O crime acabará com a confraria do cafezinho entre MP-SP e ‘organizadas’?

Há décadas, o Ministério Público de São Paulo tenta resolver a questão da violência nos estádios de futebol através de infindáveis reuniões com diretores de torcidas ‘organizadas’, que mentem cooperação enquanto deliciam-se com o cafezinho bancado pelo Estado.
Os promotores, muitos deles ligados a cartolas, fingem acreditar nas promessas.
Espécie de acordo, sem assinatura, desviou boa parte das brigas para as ruas e transportes públicos da Capital.
A migração gerou sensação de indevida ‘eficiência’ ao trabalho da promotoria e o ritual do cafezinho seguiu intacto.
Esta semana chefes de Gaviões e Mancha Verde serviram-se no MP-SP.
A confraria, porém, parece estar com os dias contados.
Ontem circulou suposta determinação da mais conhecida facção criminosa do país ordenando o fim das brigas de torcedores em São Paulo, sob risco de consequências graves aos que insistirem na prática.
No mesmo dia, a ‘valentia’ de Mancha Verde e Torcida Jovem do Santos deu as caras, em Nota Oficial – que deveria ter ocorrido há décadas, proibindo seus associados de duelarem nas ruas e estádios.
Gaviões da Fiel e Independente seguem, em silêncio, lambendo feridas, mas é pouco provável que arrisquem a própria sorte.
Não há o que comemorar quando grupos criminosos assumem funções do Estado, mas é necessário revelar, mais uma vez, que esse tipo de comportamento ocorre quando a população, abandonada por seus governantes, se socorre, ainda que a preço indevido, do primeiro que lhes estenda a mão.
Se, efetivamente, o crime acabar com as brigas de torcidas, estaremos diante de clamorosa derrota do MP-SP diante de obrigações que, há anos, demonstrou-se incompetente para executar.
