A humilhante situação de Rubão

Quando Rubens Gomes juntou-se a Augusto Melo, em algum momento entre 2017 e 2018, enxergou a possibilidade de retornar ao protagonismo no Corinthians.
O objetivo era trabalhar a imagem de um espertalhão, popular no baixo clero alvinegro – maior colégio eleitoral do clube – para, em eleições futuras, fazer frente ao desgaste do grupo que, há mais de uma década, ocupava o poder.
Por pouco, a manobra não foi antecipada.
À procura de um candidato a vice-presidente, o então presidenciável Roque Citadini aceitou a sugestão política de Rubão – por conta da quantidade de votos; Augusto, então, entrou na campanha sem que se soubesse muita coisa sobre ele.
Quase no dia das eleições, Citadini foi impugnado, numa manobra ilegal de Tuma Junior, acolhida pelo magistrado que presidia a Comissão Eleitoral.
Entre as horas que separaram a decisão irregular e a retomada da candidatura, Rubão, pelas costas de todos, propôs a Presidência a Augusto, num golpe contra Osmar Stabile, então candidato a primeiro vice-presidente.
Ao final, Citadini concorreu e, diante do quadro de incertezas, viu o adversário Andres Sanches retomar o poder.
Neste dia, Rubão iniciou a campanha presidencial de Augusto Melo.
Desde então, passou a banca-lo não apenas intermediando dinheiro – como ocorreu no esquema Barbarense -, mas apresentando-o a nichos da política alvinegra.
Próximo das eleições de 2020, comprovamos que Augusto negociava jogadores.
As revelações decidiram o pleito.
Derrotados, Rubão e Augusto, estimulados pela diferença apertada de votos, dedicaram os anos seguintes a uma nova tentativa eleitoral.
Novamente, o atual diretor de futebol foi decisivo.
Em meio a denúncias diárias de falcatruas de Melo expostas pelo Blog do Paulinho, além de ataques racistas e misóginos que o tinham como protagonista, Rubão planejou uma retaguarda de comunicação das mais aguerridas, amparada em produção de ‘fake-news’ e cooptação de influencers.
Augusto se transformou no Milei de Parque São Jorge, utilizado, apesar do que se sabia sobre ele, para derrubar o sistema vigente, ainda que o futuro se apresentasse pior.
Veio, enfim, a vitória.
Rubão, que mandou em Augusto Melo – e o bancou – ao longo de seis anos seguiria comandando-o após a posse como Presidente do Corinthians?
Tudo indicava que sim.
No início, era como as coisas funcionavam, até que os previsíveis erros do departamento de futebol em conjunto com a pressão do presidente do Conselho passassem a ameaçar a continuidade da presidência.
Salvar o mandato e os interesses inerentes eram prioridade.
A solução, ainda dentro do contexto de alguma lealdade, seria retirar Rubão do cargo, mantendo-lhe, porém, os ‘benefícios’ comerciais.
Mas, ao descobrir que Augusto Melo manejou, sem o seu conhecimento, um recebimento de comissionamento na casa dos R$ 25 milhões – através do diretor de marketing, a relação estremeceu.
Seis anos de ‘casamento’ foram destruídos pelo poder e a ganancia de um parceiro que, desde sempre, nunca lhe foi fiel – conforme comprovam áudios revelados pelo Blog do Paulinho.
Atualmente, Rubão é um morto-vivo golpeado, diariamente, à espera de ter a cabeça arrancada pelo insignificante que levou à presidência.
Ontem, em entrevista, Augusto Melo humilhou o ex-mantenedor:
“Vai ter mudança, pode ter certeza, vai ter mudança em tudo […] Se eu tenho a caneta, eu vou agir como a minha caneta”
“Se eu errar, a culpa agora é minha. Não vou mais errar por conta dos outros. Chega, está na hora de dar um basta”
Resta saber a que termos a demissão ocorrerá.
Se com a manutenção de vantagens financeiras, o que amenizaria o distrato, ou abandonando-o na sarjeta, à espera do contragolpe.
A Rubão, se maltratado, restaria ligar o ventilador, sob risco, porém, de avançar regras que o crime organizado não costuma perdoar.

Futuro?
Apontado como sucessor, o conselheiro Fran Papaiordanou, se de fato ocupar a diretoria de futebol, terá que decidir se participará do esquema comercial implementado ou se fechará os olhos para os rolos.
Porque eles continuarão.
A alternativa?
Não aceitar o cargo ou, em aceitando, denunciar as imoralidades a opinião pública, porque o Conselho, salvo exceções de praxe, está na ‘gaveta’.
