CEO da Arena de Itaquera e conselheiro do São Paulo são credores de suspeita Recuperação Judicial da ‘Poderoso Timão’

Anteontem, o Blog do Paulinho revelou que o Corinthians e suas parceiras ligadas à franquia ‘Poderoso Timão’ serão denunciadas ao GAECO acusados, entre outras coisas, de fraude e estelionato:
Corinthians será denunciado ao GAECO por fraude e estelionato nas franquias ‘Poderoso Timão’
Mas o rolo parece não ocorrer somente em São Paulo.
Em 02 de setembro de 2021, a SPR Industria e Confecção Ltda, uma dos 33 CNPJ ligados aos gestores da ‘Poderoso’ – que se alternariam, segundo fontes, inclusive na ocultação de NFs que serviriam de base para remuneração dos royalties do Corinthians – teve deferida Recuperação Judicial no estado do Mato Grosso do Sul.
Em consequência, liminarmente, a empresa ganhou 180 dias sem precisar pagar os credores.
Prazo que já foi ampliado por conta da demora em realização da perícia.

O juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, da Vara de Falências, Recuperações, Insolvência e CP Cíveis da Comarca de Campo Grande, ao que parece, foi induzido a erro.
Os gestores da SPR não informaram a existência das demais empresas, nem que permanecem ativas e alternando-se na venda dos mesmos produtos e serviços.
Dentre elas, a da Mega-Loja localizada na Arena de Itaquera.
Em 2009, este blog revelou que a origem da SPR é a empresa ‘Poá Têxtil’, localizada na Zona Leste de São Paulo e, coincidentemente, também constituída no Mato Grosso do Sul, incluída entre as dezenas de CNPJs citados.
À época, um dos proprietários era José Maria, tio do então Presidente do Corinthians, Andres Sanches.
Desde então, apesar de não constarem em contrato social, a ingerência e, dizem, participação comercial de cartolas do Timão é notória.
Não apenas de Sanches, mas do parceiro Luis Paulo Rosenberg, através dos funcionários Caio Campos e Alex Watanabe – que trabalhavam no clube e também na SPR:

Formalmente, os proprietários de grande parte dos CNPJs são membros da família ‘GRZYWACZ’, que, desde a efetivação da parceria com o Corinthians, seguem ativos nas documentações.

Credores suspeitos
Na relação de credores da SPR, juntada aos autos, surge o nome de Caio Campos, CEO da Arena de Itaquera, que, apesar de trabalhar em São Paulo, assinava, na condição de ‘conselheiro’, atas de reuniões da empresa no MS.
A pendência, que mais parece jogada ‘extra-campo’, é de R$ 92 mil.
O conflito de interesses entre quem decidia os rumos do marketing do Corinthians e uma das empresas parceiras do alvinegro é evidente.
Caio cobra a SPR através de sua pessoa jurídica: “Caio Campos Consultoria’:


Outro credor é o vice-presidente do Conselho Fiscal do São Paulo, Fábio Cesar de Sousa Azambuja, com expressivos R$ 549,2 mil, justificados como honorários advocatícios, embora a SPR esteja por detrás das lojas ‘São Paulo Mania’, apresentadas como oficiais da agremiação:


Em 2015, o então presidente do Corinthians, Roberto Andrade, atual diretor de futebol, fechou estranha parceria do clube com a ‘PROENTER”, que passaria, desde então, a administrar todos os contratos de licenciamento do alvinegro.
Pelo serviço, recebiam 30%, valores assemelhados ao contrato que Carla Dualib possuía com o Timão no período Dualib – tratado como ‘leonino’ por boa parte dos conselheiros.
Somente três anos depois o Corinthians rompeu o acordo.
Estranhamente, a PROENTER também surge como credora da SPR (R$ 345 mil), embora, contratualmente, tivesse que receber apenas do Corinthians, sugerindo, talvez, possível remuneração ‘dos dois lados’:


Vale lembrar que Roberto Andrade foi expulso da empresa ‘Nova Veículos’, da qual possuía pequeno percentual de propriedade, sob acusação de roubo, sendo indiciado, a pedido do MP-SP, em investigação que corre sob sigilo judicial.



Abaixo, a intensa movimentação de CNPJs que se alternam entre os mesmos proprietários, quase todos utilizados no contexto das franquias ‘Poderoso Timão’:


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