O Dia D do Corinthians

Logo mais, próximo das 19h, o Conselho Deliberativo do Corinthians se reunirá, a princípio, para apreciação do parecer de uma Comissão de Justiça sobre o comportamento da diretoria no escândalo ‘Vai de Bet’.
Procedimento absolutamente irrelevante.
Nenhum dos membros teve acesso ao inquérito que trata sobre o assunto.
Os ‘investigadores’, alguns com pretensões políticas em PSJ, se deixaram usar pela presidência do Conselho em favor de uma administração que sobrevive por aparelhos.
Há pelo menos quatro provas concretas de, no mínimo, gestão temerária.
- o acerto do pagamento (realizado em parte) de R$ 25 milhões em comissionamento (do patrocínio da Vai de Bet) para Alex Cassundé, funcionário de campanha de Augusto Melo, que, em depoimento à polícia, negou ter intermediado o negócio (o dinheiro foi diluído em contas ligadas a membros do PCC);
- a Land-Rover presentada ao presidente do Corinthians, quando ainda era candidato, por empresário de jogadores que passou, após a posse, a negociar jogadores e empréstimos com o clube, além de ter recebido um camarote na Arena de Itaquera;
- a contratação de mais de 50 jogadores para as categorias de base; com menos de 5% de utilização dos contratados, que ocasionaram, em apenas seis meses, o time sub-20 sair da posição de Campeão da Copa São Paulo de Juniores para a 18º colocação do Brasileiro da categoria.
- a desmontagem do elenco profissional de futebol para dar lugar a quase R$ 200 milhões (valor previsto até o final da janela) em contratações, a maior parte delas de jogadores veteranos ou sem destaque em seus locais de origem, que levaram o time a ocupar a zona de rebaixamento do Brasileirão.
Este casos, gravíssimos, juntam-se a outros menos comentados, como a contratação de dezenas de associados para cargos que precisaram ser inventados, o pagamento (confessado pelo presidente) de comissão a conselheiro pela intermediação do patrocínio da Kasinski, permuta de colchões para o CT, a concessão de utilização da marca do Corinthians para empresa de brindes de conselheiro, a farra dos camarotes, o aliciamento de influencers, etc.
Comenta-se nos bastidores que, em meio à reunião, grupo de conselheiros protocolará o pedido de impeachment do presidente Augusto Melo, na esperança de pronto acolhimento de Romeu Tuma Junior, presidente do órgão.
É o que obriga o Estatuto.
Tuma, segundo o documento, tonar-se-ia mero despachante da solicitação, que seria encaminhada para os trâmites vigentes na legislação alvinegra.
Detalhes destes procedimentos podem ser conferidos no link a seguir:
Impeachment de Augusto Melo pode ser iniciado segunda-feira. Confira o passo-a-passo
Qual será o comportamento do ex-policial?
Se infringir as regras, o caso deverá ser judicializado, com evidente prejuízo, moral e administrativo, para o Corinthians.
Há, porém, quem acredite que o limite da proteção a Augusto Melo, que, segundo depoimento do ex-diretor de futebol Rubens Gomes, estaria ligado ao crime organizado, se excedeu até para os parâmetros de Tuma Junior.
Será o dia do desmame?
Urge o afastamento de toda a diretoria.
Os conselheiros terão coragem de confrontar os perigosos interesses que unem o Corinthians, através de Marcos Boccatto, Superintendente de Novos Negócios, ao mal-afamado Água Santa?
Há 17 anos, por muito menos, apesar de 14 títulos conquistados, o ex-presidente Alberto Dualib, que nunca se meteu com facções criminosas, renunciou para não sofrer impeachment.

E vão entregar pra quem? Andrés e companhia, pra acabar de falir o clube, já estamos respirando por aparelhos.