Corinthians, o rabo preso e a burrice de um presidente menor

Refém de um acordo eleitoral entre os poderes do clube para blindar ex-presidentes infratores, Osmar Stabile — um mandatário menor do Corinthians — convidou Andres Sanchez para reunião destinada a readequar a pendência do clube com a CAIXA, relativa ao financiamento do estádio de Itaquera.

Ele nega, mas não diz a verdade.

Pelo menos é o que três jornalistas apuraram ontem: Pedro Ramiro — o primeiro a publicar —, Tiago Salazar e este que vos escreve.

A tiracolo, Sanchez levou Vicente Cândido, sócio de Marco Polo Del Nero, que, quando ocupava cargo no Governo Federal, tentou viabilizar salvo-conduto ao mafioso Boris Berezovski nos tempos de MSI/Corinthians/Kia Joorabchian.

Além de afrontoso, Osmar parece tropeçar na burrice.

Há algumas semanas, o MP-SP solicitou, diante de graves indícios de possível furto de dinheiro do clube, o afastamento de Andres Sanchez do Conselho Deliberativo e também do CORI alvinegro.

Em vez disso — e apesar das acusações — o cartola foi alçado à condição de negociador do Corinthians.

Ainda que a versão de Stabile fosse verdadeira, a simples afronta de encontrar, na sede da CAIXA, supostos adversários políticos — um deles investigado pelas razões expostas — sem prévia comunicação pelo banco, deveria motivar um presidente com alguma decência, ou vergonha na cara, a cancelar de imediato a reunião.

Não só ocorreu, como, soubemos, em clima de confraternização entre os presentes.

Agora, pressionado pelo vazamento — obviamente oriundo de Sanchez —, Osmar, que deveria, por transparência e também por inteligência, ter informado a todos o ocorrido, resolveu confirmar a presença do ex-presidente sob inverossímil e esfarrapada justificativa.

Suposta indignação que, além de não impedir a realização do encontro, tampouco foi revelada a tempo de conferir credibilidade.

A vítima, novamente, é a imagem do Corinthians.

O caso pode se tornar ainda mais grave porque Stabile estuda utilizar o vazamento como muleta para encerrar conversas com a CAIXA e iniciar o lesivo calote das parcelas do financiamento do estádio — a única dívida do clube em condições de juros absolutamente favoráveis, muito abaixo dos praticados no mercado.

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