Lobista da SAFIEL fala em dinheiro para os Gaviões da Fiel

Em entrevista ao canal Voz da Arquibancada, a conselheira do Corinthians, Miriam Athiê — que também atua como lobista da SAFIEL, empresa da qual um de seus sobrinhos é sócio — defendeu publicamente a remuneração das torcidas organizadas.
Segundo ela, a maior parte desses recursos deveria ser destinada aos Gaviões da Fiel:
“A SAFIEL tem que ter um percentual do seu lucro para as torcidas organizadas.”
“Porque elas têm que se locomover… elas não precisam ficar vivendo de esmola do Corinthians, porque hoje vivem de esmola.”
“É um que dá mais, outro que dá menos… outro que dá, outro que compra… eu não quero saber disso. Nós temos que ter um percentual.”
“Quem é a maior torcida? É os Gaviões da Fiel? Você vai ter 10%.”
“Ah, e você? Você é a Camisa 12? Vai ter 8%.”
“Você é o Estopim? Vai ter 5%.”
“E assim nós vamos.”
A declaração representa uma mudança radical de postura.
Em diversas conversas com o Blog do Paulinho, Athiê sempre rejeitou qualquer possibilidade de transformação do Corinthians em SAF e classificava os Gaviões da Fiel como “bandidos”, reproduzindo a retórica difundida por Paulo Garcia: “Para as organizadas, é muro alto e cachorro bravo.”
O recente afago da facção à conselheira — e o apoio explícito à SAFIEL — ajuda a explicar o giro.
A bajulação foi tamanha que Athiê prosseguiu, sugerindo que mesmo se a SAFIEL não vier a ser aprovada, o clube deveria destinar parte de sua já debilitada receita às torcidas organizadas:
“Mesmo agora… vamos supor que a SAFIEL não fosse aprovada… você não acha que dentro do nosso associamento (sic) não deveria ter um percentual para a torcida?”
“Eu acho. Porque você não precisa ficar fazendo favor.”
“Vou lá, vou botar lá… 0,5%, 1%, 2% da receita corrente líquida do Corinthians vai ter que ir para as torcidas organizadas.”
“Por que a gente não tem coragem de fazer isso?”
