Atlético/MG erra ao contratar Cuca

Errou o Atlético/MG ao contratar Cuca.
A crítica, porém, não diz respeito ao lamentável episódio de Berna.
Hoje o contexto é outro.
Antes, o treinador, quando não silenciava, mentia ou minimizava o ocorrido.
Ao chegar, no início deste ano, ao Furacão, o treinador, enfim, reconheceu o cometimento de crime, e, como há muito dele se esperava, pediu desculpas a todos pelo ocorrido.
Não apagará o ato terrível, pelo qual escapou da prisão, mas é suficiente para que lhe fosse concedida oportunidade de demonstrar evolução como ser-humano.
Cuca prometeu destinar parte de seus rendimentos ao cuidado de vítimas de estupro.
Tomara, esteja cumprindo.
É de bom tom que doações e ajudas deste tipo não sejam utilizadas para o culto à personalidade do doador, porem, neste caso específico, existe a necessidade de publicidade.
Feito este longo preâmbulo, necessário diante da compreensível e correta manifestação dos que são contrários, pelas razões de Berna, à contratação de Cuca pelo Galo – este blog já havia encerrado a questão – é chegada a hora de explicar nossa crítica.
Há tempos, o treinador não figura entre os melhores do país.
Além disso, é conhecido por, ao menor problema, abandonar seus trabalhos, ou após a conquista de títulos também fazê-lo, dizem, pelo medo de não conseguir lidar com a possibilidade de fracasso.
O Atlético/MG realiza investimento relevante na montagem de sua equipe.
Para transformar um apanhado de jogadores, entre bons e medianos, num time de futebol à altura dos objetivos propostos é necessária a contratação de treinador, no momento, top de linha, e que esteja, psicologicamente, preparado a todas as pressões.
Não é o caso de Cuca, que deveria recomeçar a carreira com desafios mais tranquilos.
O início mais fácil, num Campeonato Mineiro em que existem apenas duas equipes disputando o título, poderia ocasionar a falsa impressão de acerto inicial, que acabaria por condenar contratado e contratante a um segundo semestre de possibilidades imprevisíveis.

