Regimento Administrativo do Corinthians mascara censura a opositores

Com grande alarde, Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, divulgou a aprovação, pelo CORI, do Regimento Administrativo alvinegro.

Uma espécie de código de conduta a ser seguido pelos associados, dirigentes, funcionários e parceiros comerciais do Timão.

Um compilado de obviedades, como a evidente proibição do cometimento de crimes.

Nada que o Código Penal não acolhesse.

A grande ‘sacada’ do Regimento, sob a conivência da Comissão de Justiça, que tem entre seus membros o esperto Herói Vicente, é a tentativa de proibir conselheiros de denunciarem, publicamente, o malfeitos da gestão.

Em regra, opositores ao Regime.

Diz o art. 6º, parágrafo VIII:

“(…) abster-se de proferir declarações que possam macular a imagem ou a dignidade do Corinthians, de seus diretores, integrantes de seus poderes constituídos, patrocinadores ou das demais pessoas físicas ou jurídicas envolvidas com o clube”

Também o art. 12:

A internet, os aplicativos e as redes sociais devem ser utilizadas com cautela, equilíbrio e proporcionalidade, evitando:

I – a utilização de linguagem ofensiva contra o Corinthians, seus representantes e suas marcas;
II – Práticas indevidas (assim consideradas inclusive aquelas que violem o presente Regimento);
III – Opiniões meramente pessoais que violem o presente normativo;
IV – Atividades ilegais;
Parágrafo único. Ressalva-se a possibilidade de emissão de opinião em nome do Corinthians por pessoa legitimada estatutariamente a tanto.

Ou seja, se qualquer pessoa ligada ao Corinthians – incluindo conselheiros e jornalistas, eventualmente, associados do clube (existem vários em PSJ) -, ousasse, em exemplo fático, criticar falcatruas de cartolas, como as ligadas à Vai de Bet, seria passível de punição.

Segundo o documento, somente porta-vozes oficiais, autorizados pela diretoria, estariam autorizados a opinar.

Determinação que cairia bem nos anos de chumbo, aos quais Tuma Junior, por experiência familiar, conhece bem.

Conflitantes com a Constituição, as proibições são natimortas, com eventuais punições reversíveis na Justiça.

Acima da incapacidade jurídica dos que as propuseram está o objetivo, sob disfarce de defender a honra da agremiação, de silenciar opositores.

Fossem levadas a cabo as proibições formalizadas nos demais itens do documento, o Corinthians teria novas razões para exigir o impeachment não apenas do Presidente, mas do próprio Juninho, o ‘Leão de Chácara’ que se apresenta como ‘pai’ do Regimento.


No link abaixo, a íntegra do Regimento Administrativo do Corinthians:

Regimento Administrativo do Corinthians

Facebook Comments

Posts Similares

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.