Caiu a máscara do promotor, ligado a cartolas, que perseguiu Fernando Haddad

Em 2017, o promotor Marcelo Milani foi denunciado pelo então Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sob suspeita de solicitar R$ 1 milhão para possíveis desvios de conduta na relação entre Corinthians e Odebrecht durante as obras do estádio de Itaquera.
Em retaliação, Milani instaurou diversas investigações contra o petista, além de processá-lo por calúnia.
A FOLHA de hoje revela que, após perder a ação em todas as instâncias de São Paulo, o promotor desistiu de recorrer ao STJ e admitiu que utilizou o acesso ao aparato judicial para perseguir o ex-prefeito.
Ou seja, induziu juízes, desembargadores e demais colegas de promotoria a erro para satisfação de desconforto particular.
É esse tipo de gente que o MP-SP precisa banir de seus quadros.
Muitos promotores, pela boa vida proporcionada nos bastidores do esporte, trabalham como verdadeiros centuriões da cartolagem.
Por vezes defendendo-os de problemas, noutras, atacando, indevidamente, seus desafetos.
Este Blog do Paulinho foi vítima deste comportamento.
Quando acionados pelo empresário Paulo Garcia, dono da Kalunga, apesar de comprovarmos que ele havia bancado a campanha política de Andres Sanches, tivemos a queixa enviada, com parecer de crime, ao judiciário por um promotor frequentador da casa, há décadas, do processante.
Em entrevista à Piauí, Fernando Haddad não se intimidou diante de Milani:
“Como se sabe, quando prefeito, Kassab aprovou uma lei que permitia ao Executivo emitir 420 milhões de reais em títulos, em nome do clube, que poderiam ser usados para pagamentos de tributos municipais. Com isso, viabilizava-se a construção do estádio para a abertura da Copa do Mundo”
“(…) Corinthians e Odebrecht reivindicaram que a prefeitura, diante do imbróglio, recomprasse os papéis, invendáveis dada a insegurança jurídica provocada pela atuação do Ministério Público”
“Foi quando fiquei sabendo de um suposto incidente gravíssimo envolvendo o promotor de Justiça Marcelo Milani. Fui informado de que, para não ingressar com a ação judicial, o promotor teria pedido propina de 1 milhão de reais”
“Eu respondi que essa informação não mudava o teor da minha decisão, contra a recompra, e que não me restava alternativa como agente público senão levar o fato relatado ao conhecimento da Corregedoria-Geral do Ministério Público, para que fosse devidamente apurado”
Haddad conversou, também em 2017, com o Blog do Paulinho:
“Eu fui procurado pelos denunciantes, que estavam com medo de represália do Promotor (Milani). Eles contaram-me o que revelei na Piauí: a cobrança de R$ 1 milhão para retirada da ação sobre os CIDs e, como gestor público, cumpri minha obrigação, revelando o que escutei à Corregedoria do MP.”
“Não comportei-me como o Michel Temer, que escutou revelação de crime e ficou calado…”
“Para me calçar, cerquei-me de testemunhas, que escutaram também os relatos”.
“Eu não tenho provas de que o Promotor pediu vantagens, apenas contei à Corregedoria o que escutei, para que eles investigassem, tomassem providências”.
“Os denunciantes também não mostraram provas, apenas contaram ter recebido a proposta de R$ 1 milhão do promotor”.
“(questionado se Corinthians ou Odebrecht teriam delatado) não posso declinar os nomes publicamente, apesar de tê-lo feito ao corregedor do MP, que sabe quem são… mas, você sabe, nesse negócio do estádio, não tem Corinthians ou Odebrecht, tem Corinthians e Odebrecht… em todas as reivindicações eles sempre estiveram juntos”.
“Não tenho proximidade… eles (Odebrecht) ficaram nervosos comigo porque vetei a recompra dos CIDs e a obra de uma ponte durante minha gestão”
“Você percebeu que parte da delação da Odebrecht sobre o estádio está mantida sob sigilo ? Talvez este caso do Promotor esteja delatado por um dos executivos da empresa…”
“Tudo o que sei contei à Promotoria e também à Piaui… até onde sei o valor de R$ 1 milhão, segundo os denunciantes, não foi pago ao Promotor.”
“Esse promotor, que soube quem era apenas no dia em que recebi a denúncia, desde então me persegue, quando, até pelo cargo que ocupa, deveria entender que não tinha alternativa… passava o caso adiante (para apuração) ou cometeria crime de prevaricação”.
Seis anos após, o próprio Milani admitiu a perseguição a Haddad, o que acaba por valorizar as demais suspeitas que pairavam sobre seu comportamento.
Confira abaixo a matéria da FOLHA que trata sobre a confissão do promotor:
