Conselheiros e associados do Corinthians denunciam gestão temerária de Osmar Stabile (com documento)

Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians protocolou requerimento formal ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Junior, pedindo a revisão urgente do orçamento de 2026 e a adoção imediata de medidas de reestruturação financeira, com corte profundo de custos.

O documento aponta um agravamento expressivo do déficit de 2025, que teria saltado de R$ 83 milhões, valor aprovado em revisão orçamentária em outubro, para aproximadamente R$ 272 milhões em dezembro, uma diferença de cerca de R$ 180 milhões em apenas dois meses.

Segundo os signatários, esse cenário caracteriza gestão temerária, nos termos do artigo 25 da Lei do Profut, já que o déficit projetado corresponde a 24% da receita bruta de 2024, estimada em R$ 1,1 bilhão — acima do limite legal de 20%.

Caso os números sejam mantidos, há possibilidade de impeachment do presidente do clube.

Entre os pedidos centrais estão a abertura detalhada do orçamento “linha a linha”, a apresentação de um demonstrativo completo de receitas — incluindo patrocínios, direitos de transmissão, venda de jogadores, bilheteria e Fiel Torcedor — e a revisão das projeções financeiras, especialmente aquelas baseadas numa queda gradual da taxa Selic, considerada excessivamente otimista

O requerimento também estabelece que todas as áreas do clube devem ser superavitárias ou, no mínimo, autossustentáveis, criticando de forma direta o Clube Social, que projeta prejuízo de R$ 117 milhões em 2026, enquanto o futebol e a Arena estimam resultados positivos.

Para os autores, a manutenção de departamentos deficitários é “insustentável” e compromete a sobrevivência financeira da instituição.

Os denunciantes defendem cortes mais agressivos de despesas, reavaliação de contratos, redução de staff — especialmente no futebol — e até o fechamento ou reestruturação radical de modalidades esportivas deficitárias, caso não apresentem plano de recuperação em até seis meses.

Ao final, o grupo pede que o orçamento de 2026 seja reenviado para reanálise, com a inclusão de uma terceira opção de voto no Conselho Deliberativo: “Revisão do Orçamento”, além das opções tradicionais de aprovação ou reprovação.

O documento é assinado por Roque Citadini, Marcelo Kahan Mandel, Yun Ki Lee, Fernando Perino, Wilson Canhedo Junior, Cyrillo Carvalho Neto, José Augusto Carvalho Mendes e Alexandre Germano.


ÍNTEGRA DO OFÍCIO PROTOCOLADO NO CONSELHO DELIBERATIVO DO CORINTHIANS

Ao Ilustríssimo Presidente do Conselho Deliberativo, 2024-2026, do Sport Club Corinthians Paulista, Conselheiro Romeu Tuma Junior.

Assunto: Solicitação de Revisão Urgente do Orçamento de 2026 e Medidas Complementares.

Os conselheiros e associados ao final nominados, qualificados e devidamente firmados vêm, por meio deste requerimento, solicitar a abertura dos números apresentados de forma pormenorizada e a consequente a revisão do Orçamento para o ano de 2026, bem como alguns itens complementares.


Preliminares

  • Impedimento de participar da Votação

Como medida de imparcialidade e isenção a fim de evitar que “quem participou da elaboração deixe de julgar e votar em sua própria obra”, é necessário que os membros do Comitê de Planejamento Estratégico e Reestruturação Financeira – a saber, os colegas conselheiros André Recoder, Carlos Roberto de Mello e Heleno Haddad Maluf – devem ser considerados como “impedidos” de participar da votação pela aprovação do Orçamento do ano de 2026, visto que o referido estudo e proposta contou com a colaboração deles na elaboração.

A participação deles na votação do estudo orçamentário por eles elaborado coloca em risco a lisura e independência do Comitê e suas funções como conselheiros desta nobre instituição.

  • Adequações Solicitadas pelo Conselho Fiscal Não Disponibilizadas ao CD

O Conselho Fiscal, durante a reunião de apresentação do Orçamento de 2026, solicitou aos responsáveis que fossem realizadas adequações e alterações na apresentação para facilitar o entendimento tanto do CORI, quanto do CD.

Os membros do CF solicitaram a indicação de estão sendo informações os valores do ano de 2025 e que haja uma indicação de que são os valores projetados que irão finalizar o ano.

Com o intuito de expor de forma clara que não são os valores da revisão orçamentária de 2025 que foram aprovados APENAS em outubro de 2025.

No mesmo sentido do item acima, o CF solicitou que os responsáveis pela elaboração realizassem a reinclusão de rubricas que foram suprimidas em comparação com a
documentação recebida pelo CF quando da apresentação do Orçamento de 2024.

Desta forma, reiterando o pedido realizado aos responsáveis, o CD deve receber a revisão do Orçamento para, assim, tecer seus comentários e posteriormente sequenciar com os embates sobre o conteúdo.


Fatos e Pedidos

Superada as preliminares, apresentamos os fatos que justificam a urgência e a profundidade das revisões solicitadas:

  • Agravamento do Déficit Orçamentário de 2025 e Enquadramento de Gestão Temerária:

Em outubro de 2025, foi aprovada uma revisão orçamentária que previa um déficit de aproximadamente R$ 83 milhões. Contudo, constatamos com grande preocupação que o déficit aprovado em outubro de 2025 (referente ao orçamento de 2025) encontra-se, na presente data (dezembro de 2025), em aproximadamente R$ 272 milhões. Essa disparidade significativa de aproximadamente R$ 180 milhões entre a projeção revisada (há 2 meses) e a realidade atual acende um alerta gravíssimo sobre a precisão das estimativas e a gestão financeira, impactando diretamente a base para o orçamento de 2026.

Diante dos números apresentados pela atual administração, é essencial pontuar que, na manutenção de tais expectativas, estará enquadrada e caracterizada a prática de gestão temerária nesta administração.

O artigo 25 da Lei do Profut define que será considerada gestão temerária a entidade que obtiver um déficit superior a 20% (vinte por cento) da receita bruta do ano imediatamente anterior.

Em 2024, o SCCP obteve uma receita bruta de R$ 1.1 bilhões e o déficit projetado para o ano de 2025 é de R$ 272 milhões. Isto é, o déficit projetado é equivalente a 24% (vinte e quatro por cento) da receita bruta do ano anterior.

Assim, sendo mantidos os números, resta evidente que a atual gestão será enquadrada como gestão temerária e tal enquadramento, ensejará, consequentemente, o afastamento do presidente.


Pedidos Específicos para o Orçamento de 2026:

No intuito de mitigar os riscos e garantir a sustentabilidade financeira do clube, solicitamos que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao orçamento de 2026:

  • Abertura Orçamentária “Linha a Linha”:

Requer-se apresentação detalhada e “linha a linha” do orçamento de 2026. Esta abertura deve especificar, para cada departamento, os custos operacionais, as receitas geradas e todas as despesas pertinentes.

O objetivo de tal solicitação é permitir uma análise minuciosa para identificar possíveis áreas de otimização, como cortes de pessoal, renegociação de contratos e, eventualmente, o congelamento de categorias ou modalidades esportivas que não apresentem viabilidade financeira ou estratégica.

  • Demonstrativo de Receitas Detalhado:

Solicitamos que a Diretoria Financeira e o Comitê de Planejamento Estratégico e Reestruturação Financeira apresentem um demonstrativo completo de todos os valores e receitas obtidas pelo Corinthians, com foco especial nas fontes de receita relacionadas a:

• Licenciamento de Marca;
• Venda de material esportivo;
• Patrocínios (incluindo valores, prazos e contrapartidas);
• Direitos de transmissão;
• Vendas de jogadores;
• Receita de bilheteria;
• Programas de Fiel-Torcedor; e
• Outras fontes de arrecadação do clube.

Esta medida visa a garantir total transparência sobre a origem e o montante das receitas, permitindo uma gestão mais eficaz dos recursos.

  • Revisão dos Custos Financeiros e Impacto da Taxa Selic:

O orçamento de 2026 está embasado em uma projeção da Taxa Selic de 12% (doze por cento). Contudo, é fundamental reconhecer que a redução do patamar atual da Selic para 12% (doze por cento) não se dará de forma linear ao longo do ano, mas sim como uma construção gradual ao longo dos doze meses.

Diante disso, faz-se necessário um reajuste e detalhamento nas projeções das despesas financeiras do clube, de modo a traçar um paralelo escalonado entre a redução do patamar atual da Taxa Selic e o objetivo imaginado pelo Clube, garantindo assim uma estimativa realista dos encargos financeiros sobre as dívidas do clube.

Assim, recomenda-se que a Taxa Selic utilizada para a elaboração do Orçamento de 2026 seja mantida no atual patamar, até pelo menos, o meio do ano de 2026 e caso tenham ocorrido reduções durante o primeiro semestre, os valores sejam obrigatoriamente revisitados para melhor visualização dos custos financeiros da dívida


Autossustentabilidade Operacional Obrigatória para Todas as Áreas:

Estabelece-se, como princípio de gestão, que todas as áreas e departamentos do Sport Club Corinthians Paulista deverão, obrigatoriamente, ser superavitários ou, no
mínimo, autossustentáveis operacionalmente.

Isso significa que a receita gerada ou o valor estratégico intrínseco de cada área deve, no mínimo, cobrir seus custos e despesas diretas.

A prática de áreas deficitárias que dependem constantemente de subsídios de outras fontes de receita é insustentável a longo prazo e drena recursos preciosos que deveriam ser alocados para o pagamento da dívida ou para o investimento estratégico nas áreas de maior retorno.

O clube não pode mais se dar ao luxo de manter operações que não se pagam.

Exemplificadamente, enquanto o Departamento de Futebol projeta um lucro líquido de R$ 129 milhões e a Neo Química Arena um lucro de R$ 46 milhões para 2026, o Clube Social ainda projeta um prejuízo de R$ 117 milhões. Esta assimetria é inaceitável e demanda correção urgente.


Cortes de Despesas Mais Expressivos em Todas as Áreas:

Determina-se a obrigatoriedade de se implementar cortes de despesas mais significativos e profundos em todas as áreas e departamentos do Sport Club Corinthians Paulista. É mandatória uma administração muito mais austera.

Os cortes projetados para 2026, embora positivos (notadamente a redução de 19% em “Pessoal”), devem ser considerados como ponto de partida para uma reavaliação contínua e agressiva de cada rubrica de custo.

A dívida histórica e as despesas financeiras impõem um desafio sem precedentes, onde cada Real economizado contribui diretamente para a capacidade de investimento no futebol (maior ativo do Clube e com maiores probabilidades de ganhos financeiros relevantes) e na amortização da dívida. A disciplina financeira deve se tornar um valor inegociável em todos os escalões do clube.

Os cortes em todas as áreas devem ser importantes, e não apenas superficiais. E o Clube Social deve ser impactado de forma considerável, visto que a maioria das modalidades do Clube estão ali “alocadas”.

O Corinthians, em seu site oficial, registra que atualmente existem as seguintes modalidades competitivas, associativas e de paradesportos:

Competitivas:

  • Asa Delta

  • Basquete Feminino

  • Basquete Masculino

  • Beach Soccer

  • Bocha

  • Boxe

  • Futebol Americano

  • Futebol Society

  • Futsal

  • Futsal Feminino Tiger

  • Handebol

  • MMA

  • Natação

  • Rally

  • Remo

  • Skate

  • Surf

  • Vôlei

  • Xadrez

Associativas:

1. Arremesso Inicial (Basquete)
2. Basquete Master
3. Beach Tennis
4. Bocha
5. Canindé
6. Chute Inicial
7. CIFAC
8. Corre Corinthians
9. Esportes Aquáticos
10. Futebol de Mesa
11. Futebol Feminino
12. Futsal Feminino
13. Futebol Society
14. Futevôlei
15. Futsal
16. Handebol Feminino Master
17. Hand Inicial
18. Jiu Jitsu
19. Judô
20. Peteca
21. Skate
22. Taekwondo
23. Tamboréu
24. Tênis
25. Toque Inicial (Vôlei)
26. Vôlei Master

Paradesporto

1. Basquete Cadeirante
2. Futebol Amputados
3. Futebol de 7
4. Triathlon Paradesportivo

É essencial que tenhamos os custos pormenorizados de todas as modalidades acima elencadas, pois somente desta forma é possível definir as melhores formas de proposição de cortes para assim chegarmos em um ambiente financeiro saudável para manutenção da existência do Corinthians.

Como sugestão, solicita-se que os valores sejam apresentados de forma clara e direta, como se propõe abaixo:

(i)Modalidade/ Departamento Adm.;
(ii)Custo total; 

(iii)Custo individualizado;
(iv)Receitas (subdivididos em “mkt”, “premiações”, etc.);
(v)Potencial de Receitas;
(vi)Expectativas Esportivas para o ano de 2026; e
(vii)Itens complementares.

Tais informações poderão levar à consideração de fechamento de modalidades esportivas deficitárias, redução de serviços, privatização de parte da gestão, venda de ativos ou até mesmo a uma redefinição completa de seu propósito e do modelo de operação para eliminar o prejuízo.


Fechamento ou Reestruturação Radical de Departamentos Deficitários:

A partir da presente data, qualquer área ou departamento do clube que for identificado como estrutural e persistentemente deficitário, sem um plano claro e executável para atingir a autossustentabilidade operacional e/ou superávit dentro de um prazo máximo de 06 (seis) meses a ser determinado pela Diretoria Financeira, deverá ser submetido a uma reestruturação radical que inclua, se necessário, o seu fechamento imediato ou a sua completa descontinuidade até que as condições de autossustentabilidade possam ser estabelecidas.

A manutenção de estruturas que geram prejuízo contínuo é incompatível com a urgente necessidade de recuperação financeira e de redução da dívida. A racionalização da estrutura organizacional e a alocação eficiente de recursos são cruciais para a sobrevivência e o futuro do Sport Club Corinthians Paulista.

  • Medidas de Implementação:

Para garantir a efetividade destas diretrizes, propõe-se a manutenção do Comitê de Planejamento Estratégico e Reestruturação Financeira, com aumento do escopo de atuação e, com o mandato de:

• Revisar o orçamento detalhado de cada área e departamento;
• Estabelecer metas de corte de despesas e de superávit operacional para cada área;
• Monitorar mensalmente o desempenho financeiro de cada departamento; e
• Propor e implementar planos de reestruturação ou descontinuidade para áreas que não atingirem as metas de autossustentabilidade.


Reajuste e Reavaliação de Contratos e Staff no Futebol:

Propomos um reajuste e uma reavaliação criteriosa nas bases dos contratos do futebol profissional, feminino e de base. Para o ano de 2026, a manutenção de todos os jogadores, atletas e membros do staff deverá ser reavaliada.

Eventuais cortes poderão e deverão ser implementados, principalmente, em cargos de staff, como observadores técnicos, scouts, etc., que não tragam reais e importantes benefícios ao Clube, otimizando assim os recursos humanos e financeiros.

As medidas propostas são de caráter estratégico e emergencial, destinadas a garantir a solidez e a viabilidade do Sport Club Corinthians Paulista a médio e longo prazo.

A atual situação financeira não admite paliativos; exige coragem, disciplina e a adoção de um modelo de gestão que priorize a eficiência e a responsabilidade fiscal em todas as suas vertentes.

Diante de todo o exposto e em estrita observância aos deveres destes e de diligência que pautam a atuação de qualquer gestão e órgão fiscalizador, requer-se formalmente que a Proposta de Orçamento do ano/calendário de 2026 seja reencaminhada para reanálise e profunda revisão, com a expressa determinação de que sejam implementadas medidas concretas e audaciosas para a redução dos custos e despesas.

Assim, requer-se que seja incluída a possibilidade de alternativa de votos aos Nobres Conselheiros que concordarem com a Revisão do Orçamento de 2026, da forma proposta abaixo:

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