30 anos sem Ayrton Senna do Brasil

Há trinta anos, o coração deste fã de Ayrton Senna, ainda distante do ofício jornalístico, se despedaçava ao supor o final trágico após aquela batida na curva Tamburello.
Acompanhava o gênio, pelos jornais, desde os tempos de automobilismo inglês.
Quando chegou à Fórmula 1, constatei, em imagens, que Senna era ainda melhor do que revelavam as notícias.
Técnico, ágil e corajoso, como poucos.
Talvez ninguém.
Os brasileiros, acostumados ao pragmatismo de Emerson e Piquet, enlouqueceram por Senna.
Eu, entre eles.
As tardes de sábado e as manhãs de domingo – por vezes madrugadas – eram sagradas, não havia o que me tirasse da frente do televisor.
A mística do herói brasileiro foi ampliada quando, num lance de genialidade, Galvão Bueno e Rede Globo uniram a Ayrton o sobrenome ‘Do Brasil’ e o tema da vitória.
Quantas vezes chorei ao ver Senna cruzando a linha de chegada embalado nesta trilha sonora de arrepiar o mais insensível dos brasileiros?
Tã, tã, tã… tã, tã, tã… tã,tã,tã… tã,tã,tã… Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna do Brasil!!!!
Incontáveis.
Três títulos mundiais, dois vices campeonatos, 41 vitórias, 65 pole-positions, 80 pódios, etc, etc, etc.
Imaginava-o, no futuro, colhendo as glórias de uma carreira extraordinária, casado com Xuxa – o amor da vida dele – e comentando, ao lado de Galvão, as corridas de Fórmula 1 de novos brasileiros.
Tudo acabou na Tamburello.
Compareci a seu velório, permaneci oito horas na fila, e me despedi honrado por tantos anos de ‘parceria’.
Foi a última vez em que estive ao lado dele.
A primeira ocorreu num treino livre em Interlagos, quando um dos seguranças da F1, amigo de infância, permitiu minha entrada e a de meus amigos no entorno dos boxes da McLaren.
30 anos após a morte, Senna segue vivo no coração deste fã, agora jornalista, que ainda se emociona ao lembrar do querido que, para a eternidade, contagiou-me com a genialidade.
