Senna Tower: monumento à cafonice

Da FOLHA

Por MARILIZ PEREIRA JORGE

Prédio de 500 metros em Balneário Camboriú é a prova de que dinheiro não compra bom gosto

O Brasil é um país de extremos, mas poucos tão simbólicos quanto um arranha-céu de 500 metros fincado na orla de Balneário Camboriú (SC), uma das cidades que mais desafiam o bom gosto e o bom senso por metro quadrado. Batizado de Senna Tower, o projeto foi embrulhado como tributo ao ícone que virou grife patriótica e apresentado como revolucionário. É um rótulo grandioso demais para uma construção que grita luxo, mas sussurra relevância.

Não é só uma torre. É um delírio imobiliário: mansões suspensas, coberturas com quase 1.000 m2, garagem na sala dos apartamentos (pelo amor de Deus), seis andares de lazer, elevadores de “ultravelocidade” e um espaço imersivo sobre Ayrton Senna. Como se o barulho de uma McLaren a 300 km/h combinasse com o trânsito caótico da cidade no verão.

O piloto, celebrado também por sua disciplina, sobriedade e até certo senso de comedimento, será lembrado com um monumento ao excesso, à especulação, ao colapso urbano. O que poderia ser uma homenagem é somente ostentação disfarçada de inovação, é vitrine de vaidade empacotada em concreto, vidro espelhado e marketing emocional.

O mais ofensivo não é a opulência —é a falta de noção. Camboriú já sofre com sombra na praia, crise de saneamento, impacto ambiental brutal e um apetite voraz por verticalização que ignora qualquer ideia de planejamento. Enquanto o mundo discute centros urbanos mais acolhedores, integrados à paisagem e pensados para as pessoas, o projeto insiste em uma lógica de quem só enxerga a cidade pela janela de um helicóptero e ignora o pedestre. Não falta dinheiro, falta humanidade. Falta lógica. Falta vergonha. E sobra cafonice.

A festa de lançamento do projeto, como manda o figurino, teve celebridades, influenciadores, brindes caros e muita pose para foto em cenário renderizado. Se o dinheiro não compra bom gosto, consegue pagar conivência com estética duvidosa, stories pagos e elogios entusiasmados. Com um bom cachê, qualquer um engole a sombra e a breguice constrangedora —e ainda chama de disrupção e lifestyle de alto padrão.

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2 Comentários

  1. Uma jornalista sem diploma e uma militante canhoteira sem rumo estão criticando uma construção que jamais conhecerão de perto e, muito menos, terão a chance de visitar por dentro. A pobreza de espírito é a pior das mazelas dessa turma infecta, mas, é somente uma parcela de um combo desprezível. Bonito mesmo é o Palácio de Miraflores, kkkkkkkkkkkk.

  2. heeeee, recalc e fd, de mais, a sindrome no brasil que tudo que fazemos tem que ser marginalizado e desgraçado, humilhado por nos mesmos, eu olharia assim, poxa temos enegenahria pra esse feito, temos mão de obra se não vamos aprender com que fazer?, teremos dinheiro como país pra fazer isso, parece muito bonito, mas como é um cara de direita nada disso importa nem a imagem, nem os empregos, nem o que vai movimentar porque afinal o que importa e difamar, pq se é pra roubar os aposentados ai tudo bem a gente coloca culpa no bolzo que supostamente teria criado meios pra os sindicatos roubarem os velhinhos, fa um favo cresce e aprenda a aprecisar mesmo que seja seu inimigo.

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