O fantástico mundo de Luxemburgo

Em recente entrevista, o ex-treinador V(W)anderlei(y) Luxemburgo, sem constrangimento, criou versão paralela de sua história:
“Eu tinha só o problema da idade e a Receita Federal. Quais os outros problemas que eu tinha? Meu pai trocou minha identidade, naquela época fazer gato com jogador era normal. E a outra era a Receita Federal, que era um problema que eu tinha com o fisco, mas que não tinha nada a ver. Então aquilo ali foi uma covardia que foi feita comigo. Me colocarem uma semana no Jornal Nacional, uma semana direto com uma mulher falando, sem uma prova, sem absolutamente nada. Até hoje, pega as matérias, eu tenho as matérias todas, e vai sair numa série que eu tô fazendo, que eles não tinham ali nada pra falar do Luxemburgo que provasse que aquele Luxemburgo que eles estavam botando no Jornal Nacional”
Vamos à realidade.
O ‘problema’ de Luxemburgo com o Fisco é que o treinador não soube identificar a origem de R$ 10 milhões depositados em suas contas na década de 90.
Corrigidos, tratam-se de expressivos R$ 109 milhões.
Não é, portanto, um probleminha qualquer.
A CPI do Futebol indicou que a quantia seria proveniente de embolsamentos indevidos de transações de jogadores.
O Blog do Paulinho publicou, tempos atrás, manifestação do jogador Rodrigo Tabata acusando Luxemburgo de se apropriar de R$ 500 mil que teriam como origem R$ 1 milhão pagos, pelo Santos, como luvas ao atleta.
50% do montante.
Relembre:
Em 2009, época em que o então presidente do Santos, Marcelo Teixeira (que retornou ao cargo), planejava criar uma bolsa de investimento de atletas, cedendo a Luxemburgo o comando da operação, questionamos o treinador sobre o assunto.
Confira:
A falsidade ideológica, que Luxemburgo ameniza como ‘gato’, resultou na necessidade da troca do nome ‘Wanderley’ pelo original ‘Vanderlei’, que passou a vigorar como oficial.
Não foi o único problema do treinador com documentos.
Décadas após, em março de 2012, a Justiça de Tocantins condenou Luxa, que fazia campanha ao Senado, a um ano e meio de prisão por transferência eleitoral fraudulenta.

Trechos selecionados de Relatório da CPI do Senado
Vol. III
“O caso Vanderlei Luxemburgo”
Conclusões e Recomendações (paginas 28 até 30)
“A situação do Sr. Vanderlei Luxemburgo da Silva, ex-técnico da seleção brasileira, é emblemática. Trata-se de um retrato da desorganização que impera no mundo do futebol. Foi efetivamente comprovado que , à margem de sua atuação profissional como treinador de futebol, o Sr. Luxemburgo manteve dezenas de outros negócios.”
“Causou espécie a movimentação financeira rastreada em apenas seis anos, exclusivamente no Brasil, da ordem de R$18 milhões. A comparação com as declarações do Imposto de Renda, que sinalizam rendimentos da ordem de R$ 8 milhões, revelaram diferença de R$10 milhões, fortuna inatingível para a maioria esmagadora dos brasileiros.”
“Sr. Luxemburgo possuiu ao longo dos últimos anos fontes de rendimento diversas das provenientes de seu trabalho como técnico de futebol, o que reforçaria, em tese, a possibilidade do mesmo estar recebendo comissões na transação e convocação de jogadores, conforme denúncia recebida.”
“Instado a manifestar-se acerca da disparidade entre sua movimentação bancária e suas declarações de renda, o técnico afirmou textualmente não haver a mínima possibilidade de explicar o motivo.”
“Entretanto, o procedimento adotado pela maioria dos bancos nos quais o Sr. Luxemburgo mantém suas contas, aliado ao enorme volume de depósitos não-identificados, em dinheiro vivo, efetuados a favor do técnico não permitiram o rastreamento completo de quem alimentava as contas do ex-técnico da seleção brasileira.”
“O Sr. Luxemburgo manteve relações financeiras e de amizade com alguns empresários de futebol, alegando sempre tratar-se “provavelmente de empréstimos”, quando instado a manifestar-se sobre o assunto.”
“O fato inquestionável é que o Sr. Vanderlei Luxemburgo recebeu milhões de reais em suas contas de fontes diversas dos clubes nos quais trabalhou e da CBF.”
“(…) diferença de mais de R$ 10 milhões entre as declarações de renda e a movimentação bancária do Sr. Luxemburgo entre os anos de 1995 e 1999;”
“(…) rastreamento das atividades da empresa Compo Graphics Indústria e Comércio, que recebeu um cheque de R$ 200 mil do Sr. Luxemburgo em 19/08/98 e que figura no rol de empresas suspeitas de lavagem de dinheiro”
“Ao Ministério Público que avalie a possibilidade de indiciar o Sr.Vanderlei Luxemburgo pela prática de crimes tributários”
