Dinheiro de jogatinas esportivas não deveria estar nos bolsos de jornalistas

Não surpreendem os indícios encontrados pelo MP-GO da cooptação de jogadores de futebol por gente que lucra através dos sites de apostas esportivas, óbvios antros, direta ou indiretamente, de corrupção e lavagem de dinheiro.

Assim como eram os bingos e são, desde sempre, os jogos de bicho.

Onde tem jogatina tem roubalheira.

No mundo do futebol, em que 99% dos jogadores ganham mal e, dentre estes, a maioria não recebe em dia, o campo para conluios é farto.

Se nem mesmo a Série A do Campeonato Brasileiro, que paga melhor aos atletas, escapou das pilantragens, o que não estaria ocorrendo nas divisões inferiores?

Após a regulamentação que será imposta pelo Governo, nas quais destacam-se a taxação de 15% sobre o lucro destas ‘empresas’ e de 30% aos ganhadores de apostas, urge redobrar a atenção.

De algum lugar essa gente há de querer recuperar a diferença.

Quando regulamentados nos anos 90, os Bingos chegaram a ser tratados como sérios, mas a farsa durou pouco tempo; em CPI, descobriu-se a utilização destes negócios para encobrir crimes diversos.

A proibição foi retomada, não sem antes gerar grande rastro de prejuízos.

Fechado a décadas, o ‘Bingo Circus’, de propriedade do atual presidente do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, em sociedade com seus familiares, nunca pagou centenas de milhões de reais em calotes de impostos, além de pendências trabalhistas.

Todo o dinheiro que entra no bolso de clubes, federações, confederações e, principalmente, de jornalistas, oriundo da jogatina, é suspeito na essência; num ambiente ético, deveria ser recusado.

Inexistem outras fontes de receita?

Há quem advogue que jornalista poderia fazer merchan, no que o editor deste blog, alinhado com as mais sérias teses acadêmicas, discorda.

Nesse contexto, é lamentável que alguns, bem informados por obrigação profissional, sigam vendendo prestígio a estes grupos diante de tantos fatos levantados pelos órgãos de investigação nos últimos tempos.

Se da cartolagem não se espera limites, que independência terá o jornalista para apontar erros dos delinquentes com quem divide o pão, em alguns casos, da mesma origem?

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