Auditoria indica ‘incerteza relevante’ da continuidade operacional do Corinthians

“Conforme apresentado na nota explicativa n° 1.1, esses eventos ou condições, indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do Clube”
(GF Brasil auditoria, em análise das contas do Corinthians)
Ontem, finalmente, após quase 20 dias de atraso, a diretoria do Corinthians enviou ao CORI o balanço das contas de 2024.
O resultado é preocupante.
Parecer da GF Brasil, responsável pela auditoria, aprovou os números, porém, apontando graves ressalvas, entre as quais ‘incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional’
Em síntese, risco acentuado de falência.
O Blog do Paulinho teve acesso a todos os documentos.
Destacamos alguns apontamentos assinados pelo auditor Ronaldo Antônio Bordini:
“O Clube não está divulgando demonstrações financeiras consolidadas em conjunto ou separadamente às demonstrações individuais, conforme requerido pelo Pronunciamento Técnico CPC 36 (R3) – Demonstrações Consolidadas”
“Se o Clube tivesse apresentado demonstrações financeiras consolidadas, alguns elementos nas demonstrações financeiras teriam sido afetados de forma relevante”
“Os efeitos da não apresentação de demonstrações financeiras consolidadas não foram determinados”
“Chamamos a atenção para a nota explicativa n° 1.1 às demonstrações financeiras que indica que o Clube incorreu em déficit de R$ 181.766 mil durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2024 e, nessa data, o passivo circulante do Clube excedeu o total do ativo circulante em R$ 516.504 o patrimônio líquido está negativo em R$ 425.212 mil”
“Conforme apresentado na nota explicativa n° 1.1, esses eventos ou condições, indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do Clube”

Apesar da Receita apontada de R$ 1,1 bilhão (inflada em R$ 338 milhões pela venda de jogadores), o Corinthians apresentou dívida bruta de quase R$ 3 bilhões (exatos R$ 2,869 bilhões).
R$ 2,56 bilhões líquidos.
Houve acréscimo de R$ 89 milhões em despesas (de R$ 627 milhões em 2023, para R$ 716 milhões em 2024).
Parte da dívida, R$ 191,2 milhões, é atribuída a gestões passadas, embasadas em Revisão do contador Eliseu Martins, que confessou, por serviço semelhante, o desvio de R$ 1,5 milhão do Itaú – em conluio com o diretor do banco que o contratou (a instituição diz que a subtração atinge, na realidade, R$ 10 milhões).
Relembre:
Revisor das contas do Corinthians confessou desvio de dinheiro do Itaú –
Destacamos outros apontamentos importantes do balanço:
- foram tomados R$ 227,7 milhões em empréstimos; R$ 145 milhões a mais do que em 2023.
Entre os credores mais relevantes surgem duas instituições ligadas à cúpula diretiva do Corinthians: R$ 147,2 milhões foram tomados do Banco XP (Pedro Silveira era CEO da instituição nos EUA) e R$ 4,8 milhões da BRUCKER Administradora de Bens, do agente de jogadores Igor Carvalho Zveibrucker, que presenteou o presidente Augusto Melo com uma Land-Rover ainda em período eleitoral.
- doação de Torcedores
R$ 34,1 milhões da vaquinha de torcedores para quitação do estádio de Itaquera foram utilizados para amortização da dívida.
- dívidas futuras com aquisições de jogadores
Diferentemente do que foi informado à mídia, a chegada de Memphis Depay, sem contar o enorme salário, as inéditas premiações e penduricalhos, custou R$ 25,3 milhões ao Corinthians; destes, somente R$ 4,4 milhões foram pagos até o momento.
Por amostragem, na mesma situação, encontramos Rodrigo Garro (custo de R$ 42,7 milhões com R$ 8,2 milhões pagos) e Felix Torres (custo de R$ 38,9 milhões com R$ 7,7 milhões pagos).
- enorme aumento de dívidas com fornecedores
O Corinthians deve R$ 372,9 milhões a fornecedores; em 2023 a pendência era de R$ 227,5 milhões (acréscimo de R$ 145,4 milhões).
- custo futebol
Somados os pagamentos de custos de transações com jogadores (R$ 71 milhões em comissionamentos) aos discriminados como ‘gerais’ e ‘administrativos’ do departamento de futebol (R$ 106,3 milhões), a despesa operacional atingiu R$ 177,3 milhões.
R$ 58,1 milhões a mais do que em 2023
Ao caos financeiro documentado junta-se a deterioração moral de um Corinthians que, tudo indica, terá o presidente indiciado por associação criminosa e lavagem de dinheiro, sob acusação de desviar dinheiro de uma instituição, comprovadamente, pré-falimentar.
EM TEMPO: o balanço do Corinthians não inseriu dívida de quase R$ 100 milhões, reportada no balanço do Arena Fundo FII, referentes ao não repasse de arrecadações da Arena de Itaquera (confessada pelo clube ao anuir com a aprovação de contas do Fundo).
