O que fazer com a arbitragem brasileira?

Neste final de semana, a arbitragem brasileira nos ofertou um festival de erros grosseiros que impactaram a tabela de classificação do principal campeonato do país.

Equívocos que se repetem com frequência, evidenciando a má formação dos profissionais.

É incorreto — ao menos até que se prove o contrário — atribuir má-fé a tamanhos descalabros.

Tampouco se pode falar em desconhecimento das regras, dado o rigor dos testes realizados desde o início da carreira, que tornam todos, ao menos teoricamente, aptos ao exercício do ofício.

Qual é o problema, então?

Talvez o foco exagerado na avaliação técnica — em que a maioria se sai muito bem — e a ausência de um exame aprofundado dos perfis psicológicos dos árbitros.

À medida que evoluem na carreira, são submetidos a pressões, dentro e fora de campo, nem sempre absorvíveis por todos.

A tomada de decisão em um estádio lotado, com transmissão ao vivo, para quem não se prepara mentalmente, pode se transformar em uma espiral de desespero que, em alguns casos, turva a visão em lances claros e gera medo de errar — pavor este que, em condições normais de aprendizado, não existiria.

A CBF precisa rever os critérios de escolha e formação de seus profissionais.

Nem todos, mesmo tecnicamente excepcionais, têm condições de atuar sob constantes situações de instabilidade emocional.

Isso vale para qualquer profissão.

Um jornalista, por exemplo, ainda que domine todas as bases da comunicação, dificilmente terá sucesso se não souber lidar com a superexposição de seu trabalho — as pressões da redação, a reação do público, e assim por diante.

Selecionar os melhores árbitros exige mais do que medir conhecimento: é preciso avaliar coragem, maturidade e equilíbrio emocional para aplicar o que sabem nas partidas que conduzem.

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