Francisco: morreu o Papa dos oprimidos

O mundo chora a morte do Papa Francisco, o primeiro pontífice jesuíta e latino-americano, que liderou a Igreja Católica com uma visão progressista, inclusiva e voltada para os pobres.
Seu papado, iniciado em 2013, foi marcado por gestões ousadas em temas como justiça social, ecologia, imigração e reforma da Igreja, deixando um legado que transcende o âmbito religioso.
Desde o início, Francisco surpreendeu ao escolher o nome do santo da pobreza, São Francisco de Assis, sinalizando sua prioridade: uma Igreja “pobre e para os pobres”.
Recusou-se, como exemplo, a habitar a tradicional (e luxuosa) residência papal que, segundo ele, o deixaria distante da realidade a ser enfrentada.
Criticou veementemente a economia de exclusão e o capitalismo selvagem, defendendo políticas mais justas em documentos como a exortação “Evangelii Gaudium” (2013).
Sua abordagem aberta aos divorciados, à comunidade LGBTQ+ e a outras religiões gerou tanto admiração quanto resistência dentro da Igreja.
Frases como “Quem sou eu para julgar?” (sobre gays) e sua defesa de acolhimento aos migrantes (“Eles não são um perigo, são vítimas”) tornaram-se símbolos de seu pontificado.
Francisco enfrentou escândalos de abusos sexuais criando comissões e exigindo “tolerância zero”.
Promoveu uma gestão mais descentralizada, dando maior autonomia a bispos locais, buscando transparência financeira no Vaticano.
Sua encíclica “Laudato Si'” (2015) foi um marco ao vincular crise ambiental e injustiça social, influenciando debates globais.
Francisco defendia que “o grito da Terra é o grito dos pobres”, pressionando líderes mundiais a agirem contra as mudanças climáticas.
Apesar de amado por muitos, enfrentou oposição de setores conservadores, que viam suas posições como muito liberais.
Suas aberturas a comunhão para divorciados (“Amoris Laetitia”) e diálogo com ateus desafiaram tradições, sem, contudo, alterar dogmas como o celibato ou a ordenação de mulheres.
Francisco não mudou a milenar doutrina católica, mas transformou seu tom.
Humanizou o papado, aproximando-o das periferias existenciais, e mostrou que a fé pode ser um instrumento de mudança social.
Seu sucessor herdará uma Igreja mais consciente de seus desafios.
“O verdadeiro poder é o serviço”, dizia.
E ele serviu como poucos.
Em tempos de polarização, seu chamado ao diálogo, à misericórdia e à justiça jamais será esquecido.
