Durante o inquérito Vai de Bet, Rozalla Santoro defendia Augusto Melo (com documento)

“Manifestei-me claramente contra o pedido de impeachment (de Augusto Melo), tendo-me baseado nas informações então disponíveis — posição que sustento até a data desta resposta.”
(Rozallah Santoro – 11/09/2024)
No dia 11 de setembro de 2024, meses após a descoberta de que Augusto Melo e sua gangue assaltaram o Corinthians sob suas barbas — ele era o diretor financeiro —, Rozallah Santoro, em depoimento à Comissão de Ética do clube, que tratava do afastamento do presidente, defendeu não apenas a si próprio, mas também o ex-mandatário denunciado.
O Blog do Paulinho teve acesso à íntegra do depoimento.
Trata-se de um contraste evidente com as declarações recentes do cartola, que, hoje, esbraveja nas redes contra a corrupção e afirma ter se afastado da gestão em razão do escândalo “Vai de Bet”.
É mentira, segundo manifestação do próprio:
“Sempre que perguntado se minha saída se deu por conta do caso VdB, sustentei que a decisão foi motivada pelo distanciamento entre o Presidente do clube e eu, potencializado pelos recorrentes casos — ou tentativas — de ingerência, além da falta de autonomia para exercer minhas funções.”
Se Melo ainda estivesse “de bem” com Rozallah, o cartola teria permanecido no cargo — mesmo com o assalto já sob investigação policial.
A proteção ao Presidente denunciado se manteve ao ser questionado sobre o processo de impeachment:
“Manifestei-me claramente contra o pedido de impeachment, tendo-me baseado nas informações então disponíveis — posição que sustento até a data desta resposta.”
Em determinado trecho de sua resposta, Rozallah confessa que, publicamente, em parceria com o departamento de comunicação, minimizou a ingerência de Marcelo Mariano sobre sua pasta.
Ou seja, ajudou a enganar torcedores, sócios e conselheiros do Corinthians:
“Com relação às entrevistas que concedi durante minha atuação como diretor financeiro do SCCP, todas foram negociadas e acompanhadas pela diretoria de comunicação. Uma dessas entrevistas coletivas se deu após a reunião do E. Conselho Deliberativo de aprovação das contas e revisão do orçamento, na qual fui acompanhado pelo Sr. Igor Ribeiro, da Comunicação. Quando fui questionado, na ocasião, sobre a ingerência do diretor Administrativo, busquei minimizar o caso enquanto procurava uma solução interna a respeito.”
Por fim, revela sua conivência ao silenciar e permanecer no cargo mesmo após, não só o escândalo “Vai de Bet” ter ocorrido em seu departamento, mas também nas tratativas de rescisão com a Pixbet — das quais, segundo o próprio, participou apenas no ato de assinatura.
Evidencia-se, assim, a omissão e a “cobertura” silenciosa — motivada pelo desejo de permanecer no poder — de atos ilegais cometidos no Corinthians:
“Não tenho dúvidas de que o acordo de rescisão com a Pixbet deveria ter sido negociado antes — ou concomitantemente — com o contrato da nova patrocinadora. Isso nos daria melhores condições de barganha no pagamento da multa contratual. Infelizmente, não foi isso que aconteceu, e fui chamado a participar somente após a assinatura e divulgação da nova empresa.”
Mesmo após esse episódio, Rozallah — embora transformado em fantoche — não pediu demissão, tal como não o fez durante o período do assalto “Vai de Bet”, conforme comprova o depoimento revelado e o vídeo em que aparece, submisso, ao lado do chefe da quadrilha indiciada.
Trechos citados do depoimento de Rozallah Santoro ao processo de impeachment de Augusto Melo na Comissão de Ética do Corinthians:




