Filho de Andres Sanches é condenado a indenizar ex-sócio de restaurante suspeito

Lucas e Andres Sanches

“Não bastasse isso, na mesma ocasião o Autor tomou conhecimento por terceiros de rumores e notícias assustadoras na mídia sobre suspeitas de que o restaurante Fabricca estaria sendo usado, veja V.Exa., como lavagem de dinheiro por Andres Sanchez (pai do Réu Lucas Sanchez), ex-presidente do time Corinthians e deputado federal investigado na “Operação Lava Jato” por crimes de corrupção e sonegação de impostos”

“Procurando ter esclarecimentos de seus então sócios sobre o grave assunto, o Autor recebeu informação de que sabiam sobre a “situação bem delicada”, mas não dividiram a notícia com ele, mesmo tendo seu nome na sociedade, para “não expor” o Réu Lucas (Sanchez)!”

(trecho de ação judicial contra Lucas Sanchez, filho de Andres Sanches, presidente do Corinthians)


Patrick Prado

Em 26 de julho de 2022, após diversas tentativas de composição, Patrick Farkouh Prado processou Lucas Sanchez, filho de Andres Sanches, ex-presidente do Corinthians, e Danyel Steinle, ambos seus ex-sócios no famoso restaurante Nelita (ex-Fabricca Illegale).

Apesar de citada, a chef Tássia Magalhães não figura como ré porque era sócia oculta.

O restaurante seria o 3º CNPJ ligado ao mesmo grupo, após duas falências, que, segundo Patrick, teriam indício de golpe na praça.

Patrick, ao suspeitar que o Fabricca –  depois transformado em Nelita, estaria sendo utilizado para, possivelmente, ‘ajudar’ Andres Sanches, decidiu sair da sociedade, aceitando se desfazer de suas cotas pela metade do preço, abrindo mão, ainda, de cobrança, ilegal, de ágio a que foi submetido.

Nesse contexto, numa das reuniões para tentativa de destrato amigável, a advogada Julia Astorga, representante de Patrick, deixou claro que se não saíssem da mesa com as tratativas resolvidas recorreria à justiça, ocasião em que revelaria as supostas falcatruas do grupo, entre as quais, movimentações de dinheiro suspeito em contas não pertencentes ao restaurante.

Lucas e os demais sócios, acertaram, enrolaram, mas não pagaram.

Não é a primeira vez que o nome de Andres Sanches é ligado a negócios gastronômicos, apesar dele nunca figurar nos contratos sociais; o empreendimento mais conhecido, até então, era o bistrô ‘Paris 6’.

Diante das provas, no recente 26 de setembro, a 2ª Vara de Conflitos e Arbitragem, através de sentença do juiz Guilherme de Paula Nascente Nunes, condenou Lucas Sanchez e seus parceiros a pagarem R$ 86,2 mil, acrescidos de juros, além de 10% de custas processuais.

Isaac Azar e Andres Sanches, no Paris 6

O Blog do Paulinho teve acesso ao áudio de toda a conversa, que durou quarenta minutos; destes, selecionamos os quatro mais importantes:

Abaixo trechos relevantes da Ação Judicial:

“O Autor Patrick é profissional da área de gastronomia, formado pela renomada “École de Gastronomie Ferrandi” em Paris, na França, tendo trabalhado, dentre outros, nos restaurantes parisienses Le Gabriel e L’Atelier de Joël Robuchon, ambos premiados com 2 estrelas no guia “Michelin””

“Tássia Magalhães (amiga de Patrcik) dizia ser, além de chef, também sócia de 50% do restaurante Pomodori, junto com seu ex-marido (…) ao final, Tássia informou ter se retirado do Pomodori, sem explicar os detalhes de sua saída, e convidou o Autor para participar de um novo empreendimento, o restaurante “Fabricca”, em que o Autor seria sócio na condição de cozinheiro chef, junto com demais sócios de confiança da Tássia, os ora Réus Danyel (seu namorado) e Lucas (seu amigo)”

“Tendo em mente o (até então imaginado) sucesso do Pomodori e da chef Tássia Magalhães, o Autor aceitou o convite para integrar a sociedade Fabricca, com 25% de participação societária, pela qual teve que investir valores significativos e desproporcionais em relação às participações dos demais sócios”

“A empolgação do jovem chef Autor em ser sócio de restaurante na capital paulista – hoje percebe – não permitiu compreender em sua integralidade as razões por que a chef Tássia não figuraria formalmente (como de fato nunca figurou – doc. 05) como sócia da sociedade, mas sim como sócia oculta”

“O Autor, após ingressar na sociedade Fabricca, foi descobrindo, paulatinamente, a enormidade de problemas legais (trabalhistas, fiscais, com fornecedores e credores diversos etc.) que Tássia havia abandonado para trás, causados pelo abrupto e ruinoso fechamento do seu antigo restaurante Pomodori”

“Soube o Autor que não bastasse a quebra de Pomodori, sua sócia Tássia retirou sorrateiramente do acervo daquele empreendimento equipamentos e utensílios que – repita-se – integravam o ativo daquela sociedade, para montar um novo restaurante, levando funcionários a quem deixou de pagar verbas trabalhistas com a ilusão de pagar seus salários devidos – o que poderá ser comprovado oportunamente com prova testemunhal de antigos funcionários”

Sem conhecimento desse ardil perpetrado na antiga sociedade (principalmente em prejuízo de empregados) o Autor Patrick, aportando valor significativo e desproporcional aos demais sócios, ingressou na referida sociedade Fabbrica, como sócio de capital, sem qualquer poder de administração, atribuição que era exercida individualmente pelo sócio Danyel (cláusula oitava da 1ª Alteração do Contrato Social)”

“Logo nos dois primeiros meses de operação do restaurante, o Autor foi apurando que a administração não cumpria com as obrigações legais da sociedade, deixando de pagar funcionários (alguns levados do antigo restaurante Pomodori com salários pendentes, inclusive), fornecedores (inclusive o arquiteto responsável por todo o
projeto de reforma e imagem do restaurante Fabbrica) e até mesmo o próprio pró-labore do Autor como Chef não estava sendo pago”

“O Autor passou a exigir prestação de contas dos seus sócios, já temendo e suspeitando da má administração dos recursos”

“No bojo dessas prestações de contas pedidas ao sócio administrador o Autor teve outra amarga decepção: constatou que os Réus sequer tinham cumprido com obrigações essenciais de sócios – ou seja, nem mesmo investiram na sociedade o capital por eles subscrito –, deixando o restaurante a descoberto na mais comezinha obrigação
social, que é integralização de quotas. Mais uma vez, deixavam funcionários, fornecedores e terceiros à deriva”

“Não bastasse isso, na mesma ocasião o Autor tomou conhecimento por terceiros de rumores e notícias assustadoras na mídia sobre suspeitas de que o restaurante Fabricca estaria sendo usado, veja V.Exa., como lavagem de dinheiro por Andres Sanchez (pai do Réu Lucas Sanchez), ex-presidente do time Corinthians e deputado federal investigado na “Operação Lava Jato” por crimes de corrupção e sonegação de impostos”

“Procurando ter esclarecimentos de seus então sócios sobre o grave assunto, o Autor recebeu informação de que sabiam sobre a “situação bem delicada”, mas não dividiram a notícia com ele, mesmo tendo seu nome na sociedade, para “não expor” o Réu Lucas Sanchez! Não é necessário se alongar mais, Exa., para demonstrar que essa suspeita,

ainda que merecesse ser investigada pelas Autoridades competentes e sem aqui se afirmar nenhuma responsabilidade sobre o tema, foi a gota d’água para o Autor acordar de um sonho que se tornou pesadelo quase que do dia para a noite”

“Temendo pela visível má gestão da sociedade, temendo responder pela sucessão do antigo restaurante Pomodori (já que funcionários e equipamentos, sem a anuência do Autor, vinham sendo alocados na sociedade) e, mais grave ainda, ao tomar ciência de notícias que aludiam a um suposto esquema criminoso que estaria em curso no restaurante do qual era sócio, para preservar sua reputação e patrimônio o Autor decidiu se retirar imediatamente da sociedade Fabricca”.

“Através de uma traumática negociação, o Autor aceitou até mesmo transferir suas quotas sociais por condições financeiras extremamente desfavoráveis (praticamente pela metade do valor que tinha investido há poucos meses, e ainda por cima concordou em receber o pagamento das quotas em oito parcelas mensais sem quaisquer juros)”

“(Após quebrarem o Fabricca) Danyel e Lucas desocuparam o imóvel em 03/02/2020, mas não se deram ao trabalho de apresentar contestação e tampouco constituir advogado nos autos em testilha. Repetindo o mesmo esquema e ardil que empregaram no antigo restaurante Pomodori, os Réus encerraram à sorrelfa as atividades do restaurante
Fabricca, levando consigo equipamentos e utensílios para posterior abertura de um novo (!) restaurante em outro local, denominado “Nelita””

“Estão utilizando, Exa., exatamente a mesma pessoa jurídica do Fabricca com mudança da denominação social, mas igualmente e deixando para trás, além dos danos causados ao Autor, dívidas com fornecedores e empregados, inclusive os aluguéis objeto das ações”

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