Protesto histórico do futebol feminino do Corinthians encerra gestão Duílio ‘do Bingo’

Ontem, aos 40 minutos de um segundo tempo em que o Corinthians passava nova vergonha, desta feita ao ser atropelado pelo fraquíssimo Goiás, por três a um, enquanto Cuca era acolhido pelos Gaviões da Fiel e pela diretoria, todo o elenco do futebol feminino e a comissão técnica, corajosamente, protestava contra a contratação.
A mensagem, publicada nos perfis dos citados, era clara e tinha endereço: o presidente Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves:
“Estar em um clube democrático significa que podemos usar a nossa voz, por vezes de forma pública, por vezes nos bastidores”
“Respeita As Minas’ não é uma frase qualquer. É, acima de tudo, um estado de espírito e um compromisso compartilhado”
“Ser Corinthians significa viver e lutar por direitos todos os dias”
Cris Gambaré, a diretora, não se pronunciou, mas, certamente, permitiu a manifestação.
Diante deste comunicado, a gestão Duílio está encerrada.
O presidente poderá até permanecer no cargo, até o final de 2023, mas desmoralizado, sem autoridade nem respeito de ninguém.
Melhor faria renunciar.
Mas a necessidade de salvar as contas de uma família envolta em espertezas e dívidas sobrepõe-se, ao que parece, a qualquer constrangimento.
Há tempos, este blog tem elogiado o departamento feminino do Timão, tratando-o como ‘ilha de competência’ em meio a um desgoverno de quase dezesseis anos.
Agora, o patamar evoluiu.
Pode-se dizer que enquanto grande parte do clube é marcado por preconceitos diversos, entre os quais a ausência absoluta de respeito às mulheres, como comprovado em absolvições recentes de conselheiro misógino, o departamento das ‘brabas’ não apenas teve a coragem de se posicionar contra o Presidente, como tornou pública a indignação.
Espera-se, nas próximas horas, que Cris Gambaré venha a público para dizer se Duílio falou a verdade quando garantiu consentimento da diretora diante da contratação de Cuca.
O silêncio não é aceitável quando o que está em jogo é muito maior do que fazer parte, ainda que à margem dos rolos, de uma diretoria marcada por escândalos e permissividades.
