Ex-vice de Andres Sanches, em texto irretocável, manifesta-se contra o ‘golpe’ no Corinthians

Felipe Ezabella

Felipe Ezabella, ex-vice de Esportes Terrestres do Corinthians na primeira gestão de Andres Sanches, que, recentemente, concorreu à presidência, enviou a conselheiros do clube dura manifestação contra o ‘golpe’ que vem sendo tramado nos bastidores do Timão.

Destacamos os trechos mais relevantes:

“(…) passados quase 2 anos da eleição, fica evidente que os conselheiros de todos os grupos políticos não conseguiram evoluir numa proposta robusta de alteração (do Estatuto), não conseguimos evoluir ao menos nas pautas comuns, nos interesses convergentes”

“Fazer uma movimentação política gigantesca para votar apenas os itens aprovados pela Comissão que estão longe, mas muito longe de serem as prioridades do clube não faz muito sentido”

“(Talvez) seja melhor reconhecer que nós enquanto clube não chegamos, agora, em um denominador comum, e deixar a reforma, com as experiências acumuladas, para uma próxima legislatura. Para mexer mal, melhor não mexer, até porque ao abrir a possibilidade de uma votação de muitos itens sem o devido debate, sem a devida reflexão, pode-se abrir sim a possibilidade de serem aprovadas mudanças bem danosas ao clube”

“Não é possível que nos tempos atuais alguém ainda tenha a coragem de propor, sem qualquer justificativa, a extensão de mandato dos atuais diretores. Isso é uma vergonha para nós associados e corinthianos, uma vergonha para a instituição Corinthians e o que ela representa”

“Acho que estamos falando de um assunto muito maior. Estamos falando de MORALIDADE e não apenas de legalidade”

“Tenho muitas dúvidas sobre a legalidade de uma extensão, mesmo que aprovada em todos os órgãos. Até porque existe um mandato definido, que foi baseada em uma campanha com editais e pré requisitos claros. O estatuto determina que os candidatos devem apresentar, como requisito obrigatório, um plano de gestão para os 3 anos de mandato. Os votos e a campanha foram todas direcionadas para um mandato de 3 anos. Existe ainda um “juridiquês” sobre normas e princípios que acredito não ser o momento e o local adequado para tratar”

“Mas e se a proposta fosse para a redução imediata do mandato para 2 anos? Seria um “impechment” sem base legal, sem justificativa, sem descumprimento de norma? Vejam só que precedente terrível…”

“Mas a questão mesmo é a MORALIDADE. Que é um princípio previsto especificamente na lei esportiva, a chamada Lei Pelé. O seu artigo 2º, parágrafo único, inciso II diz expressamente que a exploração do esporte deve atender o princípio da MORALIDADE na gestão desportiva. E aqui acho que não preciso discorrer muito”

“(…) simplesmente querer estender mandato sem qualquer justificativa, sem qualquer paralisação, fechamento, caso fortuito ou força maior, só porque os supostos pré-candidatos, há mais de um ano do pleito não agradam? Isso é casuísmo, é imoral e até ilegal, e não deveria sequer ser cogitado, quanto muito aceito”

O texto é irretocável.

Velhas raposas de Parque São Jorge, com a anuência velada do atual Presidente, manobram, sabe-se lá a que custo – porque, oficialmente, estariam em lados políticos divergentes – para impor ao Corinthians uma continuidade que desagrada a democracia.

Urge, como ocorrido com Ezabella, ainda que o golpe não avance, que os demais líderes se manifestem sobre o assunto, sob risco de o silêncio ser interpretado como anuência à imoralidade.

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