausência de identificação da maioria dos oradores — resta saber se por incompetência ou conveniência de um órgão, à época presidido por Alexandre Husni — destacamos os piores momentos.

Rubão e o voto “em confiança”
Em uma das manifestações de Rubens Gomes, o Rubão, comprova-se que um dos principais contratos da história do Corinthians, a ponto de exigir uma reunião extraordinária do Conselho, foi ratificado sem que os conselheiros tivessem acesso ao documento:
“Só para tentar esclarecer, porque a gente está olhando o que vocês estão falando, a gente não recebeu nada, né?”
“A gente não sabe… Temos que acreditar no que vocês estão mostrando para a gente, entendeu?”
Não é a primeira vez que isso acontece.

Parecer do CORI
O parecer do CORI, aprovado por unanimidade, revela que seus membros, diferentemente do ocorrido no Conselho Deliberativo, tiveram acesso ao contrato:
“Em reunião realizada em 20/06/22, convocada nos termos do art. 97 do Estatuto Social, após a apresentação pela Diretoria Financeira do clube do plano para a assinatura do termo de acordo para pagamento de saldo devedor do contrato de construção e financiamento da Neo Química Arena e ampla discussão do mesmo pelos presentes, conforme constante na respectiva Ata, os Srs. Conselheiros do Conselho de Orientação, Cori, deliberaram, por unanimidade, recomendar a aprovação do mencionado acordo de pagamento.
São Paulo, 20 de junho de 2022.
Ademir de Carvalho Benedito, presidente do Conselho de Orientação, Cori.”
Ademir Benedito, desembargador que, desde os tempos de Andrés Sanchez, mantém um filho trabalhando nas categorias de base do Corinthians, era o presidente do CORI — órgão que, entre seus membros, mantém como natos todos os ex-presidentes do clube.
Esse aval, diante da ausência de documentação na reunião do Conselho Deliberativo, induziu os conselheiros a votarem a favor da barbaridade.

Armando Mendonça defendeu a aprovação
Mesmo sem ler o acordo, Armando Mendonça — que viria, na gestão seguinte, a se tornar vice-presidente do Corinthians — discursou, em termos lamentáveis, a favor da ratificação:
“Aprovado o acordo, melhor um mau acordo do que uma boa demanda.”
“(…) eu entendi todo o trâmite negocial, contratual, a minha única dúvida é: os credores, reunião de credores da recuperação judicial da Odebrecht, aprovam já, já foi passado para eles e eles deram ok, vamos aprovar? Essa é a minha dúvida, porque aí está tudo certo.”
A “única” dúvida de Armando pressupõe que ele fosse um expert nos termos do contrato — ou que tenha preferido, de forma conivente, aderir à manada.

Ivaney Cayres bajulou
O policial Ivaney — daqueles que sobrevivem no (ou do) submundo — apoiador e protetor, em diversos sentidos, de membros da Renovação e Transparência, não perdeu a oportunidade de bajular:
“Eu li com detalhes e entendo que a saída foi gloriosa, porque o Corinthians é um clube com muita capacidade de gerar caixa.”
Com o agravante de, se verdadeiro o teor da fala, ser um dos poucos que efetivamente leu o documento.

Husni compromete comissões
Em pronunciamento, Alexandre Husni, então presidente do Conselho, comprometeu os membros das comissões de Finanças e da Arena:
“(…) tivemos uma reunião entre a Comissão de Finanças e a Comissão da Arena. E tivemos… nesta semana passada, foi exposto pelo Sr. Presidente, pelo Gavioli, tudo aquilo que foi feito e combinado com a Caixa Econômica e a Odebrecht. E houve uma aprovação por unanimidade das duas comissões.”

Mentiras e omissões de Gavioli
Representando Wesley Melo, diretor financeiro que, convenientemente, não compareceu à reunião, Roberto Gavioli — recentemente indiciado sob acusação de facilitar desvio de dinheiro do Corinthians — foi o responsável por apresentar, em slides, trechos do acordo com a CAIXA aos conselheiros.
Mentiu e omitiu.
“Como a dívida saiu de R$ 1,5 bi para R$ 611 milhões? A dívida era composta de três operações: as debêntures emitidas para as empresas da Odebrecht e a dívida da Caixa Econômica. Essas três operações montavam aproximadamente R$ 1,5 bilhão. E com a reestruturação, as debêntures, de acordo com o que foi acordado com a Odebrecht, lá em 2019, elas passam a valer zero, porque elas estão como um passivo da Arena Itaquera SPE, que, após a aquisição dessas participações e créditos pelo FIP do clube, passa a ser totalmente do clube.”
Gavioli tentou passar a imagem de que a diretoria teria conseguido uma enorme redução da dívida.
O que ocorreu foi bem diferente.
A Odebrecht entrou em recuperação judicial e a dívida do Corinthians, considerada “papel podre” — ou seja, calote certo — foi retirada do cálculo.
Ainda assim, o clube cedeu R$ 400 milhões, em valores nominais, em CIDs à construtora.
Em meio a desinformações, Roberto Gavioli chegou a revelar duas importantes cessões de percentuais de faturamento — omitindo a existência das demais — que, apesar de graves, sequer foram questionadas pelos conselheiros.
“(…) nós vamos manter basicamente todas essas garantias que existiam, excluindo a garantia da Odebrecht com a saída deles da estrutura. E, em troca dessa saída, a gente vai destinar para a conta-reserva 30% das receitas líquidas de venda de jogadores, 50% das receitas líquidas de premiações de finais de campeonato e dar esses fluxos em garantia também.”
“Então, o acordo, na minha opinião, é excelente.”

Andrés Sanchez também discursou
Andres Sanchez defendeu o negócio, vitimizou-se, tentou se esquivar de mentiras relembradas, mas deixou os detalhes técnicos com o comparsa Gavioli:
“Eu queria não pagar nada, eu queria pagar zero. Se alguns daqui evitassem denúncia no Ministério Público, denúncia na Polícia Federal, que eu ia ser preso, talvez nós tivéssemos resolvido isso antes. Então… Agora, eu não tenho o número cru, é correção e juros.”

Votação ‘senta e levanta’
Mesmo sem acesso à documentação e, nitidamente, sem saber o que votavam — apesar de se tratar de um tema de extrema importância para o clube —, os conselheiros do Corinthians não se opuseram à lamentável votação do tipo “senta e levanta”.
Oficialmente, o registro consta como aprovação por aclamação.
Apenas um conselheiro, não identificado na ata, solicitou que constasse o registro de que aprovava o acordo com “ressalvas”.
Os demais silenciaram.
Assim, Alexandre Husni iniciou a votação e proclamou o resultado:
“Bom, eu acho que o assunto já foi bastante debatido. E agora vamos passar à votação. Aqueles que estão de acordo com a provável assinatura ou com a assinatura deste acordo permaneçam como estão. Foi aprovado por unanimidade. Muito obrigado.”
Constrangedor, irresponsável e passível de apuração criminal.

ATA DA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO DELIBERATIVO DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA REALIZADA EM 27 DE JUNHO DE 2022.
Aos vinte e sete dias do mês de junho do ano de dois mil e vinte e dois, regularmente convocada, conforme os dizeres do seguinte EDITAL DE CONVOCAÇÃO: O Presidente do Conselho Deliberativo, no uso de suas atribuições estatutárias, art. 82, II, A, CONVOCA a todos os seus pares a comparecer à reunião extraordinária no próximo dia 27 de junho, que ocorrerá presencialmente nas dependências do Salão Nobre do Parque São Jorge, localizado na Rua São Jorge, nº 777, São Paulo, Capital, às 18h em primeira chamada, e às 19h em segunda chamada com qualquer quórum, com a seguinte ordem do dia: a) Leitura e aprovação da ata da reunião anterior; b) Apresentação pela Diretoria Financeira do Clube da minuta do termo de acordo do saldo devedor do contrato de construção e financiamento da Neo Química Arena, cuja recomendação pelo CORI – Conselho de Orientação – é de aprovação; c) Aprovação do acordo para quitação da dívida oriunda da construção e financiamento da Neo Química Arena; d) Várias; Acompanharam os seguintes documentos: parecer do CORI – Conselho de Orientação.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado. Por favor, vamos ler agora a Pauta do dia. Nosso secretário vai ler, por favor. Andrés onde você está? Rachid está aí. Tudo bem? O Andrés sumiu. Vai, pode começar. Cadê ele? Por favor, presidente Andrés, venha aqui.
SR. PAULINO TRITAPPEPE NETO, 2º Secretário do Conselho Deliberativo
[00:02:29]: Boa noite. Boa noite, pessoal. Boa noite, pessoal. Prazer num revê-los, esperamos que tenhamos uma noite tranquila e com bastante paz. Edital de convocação: “Ilustríssimos Srs. Conselheiros e Conselheiras, o presidente do Conselho Deliberativo, no uso de suas atribuições estatutárias, art. 82, linha 2, ‘a’, convoca a todos os seus pares a comparecer à reunião extraordinária no próximo dia 27 de junho, que ocorrerá presencialmente nas dependências do Salão Nobre do Parque São Jorge, localizado na Rua São Jorge, nº 777, São Paulo, Capital, às 18h em primeira chamada, e às 19h em segunda chamada com qualquer quórum. Com a seguinte Ordem do Dia: letra a – leitura e aprovação da Ata da reunião anterior; b – apresentação pela Diretoria Financeira do clube da minuta do termo de acordo do saldo devedor no contrato de construção e financiamento da Neo Química Arena, cuja recomendação que pelo Cori, Conselho de Orientação, é de aprovação; letra c – aprovação do acordo para quitação da dívida oriunda da construção e financiamento da Neo Química Arena; d – várias. Segue a presente o parecer do Cori, Conselho de Orientação. Reitero que, por medida de proteção sanitária, informo que o uso de máscara no dia da reunião é obrigatória. São Paulo, 21 de junho de 21 (sic), Alexandre Husni, presidente do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista.”
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Senhores, nós temos uma nota de falecimento, infelizmente, de um conselheiro vitalício, faleceu no dia 6… 4 dias, aliás, deste mês, o José Cardoso Junior. Ele morava em Santos, onde ele vinha já doente, e infelizmente faleceu. Eu pediria um minuto de silêncio para todos nós.
[um minuto de silêncio]
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado a todos. Infelizmente, mais um falecimento de um conselheiro vitalício. Agora, por favor, vamos à Pauta do dia para a leitura da Ata anterior, por favor. Por favor, um dos nossos conselheiros está pedindo a dispensa da Ata. Eu submeto a todos, os senhores querem que seja dispensada a Ata? Têm alguma coisa em contrário? Não. Então, muito obrigado, foi aprovada por unanimidade. Obrigado. Agora ao segundo item do dia que o nosso secretário vai falar.
SR. PAULINO TRITAPPEPE NETO, 2º Secretário do Conselho Deliberativo:
“Apresentação pela Diretoria Financeira do clube da minuta do termo de acordo do saldo devedor do contrato de construção e financiamento da Neo Química Arena, cuja recomendação pelo Cori, Conselho de Orientação, é de aprovação.”
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Nós temos um parecer do Cori. E o Sr. Presidente, o Duílio, gostaria de dar uma palavra antes da apresentação, por favor.
SR. DUÍLIO MONTEIRO ALVES: Boa noite a todos. Boa noite, presidente. Boa noite a todos os conselheiros. Uma data muito importante, a gente traz aqui hoje as bases do acordo com a Caixa Econômica Federal para que a gente possa, finalmente, definir isso e começar… continuar, né, com os pagamentos e quitar nosso estádio. Há alguns anos, desde 2019, se eu não me engano, a gente já vem com essa negociação, no mandato interior do presidente Andrés Sanchez. E desde o início de 2021, quando ele saiu, seguimos essa negociação com todo o nosso pessoal da área financeira, todo nosso pessoal jurídico. Trouxemos junto com a KPMG e o Machado Meyer, que foi o escritório que fez o primeiro contrato da Neo Química Arena. E a KPMG, para nos reestruturar também na reestruturação, junto com a Caixa e com a Odebrecht, para que a gente tivesse uma segurança muito grande com pessoas com uma empresa que é reconhecida uma das maiores do mundo nessa área para que nos auxiliasse. O Roberto Gavioli vai fazer a apresentação para vocês do novo acordo dessas bases. E após isso, a gente volta aqui novamente para falar, tá bom? Obrigado.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Por favor, eu vou pedir ao Sr. Secretário para que leia o parecer do Cori antes da apresentação, por favor.
SR. PAULINO TRITAPPEPE NETO, 2º Secretário do Conselho Deliberativo:
Conselho de Orientação, Cori, parecer: “Em reunião realizada em 20/6/22, convocada nos termos do art. 97 do Estatuto Social, após a apresentação pela Diretoria Financeira do clube do plano para a assinatura do termo de acordo para pagamento de saldo devedor do contrato de construção e financiamento da Neo Química Arena e ampla discussão do mesmo pelos presentes, conforme constante na respectiva Ata, os Srs. Conselheiros do Conselho de Orientação, Cori, deliberaram, por unanimidade, recomendar aprovação do mencionado acordo de pagamento. São Paulo, 20 de junho de 2022, Ademir de Carvalho Benedito, presidente do Conselho de Orientação, Cori.”
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Gostaria de afirmar também que tivemos uma reunião entre a Comissão de Finanças e a comissão da arena. E tivemos… nesta semana passada, foi exposto pelo Sr. Presidente, pelo Gavioli, tudo aquilo que foi feito e combinado com a Caixa Econômica e Odebrecht. E houve uma aprovação por unanimidade das duas comissões. Só queria adiantar isso. Agora eu passo a palavra ao Gavioli para que diga e explique para os Srs. Conselheiros o que foi feito de acordo… ou pelo menos um pré-acordo da Caixa.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Boa noite, Srs. Conselheiros, Sras. Conselheiras. Obrigado presidente Husni, presidente Duílio. Eu vou representar hoje o diretor Wesley que infelizmente não pode estar aqui e fazer a apresentação para os senhores dos termos combinados com a Caixa Econômica para o acordo de refinanciamento da arena. Eu tentarei ser breve. A gente está com a presença dos representantes da KPMG e do Machado Meyer aqui, também estarão à disposição para qualquer questionamento que os senhores tenham.
Vou passar aqui os principais objetivos e os aspectos que envolveram a renegociação. Um dos primeiros objetivos é a gente simplificar a estrutura e deixar a arena, do ponto de vista societário, ser formalmente somente do Corinthians, excluindo aí o grupo Odebrecht, agora Novonor, da estrutura. Essa redução da complexidade, a gente vai ver um slide mais para frente, ela tem a eliminação de todas as empresas do grupo Odebrecht e também as debêntures que foram emitidas e as garantias que aquele grupo forneceu originalmente para a operação.
A gente conseguiu uma redução de dívida, que nós vamos detalhar mais para a frente. E estabelecemos um novo fluxo de pagamentos e uma nova estrutura de garantias. Aqui é um slide, eu já vou explicar um pouquinho melhor, que mostra como era a estrutura anterior, que é o lado esquerdo do slide, uma dívida de R$ 1,5 bilhão, aproximadamente, envolvendo não só o financiamento da Caixa Econômica, como as debêntures que tinham sido emitidas à época da construção. E após reestruturação e a implementação de todos os passos jurídicos e condições legais que envolvem essa transação, a gente vai ter aquela estrutura ali do lado direito. Essa estrutura, ela tem empresas do grupo Odebrecht, que detêm a SPE, que é a Arena Itaquera, que por sua vez detém cotas de fundo juntamente com o Corinthians. A SPE Arena, emitiu debêntures que são de propriedade das empresas Odebrecht e a Caixa Econômica forneceu o financiamento para essa estrutura. Então, essa é a estrutura atual de empresas e de instrumentos de dívida que nós temos na arena.
A partir da implementação de todos os passos para resolver a dívida das debêntures, refinanciar o fluxo da arena, nós vamos ter essa estrutura: o clube em vai criar um FIP, que é um fundo de investimento em participações, que vai adquirir os ativos e créditos da Odebrecht, as ações da SPE, que por sua vez continua sendo responsável pela dívida junto à Caixa Econômica e também continua sendo a detentora das ações, a única detentora das ações do fundo de investimento imobiliário, que era o fundo originalmente criado na estrutura. Essa estrutura, assim [interrupção no áudio] permite que o clube, que é uma reivindicação desse conselho já de um algum tempo, reflita em seu balanço os valores todos relativos à arena e elimine todas aquelas outras empresas que estavam incluídas, na estrutura.
Como a dívida saiu de R$ 1,5 bi para R$ 611 milhões? A dívida era composta de três operações, das debêntures emitidas para as empresas da Odebrecht, e a dívida da Caixa Econômica. Essas três operações montavam aproximadamente R$ 1,5 bilhão. E com a reestruturação, as debêntures, de acordo com o que foi acordado com a Odebrecht, lá em 2019 elas passam a valer zero, porque elas estão como um passivo da Arena Itaquera, SPE, que após a aquisição destas participações e créditos pelo FIP do clube passa a ser totalmente do clube. E essas debêntures, em conformidade com o acordo com a Odebrecht de 2019, serão trazidas frente a Odebrecht também para o balanço do FIP da SPE Arena por valor simbólico. Considerando, então, que a gente vai pagar um valor, por exemplo, para trazer todas essas debêntures para cá. Com isso, a dívida final fica somente registrada como R$ 611 milhões. Esse valor é data-base de janeiro de 2022 e é o valor que nós temos que pagar ao longo dos próximos anos.
Esses gráficos mostram resumidamente como se comporta a dívida, que ela cresce um pouquinho no início, porque nós vamos pagar juros entre 2023 e 2025, e a partir de 2026, principal. E o gráfico da direita mostra, sumariamente, os valores anuais que nós vamos desembolsar em relação ao fluxo de pagamento. Então, o valor da dívida é de R$ 611 milhões, em janeiro de 22. Nós só vamos pagar o principal da dívida a partir de 2026. A gente tem uma carência principal pagando somente juros de 23 até 25. Os juros acordados serão de CDI, que é a taxa básica de juros do mercado brasileiro, mais 2% ao ano, que é o spread dessa operação. É uma taxa de juros bastante favorável, se comparada às taxas normalmente praticadas no mercado. Nós vamos destinar 100% das receitas de naming rights para pagamento dessa dívida ao longo dos anos. Esse contrato, hoje, atualizado por IGPM, de acordo com os termos assinados em 2020, tem um valor de R$ 400 milhões na mesma data-base dos 611.
Todas as outras receitas da arena relativas a camarotes, cadeiras, eventos, as receitas de dia de jogo não vinculadas à bilheteria, serão usadas para pagar os custos da arena, todos os custos, energia elétrica, seguros, impostos. A bilheteria será dividida entre o serviço da dívida para a Caixa Econômica e o clube. Nós vamos, no início, separar 50% da bilheteria para o pagamento da dívida e os outros 50% irão para o clube, que fará, então, o pagamento dos custos da arena e a diferença fica para o clube, que é algo, que no acordo anterior, não existia. Importante dizer também que nesse fluxo novo de pagamentos, a gente tem pagamentos previstos trimestralmente, mas com um compromisso mínimo anual de pagamento, não mais mensal, como era o acordo anterior.
Ao final de cada ano, se a gente tiver… A gente fez todo o fluxo de financeiro de pagamento baseado em projeções de taxa de juros, de geração de caixa e de receita da arena, e esses movimentos de fluxo de pagamento estão conservadoramente atrelados à geração de caixa da arena. Eventual sobra de caixa, considerando receita maiores, ou até mesmo uma taxa de juros menor do que aquela projetada, ele será destinado 50% para a antecipação da dívida, e 50% retornando para o clube, após o pagamento das despesas.
A gente criou um modelo de… mas a gente pode explorar depois detalhe, se você quiser. A gente criou um modelo de pagamento, que tem uma conta que nós chamamos de conta pagamento, que é onde entram todos os recursos de naming rights, os recursos de bilheteria. E uma outra conta, que é uma conta reserva, que vai ser complementada, eu já explico isso no próximo slide, para manter sempre o valor de uma parcela mínima anual, de forma que se, em algum ano, a geração de caixa for insuficiente, nós fazemos uso dessa conta reserva para cumprir o pagamento anual acordado. E caso, lá, ao final do pagamento, previsto para dezembro de 2041, haja uma sobra nessa conta reserva, ela retorna para o clube.
Aqui é a estrutura de garantias. A coluna da esquerda é aquilo que existe atualmente, e a coluna da direita é como ficará depois. Nós temos, como garantias, todas as ações da companhia, da Arena Itaquera, a SPE. As cotas do fundo, tanto as cotas seniores, quanto as cotas mezzanino e juniores, que são da arena SPE e do clube. A alienação fiduciária e hipoteca de duas matrículas do Parque São Jorge. Temos também procurações em nome da Caixa para eventualmente agir no fundo e contratos de administração de contas de financiamento como contas-garantia do movimento financeiro gerado pela arena protegendo esse fluxo financeiro de qualquer ação externa contra os recursos.
Tínhamos também uma… chamado ESA das empresas Odebrecht, que é uma garantia patrimonial deles, caso o clube não conseguisse cumprir. E nós vamos manter basicamente todas essas garantias que existiam, excluindo a garantia da Odebrecht com a saída deles da estrutura. E em troca dessa saída, a gente vai destinar para a conta reserva 30% de receitas líquidas de venda de jogadores, 50% de receitas líquidas de premiações de finais de campeonato e dar esses fluxos em garantia também. Aqui é bom ressaltar, que serão… aqui envolvendo campeonato do mata-mata, Copa Libertadores, Copa do Brasil, que têm finais, não Campeonato Brasileiro. Essa parte desses recursos preencherão a conta reserva até o limite de uma parcela mínima anual. E nós temos até 2025 para preencher essa conta reserva. A partir do momento que essa conta reserva está preenchida, os recursos integrais passam a ser do clube. Lembrando também que eventuais sobras de caixa no fluxo financeiro da arena também podem ser usadas para preenchimento da conta reserva.
E, por último, caso a gente não cumpra, lá em 2025, esse compromisso de preenchimento da conta reserva, a Caixa poderia acessar direitos de transmissão de TV do campeonato como garantia da dívida ou para preenchimento da conta reserva. Nós vamos acrescentar também uma alienação de ações de uma empresa que será criada no processo de recuperação judicial da Odebrecht para transferir as debêntures e as cotas do fundo e as cotas da arena SPE para aquele FIP, fundo de investimento, que o clube vai criar.
Tem ainda uma questão jurídica. Aquela hipoteca, a gente tem duas matrículas do Parque São Jorge, uma com alienação fiduciária e outra com hipoteca. Pode ser que a gente está com hipoteca seja depois transformada também em alienação fiduciária. E lembrando que os recursos da conta reserva, lá no final, em 2041, ou ele pode ser usado para antecipar e acabar a operação, ou a gente segue com o fluxo e eles retornam para o clube lá no final.
Essa é a apresentação em termos gerais do acordo. Tem bastante informação, eu sei. Estou à disposição para as perguntas com mais detalhes. E o pessoal da Machado Meyer e da KPMG também estão à disposição. Obrigado, senhores, pela atenção.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Por favor, Srs. Conselheiros. Srs. Conselheiros que quiserem fazer alguma pergunta, estão, por favor, livres para fazê-la. É só pedir, por favor, a palavra.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Boa noite, presidente do conselho, presidente da diretoria, meus colegas e colegas conselheiros, você pode voltar no slide lá dos valores, por favor? Primeiro saldo, em 2021 ali, se eu não me engano, é R$ 611 milhões, é isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Sim, a dívida de R$ 611 milhões é base de janeiro de 22. Isso porque a gente precisava para montar toda a operação e a documentação partir de uma data-base fechada.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Tá. O valor da ação da Caixa contra o Corinthians era R$ 536 milhões, certo?
SR. ROBERTO GAVIOLI: O valor da ação calculado em agosto de 2019 é de R$ 536 milhões.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Agosto de 2019.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Agosto de 19.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: E qual o valor que a Caixa usou para chegar a 611?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Esse valor é 536 milhões corrigidos por CDI mais 2, que é a taxa atual. Se a gente corrigisse pela taxa original do contrato ou taxa judicial, que é uma ação já judicializada, esse valor seria de mais de R$ 700 milhões, 750, 770, dependendo da base que você usar.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, mas você falou que teve um desconto, não foi isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Os 611, é um desconto relativo a esta dívida. Mas além disso, a gente tinha, se você olhar este quadro, a gente tinha as debêntures emitidas que levariam a dívida a 1,5 bi. Mas essas debêntures, agora, serão regidas quando trazidas para os livros de fundo a valor zero.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: E os CIDs? Quando nós entregamos de CID para a Odebrecht?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Os CIDs foram entregues em 2019. É, 2018, desculpe. E o valor deles à época era de R$ 350 milhões, por aí.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: O total era R$ 350 milhões. Não é R$ 480 milhões?
SR. ROBERTO GAVIOLI: CIDs?
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: É.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Não, CIDs, original, a emissão era de 400, mas ele foi sendo usado ao longo do tempo. E quando a gente entregou para a Odebrecht, ele estava a troco da dívida com a Odebrecht.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, esse valor aí de R$ 1,5 bi é abatido os CIDs?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Sim.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Entendi. A projeção que faz, então, é de R$ 611 milhões, a gente começa a pagar em 25, é isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Não. Nós começamos a pagar juros a partir de 23 e o principal a partir de 25.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, mas está corrigido até janeiro de 21, certo?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Janeiro de 22.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: De 22, desculpa. E quando fizer o acordo, vai corrigir até…?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Vamos lá. A projeção financeira, ela parte de R$ 611 milhões. Deixa eu te mostrar aqui. Se você olhar esse gráfico da esquerda, você vai notar que ele sai de 611, ele cresce até 2026 e depois ele começa a descer.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: É que não dá… Eu, pelo menos, não estou enxergando o valor. Esse é o problema, entendeu?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Esse é pequeno mesmo, mas a informação é grande, mas ele cresce…
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Para 689, é isso? Se eu não me engano.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Para 689, depois ele vai crescer um pouquinho mais, vai para 695. Depois ele começa a cair.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, em 2023, a gente paga R$ 75 milhões, é isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Paga R$ 74 milhões.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: São 74?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Isso, 74, depois 63, depois 70. Esse fluxo não é… ele não é fixo, esse era um dos problemas que a gente tinha no financiamento original. A gente tem um fluxo baseado na geração de caixa da arena, então, ele não é fixo por conta da geração de caixa que a arena provê ano a ano.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, mas você fez uma projeção, certo, do valor do começo ao valor do final, certo?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Nós fizemos uma projeção mensal de geração de receita, geração de caixa, taxa de juros e projeção da dívida e dos pagamentos.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: E quanto chega esse valor total, quando nós terminamos de pagar a arena?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Após 19 anos, a gente vai pagar 1,5 bi.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Volta no valor original, é isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Não dá pra fazer essa conta, porque… Não dá pra fazer.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Você falou 1,5 milhão.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Porque o naming rights, hoje, é 400 milhões, ele vai ser 1 bilhão lá na frente também, é isso.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Não, tudo bem. Estou dizendo para você corrigir, mas não estou falando para você não corrigir o naming rights. Eu quero saber o seguinte, por isso que eu estou te perguntando, se você fez a projeção desse valor, qual o valor das parcelas que nós vamos pagar durante esses anos?
SR. ROBERTO GAVIOLI: É aquele gráfico da direita lá, 74, 63, 70. Lá no final nós vamos pagar 105 milhões.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Serão 105 milhões?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Sim.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: E nós recebemos do naming rights, hoje.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Valor de hoje, uma parcela anual, hoje, é R$ 22 milhões. Hoje.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone].
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, mas o que eu queria saber é o seguinte: esse dinheiro foi depositado e corrigido, é isso? O dinheiro…
SR. ROBERTO GAVIOLI: Vamos lá, a primeira parcela foi paga, está depositada lá no fundo. A segunda parcela será paga em outubro, é uma parcela anual, o valor dessa parcela, hoje, equivale a R$ 22 milhões, mais ou menos, corrigida.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone].
SR. ROBERTO GAVIOLI: Então, cada parcela, anualmente, vai ser corrigida por IGPM.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Mas só para eu entender, eu sou meio… meio não, sou completamente leigo nesse negócio. Eu quero só entender uma coisa, o nosso contrato com a Caixa era por… eu não lembro a moeda, mas era…
SR. ROBERTO GAVIOLI: Era TJLP, que é equivalente a CDI, é uma taxa básica de juros, mais 3,4% ao ano. Hoje…
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: O anterior?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Sim. O anterior. O financiamento era TJLP mais 3,4% ao ano. Hoje ele é CDI, que é equivalente à TJLP, mais 2. A gente reduziu 30% o spread bancário dessa operação.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Então, nós vamos pagar em 2025, R$ 78 milhões, é isso, né, que você está falando?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Sim.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Tá. O total, então, R$ 1,5 bi, volta pra R$ 1,5 bi, é isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: O total, ao longo dos 19 anos, pago, R$ 1,5 bi.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: E você falou que os CIDs, o naming rights vai estar a R$ 1 bi?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Eu estou fazendo uma inferência, não fiz essa conta. Mas o que eu quero dizer é o seguinte: a taxa de IGPM, que é o que corrige o contrato de naming rights, ela é equivalente à taxa de CDI, em geral, ela é equivalente. O CDI é a taxa básica de juros no Brasil. Então, se você tem um ativo, que é o naming rights, que vale hoje 400, ao longo do tempo, somando as parcelas corrigidas por IGPM, imagine que 30% da dívida, hoje, de R$ 600 milhões, ela não estaria coberta por naming rights. Os 60% que estariam cobertos, eles vão seguir o fluxo corrigido, assim como as parcelas, baseado nesse contrato.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Deixa eu te fazer uma pergunta, a gente, na verdade, tem R$ 211 milhões de dívida, é isso? Pelo que você está falando?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Na verdade, nossa dívida são R$ 611, mas a gente já parte com uma garantia de fluxo de caixa R$ 400 milhões. Então, nós temos que, ao longo desses 19 anos, gerar R$ 211 milhões das outras receitas do estádio. Isso, partindo da data zero. Aí você vai acrescer juros, todos os encargos do contrato que levam a R$ 1,5 bi de pagamento.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Presidente, só para terminar. Só para tentar esclarecer, porque a gente está olhando o que vocês estão falando, a gente não recebeu nada, né? A gente não sabe… Temos que acreditar no que vocês estão mostrando para a gente, entendeu? Enfim. Eu queria fazer uma pergunta para finalizar, o seguinte: esse valor de R$ 211 milhões, vamos falar assim R$ 211 milhões, qual foi esse abatimento com a Caixa, que você falou que conseguiu na Caixa é sobre o processo, então, não sobre o valor original, certo?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Nem poderia ser.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Acordo é acordo. Desculpa, Gavioli. Acordo é acordo. Acordo é uma coisa. Você cobrar… você pagar os R$ 611 milhões é outra coisa. Você está pagando o que eles falaram: É isso aqui.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Se eu falasse isso que você comentou, ele estaria nos cobrando 750, hoje. Então, veja, os R$ 400 milhões da 2013 seriam muito mais que 600 hoje. É óbvio, nós pagamos uma parte já ao longo desse tempo, sobrou um saldo que eles nos cobraram, R$ 536 milhões. Nós contestamos esse valor. Nossa conta, era 450. Só que 536 corrigido por uma correção que eles poderiam aplicar ou do contrato anterior ou das taxas judiciais, chegaria a mais de 750. Então, é um acordo.
SR. RUBENS GOMES DA SILVA JUNIOR: Presidente, agradeço imensamente. Obrigado.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado, Rubão. Mais alguém? Por favor.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [00:37:03]: Boa noite, presidente Duílio, presidente Husni, componentes da Mesa, colegas conselheiros. Gavioli, estava olhando os números dessa projeção e eu acho que vocês estão subestimando um descasamento da taxa futura, tá? Quando a gente fala de contrato original, ele previa TJLP mais 3,6% ao ano. O TJLP está projetado em 6,8, se você pegar dos próximos quatro anos, a projeção está em 6,8, 5,5. Com 3,5 é bem diferente da taxa que a gente está chegando em um acordo aqui. A gente está falando de uma taxa do primeiro ano de 10% contra um CDI mais 2 da casa de 15.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Se olhar este ano o que o CDI disparou, sim. A projeção de CDI média nos próximos 20 anos é de 6,8%. Se você pegar nas casas, qualquer casa que você pegar, Itaú BBA, Bradesco, qualquer uma delas.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Podemos olhar [ininteligível] juros também, né? Que você conseguiu ver lá até 2030, que está 12,6 hoje.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Mas aí a gente está olhando mercado futuro, não projeção de taxa. Então, a gente vai… Se você falar pra mim: qual é o maior risco que tem nesse fluxo? É a projeção de taxa de juros, porque, veja, nós temos um negócio que ele tem dois terços da dívida indexada a IGPM. O resto das receitas, ele é indexado a mercado. Se o CDI for 15, eu não sei se eu vou corrigir o preço dos ingressos em 15, ou se eu vou corrigir em cinco. Mas aí é como qualquer dívida bancária. Nós temos um contrato para administrar durante 19 anos. Se tiver um descasamento desse, nós vamos ter que chamar a Caixa de novo e fazer uma renegociação eventualmente. Qualquer financiamento longo com taxa de juros, acontece com financiamento de casa própria que você fizer, ou financiamento de carro, se ele tiver uma taxa variável, aqui no Brasil, infelizmente a gente não tem como fazer essa previsão tão exata assim. Nós partimos de premissas macroeconômicas. A KPMG está aqui e pode explicar melhor isso, pra gente.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu fui consultar o relatório Focus, do Bacen. Então, a gente pega a projeção consenso bancária até 2025, que é o que tem disponível hoje para consultar, a gente está falando lá em 2025, por exemplo, em um CDI mais 2% na casa de 9 a 10 e de um IGPM na casa de 5, né? O que eu acho que está acontecendo é que a gente está subestimando esse descasamento de taxa.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Não, a gente usou as projeções de IGPM também baseado nas casas que fazem projeções macroeconômicas, o que está aqui não é uma projeção favorável de IGPM nem ao ativo e uma projeção favorável para o passivo. A gente usou projeções, quando montamos o modelo financeiro, em janeiro, das casas que projetam, além do Focus, Itaú BBA, Bradesco, Santander, que projetam premissas macroeconômicas. Nós fizemos esse trabalho com todo o cuidado. E também projetamos receitas da arena de forma conservadora. O que eu quero dizer com isso? Como a gente faz no orçamento do clube que a gente projeta, vamos chegar só às oitavas de final, por exemplo, da Copa do Brasil, da Libertadores, vamos chegar em uma posição intermediária do Brasileiro. Essas são as projeções de premissas de geração de receita. Porque eu posso falar: Vou chegar em finais todo ano e aumentar a projeção de receita de bilheteria, mas nós também não fizemos isso. Então, todas essas premissas de projeção de receita, projeção de taxa de juros, projeção de inflação, elas foram todas do ponto de vista de receita, que somos nós mesmos projetando conservadoramente, como a gente já faz os orçamentos e nas projeções macroeconômicas, usando as casas que fornecem esses dados.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ok, entendi. Só queria deixar um ponto aqui para reflexão e a gente pode depois sentar e bater essas contas.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Claro.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas a questão aqui é quando a gente olha a estrutura da dívida em 2019, o fluxo de pagamentos era da ordem de R$ 6 milhões de por mês. A gente gastava por ano mais ou menos R$ 70 milhões. Lógico, de 19 pra cá, tem inflação. Ou seja, R$ 65 milhões de hoje é menos do que R$ 65 milhões de que 2019, mas a gente vai continuar pagando 6,5 a 7 milhões de parcela quando a gente começar a pagar os juros, a gente vai continuar pagando 6,7 milhões, ou algo muito próximo disso por mês, quando a gente estiver lá pra frente no fluxo, como você projetou aqui, e se as receitas não acompanharem, a gente vai estar daqui a três a quatro anos, aqui discutindo a mesma coisa e buscando uma renegociação com a Caixa de novo. Quer dizer, a gente vai continuar dependendo de um crescimento de receitas, muito mais do que desse acordo que foi feito.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Vamos… Deixa eu tentar separar em duas questões isso. Primeiro, a conta pode ser essa, que nós vamos continuar com uma parcela de 6,5, só que ela não é assim, estruturalmente, hoje. A gente tem um compromisso mínimo anual. Tudo bem, você vai falar mesma coisa: são R$ 70 milhões. Não é, porque o grande dilema que a gente tinha antes é que a gente tinha períodos do ano que não gera receita, novembro e dezembro não tem jogo. Então, criava um buraco de caixa que, obviamente, você atrasava a parcela e tinha encargos sobre encargos e multas e tudo mais, isso foi o que nos levou a não conseguir pagar em 19. Então, se você pegar o compromisso mínimo anual, igual, mas a forma de pagar, ela é muito mais adequada ao nosso negócio. É um negócio que tem sazonalidades e volatilidades, a gente adequou isso para um pagamento anual, com fluxos trimestrais para que a gente evite de acumular encargos sobre parcelas não pagas.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A gente paga mais juros, mas paga menos multa
SR. ROBERTO GAVIOLI: A gente paga mais juros… Paga juros no começo e principal mais à frente, por causa da geração de fluxo de caixa. A gente projetou isso. E o outro lado, a gente sempre vai depender de receita para pagar o financiamento.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sem dúvida.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Não tem outra alternativa. É a nossa eficiência e competência em gerar mais receitas e controlar a despesa é que vai gerar o caixa para isso. E é importante dizer também que esse compromisso anual, ele tem um componente que a Caixa chama de período de cura de 90 dias, então se ao final de um ano eu não conseguir, por algum motivo, gerar o caixa necessário, eu vou ter 90 dias para sentar com eles, sem inadimplência. Além disso, nós temos até 2025 para criar uma conta reserva que é o equivalente a uma parcela mínima anual. Até lá eu também não fico inadimplente, porque eu tenho tempo para gerar essa conta reserva que garante, de uma certa forma, a nossa volatilidade ou sazonalidade.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Está entendendo a premissa. De fato, a minha discordância é com relação à diferença de taxa mesmo. Obrigado, senhor.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Só um detalhe. Você comparou com o anterior, que a gente não conseguiu. Só para resumir rapidinho, independente de juros, porque já existia na dívida, era R$ 1,5 bilhão, hoje virou 611. A gente não tinha naming rights dentro do que você está falando de pagamento. Você fala, eu assisti, agora me fala…
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É o seguinte, acho que misturar as debêntures fica mais complexo do que entender o que está sendo [ininteligível] aqui. Porque as debêntures, elas fazem parte daquele processo de recuperação judicial da Odebrecht. Não fazem parte do processo de recuperação judicial da Odebrecht?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone].
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então, ok, mas assim, se não tivesse a recuperação judicial da Odebrecht, as debêntures seriam cobradas, elas estão…
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone].
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu estou concordando, estou dizendo as debêntures estão fora da conta, a gente devia comparar aqueles R$ 400 milhões originais tomados da Caixa lá em 2014, ou 2013, né?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Em 13.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A TJLP mais 3,6, esse é o valor que está em discussão aqui. As debêntures elas entraram, foram zeradas no meio do fluxo, e elas estão sendo apresentadas aqui como alguma coisa que foi negociada com a Caixa. E não foi, foi negociado com a Odebrecht.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Mas não é isso que estou te falando, você falou da preocupação da gente estar aqui três anos de novo, de não estar conseguindo pagar. O que eu te coloquei é que hoje existe o naming rights que se equipara a dois terços da dívida, e a gente não tinha isso antes. O que a gente tinha que depositar era o valor integral. E hoje a gente deve, em receita, ter um terço do valor que a gente tinha lá atrás, é só isso que estou te colocando.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tá bom.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Por isso a segurança de que hoje a Caixa que a arena gera a gente consegue pagar a conta.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Torcendo para de fato isso acontecer. Obrigado, gente.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Obrigado.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Mais alguém? Por favor.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [00:47:04]: Boa noite a todos e a todas, Sr. Presidente. A minha dúvida, ela está atrelada justamente às debêntures. A Odebrecht, ela faz parte dessa relação negocial? Vai assinar esse acordo?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Sim.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sim. Pois bem, então aí vem a minha pergunta, existe algum risco desse acordo, no futuro, cair por terra, caso os credores não aprovem esse plano de recuperação judicial?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Eu explico, o Andrés depois complementa, eu vou explicar como isso foi costurado. O pessoal do Machado Meyer está aqui, se precisar de detalhes jurídicos, a gente fala. Vamos lembrar que tem uma parte do financiamento da Caixa que tem uma garantia da Odebrecht. O principal credor na recuperação judicial de uma das empresas da Odebrecht, a OPI, é a Caixa. Então, uma das grandes dificuldades ao longo desse tempo foi uma posição nossa, tomada pelo presidente Andrés no curso do mandato dele e depois pelo presidente Duílio, de que a gente só faria esse acordo com a Caixa eliminando a participação da Odebrecht como um todo. Isso implica em tirar a garantia da Odebrecht da estrutura, tirar a Odebrecht da estrutura e resolver o problema das debêntures. Para isso, a Caixa vai votar favoravelmente no processo de recuperação judicial. É assim que está costurado o acordo. Tem um documento assinado pelas três partes, Caixa, Odebrecht e Corinthians, que determina cada um dos passos que vão ser tomados para chegar nesse momento. Inclusive, a apresentação do plano de recuperação com essa movimentação que eu comentei das debêntures indo para o fundo do Corinthians por valor simbólico, baseado em laudos de avaliação, tudo com a documentação requerida para esse tipo de situação. Então, a gente tem alguns passos, como mencionei antes, jurídicos, processuais para cumprir. Mas a partir do momento que isso for aprovado, eu não sou advogado, eu não posso comentar isso com detalhes, mas não vejo como isso retornar. Não sei você se essa é a que comentar alguma coisa, Andrés, adicionar.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A gente está contando, então, com a aprovação. A minha pergunta: E se for reprovada? Qual a implicação que nós teremos com relação a isso?
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Dr. Leandro, quando foi feito esse acordo, automaticamente, como a Caixa é a maior credora da Odebrecht, acho que 62%, 61%, já está no acordo que foi assinado. Como é que chama? Um acordo global. Que tudo isso vem casando. Então, a chance de dar zero é zero. Isso já está tudo fechado. Até no Tribunal de Justiça já está tudo falado, por isso que o juiz deu acordo até agora, até dia… em julho, agora, que tem que eliminar tudo. Então, não tem perigo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então, está bom.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Se tiver alguma coisa, [ininteligível] tem que aprovar na primeira para poder…
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A minha dúvida era justamente essa, se houvesse a reprovação, se teria alguma implicação nesse acordo que está sendo entabulado.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: A vantagem de não ter essa reprovação é que a Caixa é a maior credora. Então, a Caixa é que decide se aprova ou não aprova.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ok, então, concordo.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Então, demorou esses dois, três anos, fora alguns aí que entraram na Justiça pra fazer onda, que eu falei: Não adianta aprovar com a Caixa, se eu continuo com as debêntures. Então tem que fazer uma comissão tudo junto e a Caixa dar a garantia que vai aprovar a recuperação judicial.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ok.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [00:51:15]: Boa noite a todos, cumprimento os membros do conselho na figura do presidente Alexandre Husni. Cumprimento os diretores aqui presentes na figura do presidente da diretoria, Duílio Monteiro Alves, e os membros do Cori, cumprimento na figura do Antônio Rachid. Tem uma dúvida, houve… trago aqui uma Ata de uma reunião do Conselho Deliberativo de 12 de agosto de 2019, onde, em virtude de diversas indagações feitas aqui, inclusive, pelo Dr. Herói Vicente, que hoje é nosso diretor jurídico. O presidente Andrés Sanchez à época disse o seguinte, vou abrir aspas, Sr. Presidente: “Quando acertar o contrato que nós vamos assinar agora essa semana, tem uma segunda negociação, que é com a Caixa, que aí entra tudo que o Herói falou e que o Romeu falou: nós não vamos pagar o que a Caixa está cobrando, nós temos que pagar só o principal. Como nós já pagamos R$ 160 milhões, só temos que pagar mais R$ 240 milhões. A briga vai ser essa. Não aceito. Não aceita? O fundo vai para RJ e acabou.” Então, presidente Andrés, eu fiquei com uma dúvida, se a dívida era R$ 240 milhões, em 2019, por que é um bom negócio o clube assumir essa obrigação de R$ 611 milhões em 2022, se a dívida era R$ 240 milhões.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Eu não vou lembrar o valor, porque tem correção. Quando fala aqui hoje R$ 211 milhões que está devendo, se você falar: Não… A crua, mas não é 211, tem juros, tem tudo. Se os juros subirem mais, vai ser mais, se os juros baixarem, não vai ser R$ 1,5 bi que ele falou, vai ser R$ 1,2 bi. E, na época, nós pagamos R$ 400 milhões. Nós tínhamos pago cento e sessenta e poucos. Na conta crua, dava 240, mais correção, aí chega nesses valores. É isso, não tem segredo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas, presidente, dá 255% de diferença, não tem correção que dê esse valor.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Eu não tinha número exato na época. Eu falava número no cru. Primeiro que eu não sou economista, não sei mais. Aí no cru, falar agora, vem correções e teve tudo. Nós pagamos R$ 400 milhões à Caixa em 2013, até 2019 nós tínhamos pago cento e sessenta e poucos, no restante, mais correção e mais juros, é isso.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então, aqui a alegação de que: vou pagar 240 milhões é nada, então… foi uma…
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Eu queria não pagar nada, eu queria pagar zero. Se alguns daqui evitassem denúncia no Ministério Público, denúncia na Polícia Federal, que eu ia ser preso, talvez nós tínhamos resolvido isso antes. Então… Agora, eu não tenho o número cru, é correção e juros. É a mesma coisa eu falar para você: Vai pagar 211 hoje, que deve. Tá bom, com os juros e correção monetária, esse R$ 1,5 bi. Se os juros caírem, o CDI cair, vai dar menos de R$ 1,5 bi. E infelizmente tem que pagar correção e juros.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu lamento, presidente, porque infelizmente dizer o número cru causou aqui um aumento de 255%.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Causou não. Então você tem que… Você começa a corrigir de 2013 para frente, e é quando você devia. Eu falei 240, desculpa. Mas você tem que pegar 2013, novembro de 2013, quando foi essa reunião, deve ter sido julho, agosto de 2019.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dois de agosto.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Você vê a correção que teve, os juros que tiveram. Nós pagamos 164, é o que sobra.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Perfeito, presidente. É que nenhum cálculo vai dar 255%.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Você calcula depois de 2013 para frente.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Perfeito, presidente. Lamento, o Corinthians, infelizmente, perdeu com isso.
SR. ANDRÉS NAVARRO SANCHEZ: Eu lamento também, como eu lamento.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [00:55:08]: Como é seu nome?
SR. PAULO: Paulo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Acho que o Paulo, com todo respeito, a confusão que ele está fazendo é que os números a que o Andrés se referiu são valores nominais, também conhecidos como valores históricos. Em 2019, esse número não eram aqueles. Então, essa conta de que 240, eles já tinham super sido corrigidos. É isso, não pode pegar e falar assim: Poxa vida, então pegou 240 e agora virou 500, 400 e tal. São valores nominais que em 2019 já eram maiores.
[falas sobrepostas]
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Por favor, mais alguém gostaria de fazer uso da palavra?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dá 255 sobre os 400, ou os 240 ou os 160, que não eram mais aqueles. E você não pode comparar aquilo com esses valores aqui agora.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Alguém mais gostaria de fazer uso da palavra? Por favor.
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Boa noite a todos, boa noite presidente Duílio. Boa noite, Husni.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: O seu nome para deixar…
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Meu nome é Armando Mendonça. Eu queria só tirar uma dúvida, presidente. Aprovado o acordo, melhor um mau acordo do que uma boa demanda. Só para eu entender o trâmite, já deu tudo certo com a Odebrecht e com a Caixa. Não vai ficar aquela ladainha, aquela história que precisamos da aprovação dos credores da Odebrecht para a assinatura do acordo? Aprovou, a gente assina, alguns meses depois, reunião da Odebrecht com os seus credores, que sempre foi a Caixa, desde 2019, como o presidente Andrés colocou, sempre foi a maior credora, mas desde 2019 a Odebrecht não assinou o acordo com o Corinthians, e com a Caixa. Então, o trâmite é esse, está tudo certo já, está tudo negociado, como foi colocado aqui. Assinou, o conselho aprovou. O Corinthians assinou, a Caixa assinou, a Odebrecht vai já aprovar com os seus credores o nosso acordo e nossa dívida, R$ 611 milhões. Vamos pagar como tiver que pagar. Se não der para pagar, depois a gente conversa, não estou discutindo essa questão. Só para entender, para daqui dois anos eu não falar para você: Mas e o acordo, não assinou ainda? Que é aquela mesma história de sempre.
SR. ROBERTO GAVIOLI: A gente está aqui…
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Nós vamos aprovar hoje. Tem algum prazo para concluir isso?
SR. ROBERTO GAVIOLI: Vou te falar.
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Obrigado.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Primeiro, Armando, a gente está aqui querendo o melhor para o clube, trabalhando incansavelmente, assim como o ex-presidente Andrés trabalhou nesses anos nessa situação do acordo da Caixa. E tudo o que a gente faz aqui é para ter o melhor para o Corinthians e o mais rápido possível. Muitas vezes não é a nossa vontade que prevalece porque você tem outras partes. Nesse caso, uma recuperação judicial de uma empresa do tamanho da Odebrecht.
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: É por isso que estou perguntando.
SR. ROBERTO GAVIOLI: E por isso que vem alguns anos que a gente vem falando: Está tudo certo, precisa disso. Está tudo certo, mas os números estão aí. Então, o acordo, na minha opinião, é excelente. A gente partia de um estádio que todos falavam que é impagável, tínhamos R$ 1,5 bi de dívida. E, hoje, junto com naming rights, se a gente quiser, independente de discutir juros, para a gente falar uma coisa bem simples, se a gente hoje tiver R$ 211 milhões, o estádio está quitado e é 100% nosso, com o naming rights juntos, que já é um contrato vigente.
E tudo acertado, existem protocolos de entendimento, termos de entendimento das três partes com tudo isso que está sendo colocado aqui. Nada firme, porque nós também tínhamos que passar por aqui, então, a gente fez um pré-acordo, vamos dizer assim. A Machado Meyer que fez, como fez com o Ivan do primeiro. Bom, vocês se conhecem, então, você também é um advogado, um excelente. Eles, acho, vão poder responder melhor que eu isso. Agora está tudo pronto, tudo acertado, tudo no papel, tudo assinado, dependendo de algumas coisas, a nossa aprovação e o fim, e o acordo, né, na recuperação judicial do caso da Odebrecht. Que foi conversado também, tudo isso foi dito no mesmo acordo e a Caixa vai aprovar, que é o maior credor, e era o único que não estava aprovando. Agora, se daqui… Nós estamos prontos e está no papel, o que vocês estão vendo aqui, nós, a Caixa e eles. Agora, se daqui uma semana ele vai lá e não aprova, nós vamos voltar a negociar. Não depende do Corinthians. Mas tudo isso demorou até agora para que a gente pudesse, hoje, chegar aqui mostrar para vocês que é viável pagar, mas nós dependemos disso que está acertado e está no papel. Agora, vou te falar, é 100% de certeza que vai dar certo o negócio deles? Não, pelo que está tudo acordado entre eles também, sim, mas…
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Estou perguntando para você porque o presidente Andrés falou que é 100% de certeza que agora sai. Por isso.
SR. ROBERTO GAVIOLI: Está no papel, Armando. Aí só…
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Porque eu entendi todo o trâmite negocial, contratual, a minha única dúvida é: os credores, reunião de credores da recuperação judicial da Odebrecht, aprovam já, já foi passado para eles e eles deram ok, vamos aprovar? Essa é a minha dúvida, porque aí está tudo certo.
SR. ROBERTO GAVIOLI: É melhor, é porque ele participou diretamente. E aí a linguagem de vocês fica melhor.
SR. PAULO MARKOSSIAN NUNES: Boa noite.
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Tudo bem?
SR. PAULO MARKOSSIAN NUNES: Meu nome é Paulo, sou sócio do Machado Meyer. O plano já foi apresentado nos autos, com essas condições. A assembleia inicialmente estava marcada para o dia 30 de junho, porém, provavelmente ela vai ser adiada para mais umas duas ou três semanas para finalizar toda a papelada para que ela possa ser assinada de antemão à assembleia, condicionada à aprovação da assembleia. Então, uma vez que sair a aprovação na assembleia, já vai estar tudo assinado e aí vai ter um período em que o juiz vai ter que homologar essa decisão na RJ para quando essa homologação sair e outras condições serem cumpridas, que se estima entre 60 e 90 dias, tudo o que está sendo falado aqui passe a valer.
SR. ARMANDO JOSÉ TERRERI MENDONÇA: Obrigado. Obrigado, presidente.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Mais alguém, por favor? Por favor.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [01:02:12]: Boa noite, presidente, diretoria, Dr. Husni, conselheiros. Eu só tenho uma dúvida, que tudo foi perguntado, já foi esclarecido bastante coisa para mim. Por que o Parque São Jorge continua como garantia dessa dívida se hoje a casa própria é o estádio. E eu sempre entendi que quem financiou foi o estádio, ele sempre foi responsabilizado, não mais o Parque São Jorge. Eu já falei isso em uma outra reunião e insisto nisso. Então, o estádio, hoje, vale muito mais do que nós devemos. Acredito eu, então, acho que o clube teria que ficar isento dessa dívida, no que diz respeito a essas duas matrículas, ou financiado ou hipoteca, não interessa. Eu acho que esse risco mínimo, né, que nós estamos dizendo: poderá, poderá… já aconteceu. Nós estamos aqui discutindo coisa de seis anos atrás, que ia sumir dinheiro, ia ter dinheiro todo ano, em seis anos pagaríamos. Nada disso aconteceu. Então, eu não vou vir aqui dar de novo meu verídico concordando, sendo que eu concordei nos outros, e não foi nada do que foi dito, muito pelo contrário. Nós tínhamos as CIDs, podíamos ter pago a Caixa com as CIDs. Era pau a pau. Íamos brigar com a Odebrecht só. Não, isso não. Pagamos 300 para a Odebrecht, devemos em 600. Esse R$ 1,5 bilhão inventando ele agora. Já devia muito mais, o que é isso? Estão criando R$ 1,5 bilhão para dizer que está beneficiando 611? Não concordo. Está errado.
Não estou contra… Nosso financeiro toda hora fica uma novela, é uma coisa, é um valor, a gente está toda hora falando além. Então, eu confesso a vocês que eu tenho muito medo do que eu estou escutando. São 20 anos. Nós vamos pagar R$ 1,5 bi, que nem falou o Rubão. O valor é alto, muito alto, são R$ 70 milhões por ano, não é brincadeira. Então, presidente, eu gostaria que o senhor tentasse junto a eles isentar o Parque São Jorge. A Caixa que tem a responsabilidade… O próprio estádio que poderá… O próprio imóvel garante. E o que eu acho. Ele vale muito mais que R$ 1 bilhão, não é isso? E nós ficamos isentos desse problema, desse ônus. É o que eu penso e gostaria que acontecesse, sabe? Ficaria lá, como está dizendo que está tudo agora em um pacote, vai fazer o acordo, tomara a Deus que dê certo com a Odebrecht, a gente reza para isso, né? E para com as achar cotas com a gente, né? E vamos ter nossa casa. É ótimo, vamos pagar, mas são vinte e poucos anos. Nós vamos no mercado com um mundo, que estamos em guerra, sei lá, Europa, a gente não sabe o que vai acontecer. São 20 anos. Aí fica agora seis meses sem pagar, garantia, o outro presidente vem e pega outro problema. Nós temos que pagar com isso, sabe? Quanto mais postergar, pior fica, é o que eu penso. Boa noite.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Obrigado. Mais alguém, por favor?
SR. CARLOS JOSÉ ZAPAROLI: Boa noite a todos e todas, conselheiros. Boa noite à mesa.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Nome, por favor.
SR. CARLOS JOSÉ ZAPAROLI: Presidente Duílio, eu sou o Carlos Zaparoli, conselheiro. Boa noite ao presidente da mesa e aos demais. Bom, nós temos aí um valor de R$ 611 milhões, né? Estamos jogando… jogando não, estamos colocando, repassando para a Hypera o valor de R$ 400 milhões, que é o que hoje, corrigido hoje, já não é mais 400, porque a gente já está seis meses à frente de janeiro, então já é mais de 400. E sobrar 211 para o Corinthians. Então, a pergunta é a seguinte: se chegar em 2025, a gente nunca sabe o que vai acontecer, mas se chegar em 2025, chegar um louco aqui e falar: Eu quero pagar os 211 milhões. Então, você vai ficar realmente à parte. É isso mesmo? Só vai ficar a parte que seria da BMG, é isso? É isso? Da Neo Química, desculpa, Neo Química. E há alguma possibilidade de a gente pegar esse fundo colocar na bolsa e captar esses R$ 211 milhões para poder pagar essa parte?
SR. ROBERTO GAVIOLI: O raciocínio, ele está correto. Obviamente que se chegar lá em 2025, a gente encontrar um investidor, nós vamos fazer as contas, quanto é esse 211 e quanto vai ser uma negociação, enfim. A gente, nos contratos, tem a possibilidade de antecipar o pagamento da dívida a qualquer momento, e obviamente, negociar essa antecipação. Essa estrutura que eu mostrei, vou até colocar ela aqui para os senhores. Essa estrutura que ficará, ela tem dois instrumentos financeiros de captação que o mercado aceita, reconhece e conhece. Um fundo de investimento em participações, que é aquele FIP que está ali no segundo bloco. E o fundo de investimento imobiliário que detém a arena, que já existia antes. São instrumentos de captação. Você pode abrir as cotas para o torcedor comprar cotas, por exemplo. Você pode encontrar um investidor para ser sócio da arena com um percentual qualquer. E tudo isso é possível, é factível, a gente tem um negócio que fatura mais de R$ 100 milhões por ano, é um negócio gerador de caixa. Então, ele tem potencial para ter captação.
O primeiro passo é a gente fazer o que a gente está olhando agora, é estruturar a dívida, reestruturar e tirar a Odebrecht da estrutura. A partir daí, tem várias possibilidades de captação. Nós já conversamos sobre isso internamente, mas temos que dar um passo de cada vez. Mas sim, é possível fazer isso.
SR. CARLOS JOSÉ ZAPAROLI: Ok, obrigado.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Obrigado, Zaparoli. Pois não.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [01:09:06]: Boa noite, senhores. Boa noite, presidente. Bom, eu lembro da última gestão, onde a gente tinha na reunião do conselho uma discussão que foi bem pesada, árdua, falando se valia a pena nós entrarmos em uma rota de colisão com a Odebrecht, com a Caixa, entrar com uma ação judicial, ou seja, preferir o lado da briga. E, naquele momento, muitos acharam que esse era o melhor caminho. E eu lembro que com a insistência do Andrés, sempre foi dito que seria feito um acordo, que o acordo era o melhor caminho, afinal, foi assim que a gente também conseguiu o estádio, foi com acordo, não foi com briga. E hoje eu vejo aí um caminho onde os números que são apresentados, eu não vi, em nenhum momento, assim, a presente ênfase em uma bela fatia dessa dívida, que já está praticamente quitada, que é do naming rights. Que também foi fechado por R$ 300 milhões. E assim como os juros servem para nossa dívida, também servem para nossa receita, né? Então, os R$ 300 milhões viraram R$ 400 milhões, graças a um contrato bem-feito, um acordo bem-feito, que hoje a gente tem aí condições de cobrar isso do nosso credor, certo?
Resumindo, nós temos aí um estádio, nós tínhamos uma operação para gerar receita, ainda amadora, né? Nós estamos aprendendo como gerenciar essa nave, né? Esse estádio que é gigante. Tem uma possibilidade gigantesca de trazer novas receitas. Se você comparar o que nós temos hoje e o que nós tínhamos cinco anos atrás, em capacidade de receita, hoje já aumentou muito e temos certeza, com tudo que está acontecendo, que essa capacidade vai aumentar ainda mais, dando fôlego para conseguir bater rapidamente esses R$ 211 milhões.
Então, eu queria vir aqui agradecer. Eu lembro que quando você ficou sabendo disso, em um café, você comentou comigo pelo trabalho do Andrés que foi incansável. Que eu queria aqui agradecer o trabalho que vocês fizeram. É digno, está passando por todas as instâncias do clube da maneira mais correta, mais honesta possível. E eu vejo muitas pessoas colocando, é claro, as dúvidas em um caráter de crítica, mas eu vejo poucas pessoas, também, colocando os elogios, aquilo que tem acontecido. Eu sei que o trabalho tem sido incansável. Eu venho aqui dar os parabéns para vocês.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado. Bom, o que me parece, o tema foi bastante discutido. E como não… Por favor, então, vai ser a última pessoa a ser ouvida. Que foi bastante debatido. Nós estamos há mais ou menos 1h15 debatendo. E eu acho que foi bastante debatido. Depois vou colocar em votação, por favor.
SR. ALDO JOSÉ RANGEL: Sr. Presidente, representantes da Mesa, nobres conselheiros, meu nome é Aldo. É uma grande honra, primeiro ano, agora segundo ano, estar participando do conselho. Tenho feito muitos amigos aqui. Alguns contrários, mas eu acredito que nessa finalidade é única, é o Corinthians acima de tudo. Quero parabenizar o nosso presidente. Uma pessoa que, desde a campanha, se comportou de uma forma maravilhosa. Eu tenho um pai na vida pública, oito mandatos. E o comportamento do nosso presidente aqui eu acredito que dos conselheiros que têm dado aula aqui dia após dia. Eu estou aprendendo muito. Gente, eu saí da minha casa, meu pai falou: “Que bom, não tínhamos estádio, agora temos estádio.” Cansava de ouvir isso. É graças ao trabalho que o [ininteligível] desenvolveu, eu moleque, e vejo o estádio, na qual chamávamos de Itaquera, Arena Corinthians. Está aí a Arena Corinthians. Valorizou uma área gigantesca. Itaquera. E hoje eu vou sair daqui, vou chegar em casa e falar para o meu pai: “Que bom, pai. Nosso presidente, junto com o departamento jurídico”, e eu, como advogado, não vou questionar o trabalho do nosso departamento jurídico aqui, eles são grandes para saber o que está sendo feito. E se você tem uma casa financiada, você tem que pagar. Então, presidente, eu desejo boa sorte, que Deus te ilumine e te conduza para que consiga finalizar teu mandato e deixar um trabalho maravilhoso para o próximo presidente que vier chegar. Eu estou falando agora como torcedor. Nós torcedores corinthianos torcemos para que o Corinthians vença. Nós precisamos chegar nas finais agora, nós precisamos participar de tudo, porque a conta é alta, sim, especialmente se vier aquém de deixar claro isso. Mas tenho certeza, fé em Deus, e com a competência do nosso presidente e dessa Mesa, que eu não preciso falar nada, e de vocês conselheiros, que a gente vai conseguir colocar o Corinthians no caminho certo e pagar o nosso estádio. Podem falar o que for, mas a arena do Corinthians é nossa, a arena do Corinthians é nossa. Um abraço. Deus abençoe todos vocês e conduza vocês a um caminho sem a vitória aí. Vai Corinthians. E boa sorte, presidente. Estamos juntos.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado.
[aplausos]
SR. IVANEY CAYRES DE SOUZA: Boa noite a todos. Ao cumprimentar o Duílio, nosso presidente, eu cumprimento todos os membros do conselho, e cumprimento a Mesa. Eu acho o seguinte, está todo mundo preocupado se foi 2 milhões, se foi 1 milhão, se foi 3. Nós temos muitos advogados aqui que sabem o que é uma recuperação judicial, os efeitos de uma recuperação judicial. Se não se faz esse acordo, se não se faz um aditamento onde se aprova um novo plano, nós íamos ficar sem nada, nós íamos perder o que nós pagamos, nós íamos perder o estádio e ainda íamos sofrer as consequências de sermos executados, de sermos cobrados, quer dizer, o assunto ia ficar muito pior.
Está todo mundo preocupado partido que fulano é, que partido que o outro é. Nós temos que pensar que nós todos somos do Corinthians, somos corinthianos. Não se pode brigar com o que não se pode pagar. Acho que o trabalho de um ano, e os advogados aqui da Machado Meyer podem ratificar o que estão falando, se não faz esse acordo, a Caixa não ia deixar pra lá. Até porque ela é um órgão público e ela tem que cobrar. Ela não pode chegar e falar: Fica de presente. Nós não tínhamos e nem sabíamos que a Odebrecht ia suportar uma recuperação judicial. A recuperação judicial não pode ser tratada de qualquer jeito. A recuperação judicial, ela tem efeitos colaterais e os diretos. Se o Corinthians não faz esse acordo, nós íamos perder tudo.
Agora, ninguém aqui na presidência do clube, na diretoria de um clube vai adivinhar o que vai acontecer lá na frente ou que aconteceu lá atrás. Ninguém tem bola de cristal. Houve um problema? Eu parabenizo a diretoria e o Sr. Presidente porque todos enfrentaram de frente, ninguém fugiu. Todos aqueles que participaram, que são responsáveis tentaram achar uma saída. Eu li com detalhes e entendo que a saída foi gloriosa, porque o Corinthians é um clube com muita capacidade de gerar caixa. O Corinthians paga qualquer dívida porque ele é muito grande. Agora, aqui nós não podemos ficar discutindo se vai custar R$ 1 bilhão, se vai custar R$ 500 mil. Tudo isso foi planejado pela KPMG, pelo corpo jurídico do Machado Meyer, e todos são pessoas respeitáveis no seu campo de atuação.
E o presidente delegou que eles fizessem um planejamento, que eles discutissem com a Caixa. E agora nós temos que preparar um plano que vai fazer parte do aditamento do plano original da recuperação judicial da Odebrecht. Então é esse plano que nós temos que trabalhar e aprovar. Nós íamos… nós já tínhamos o Parque São Jorge como uma fiança da operação que foi feita lá atrás pela arena Itaquera. Então, não adianta agora falar: Olha já está… vai penhorar, não vai penhorar; vai bloquear, vamos perder, não, porque isso já está feito. Nós, como corinthianos, temos que buscar solução. Se alguém daqui tiver uma ideia, alguma outra situação para agregar no plano que está sendo discutido, que participe, que vá falar com o corpo jurídico, com o nosso presidente.
Todos somos corinthianos, temos que buscar pelo mesmo ideal. Então, não podemos ficar discutindo o porquê das coisas. Nós temos que achar a melhor solução para esse momento que nós estamos vivendo. Eu entendo que o momento que as decisões e o plano que foi discutido está para ser aprovado pelo juiz, para aí sim ser assinado, é a melhor saída. É a melhor saída, né? Nós vamos brigar com a Caixa? Contrato perfeito que foi feito na transação? Nós vamos perder. Não existe briga, briga contratual que aquele que se resiste a pagar não vai pagar caro.
Então, eu li o plano, conheço um pouco de recuperação judicial. Nós íamos sofrer muito se não tivéssemos feitos um acordo, se não levássemos para o juiz aprovar. Todos deveriam entender o que é uma recuperação judicial. A Odebrecht, o juiz poderia ter decretado a quebra dela. E junto com ela eles levariam o Corinthians, porque eles são majoritários. Então, um plano bem-feito, aprovado pelos nossos colegas levado ao administrador judicial e levado ao juiz da recuperação judicial, ele vai aceitar e vai colocar em votação em uma assembleia que será marcada. Nessa assembleia, nós temos muita chance, porque a Odebrecht, ela tem a maioria dos votos porque ela é a maior credora. Então, vamos todos aqui torcer para que tudo dê certo e que a gente recupere essa tensão, essa falta de criatividade de algumas pessoas que questionam por questionar. Não podemos mais agir dessa forma. Somos todos adultos, corinthianos. Querem colaborar? Procure a presidência, o corpo jurídico, e colaborem, deem a sugestão, tudo é bem-vindo em prol do Corinthians. Esses questionamentos… Tá bom, não, você tenha educação, tá? Se você não tem educação, você não participa da assembleia. Eu só queria essa explicação, porque tem que acontecer o que é melhor para o Corinthians, não o que é melhor para mim, para qualquer outro conselheiro, para qualquer outro sócio. E eu falo porque a gente tem um pouquinho também de conhecimento. E a gente sabe distinguir o que é certo e o que é errado. E a melhor solução foi a que foi tomada, senhores. Os senhores pensem com a sua consciência e votem. Muito obrigado.
[aplausos]
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Obrigado, Ivaney. Obrigado.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [01:21:29]: Boa noite, presidente, Mesa, conselheiros. Minha pergunta é rápida, para o Dr. Paulo. Gostaria de saber sobre a transição da BRL administradora para a nova que vir. Critérios e se já tem o nome dessa administradora. Porque é o que vai representar a gente ali, né? O senhor pode responder, Dr. Paulo?
SR. PAULO MARKOSSIAN NUNES: Bom, boa noite. A BRL Trust, hoje, ela é administradora de fundo imobiliário, né? Então, ela é uma prestadora de serviço nessa estrutura. Vai haver um plano de transição, né? E um cronograma ideal de transição após a implementação disso aqui. Então, num primeiro momento, vai se cuidar de tudo, de repactuar a dívida, da contratação, de tudo, etc. E depois vai ter um tempo para que o Corinthians e essa estrutura toda busquem um novo prestador de serviço para substituir a BRL. Idealmente a gente não pode se comprometer com algo que a gente não sabe se vai conseguir. Então, o Corinthians vai ter um compromisso de buscar um novo administrador. Isso depende de algum novo administrador querer administrar isso. O custo, o que vai ser posto, etc. Então, o plano é que vai haver um prazo para o Corinthians buscar um novo. Gavioli, não temos ainda um nome porque… O Corinthians está conversando com alguns prestadores de serviço. É uma fase que demanda cadastro, análise de documentação, etc., que, por esses motivos, também, não caberia nesse momento. Então, é a ideia de todos, não só do Corinthians como da Caixa, que isso seja feito. E isso vai ser tentado após a complementação disso aqui.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito bem. Muito obrigado, viu, Paulo? Bom, eu acho que o assunto já foi bastante debatido. E agora vamos passar à votação. Aqueles que estão de acordo com a provável assinatura ou com a assinatura deste acordo permaneçam como estão. Foi aprovado por unanimidade. Muito obrigado.
[aplausos]
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado. Vamos passar à próxima. Nós temos ainda, por favor, o item “várias”.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [01:24:34]: Presidente, eu quero fazer meu encaminhamento de voto para ficar por escrito, se puder tomar a liberdade, porque vou votar favorável com restrição.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Lógico, é um prazer.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Obrigado.
SR. PRESIDENTE ALEXANDRE HUSNI: Muito obrigado a todos. Declaro encerrada a sessão.

