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Blog do Paulinho

Não haverá liga sem uma divisão mais igualitária do dinheiro

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Pensar em fazer uma liga de clubes sem abrir mão de privilégios é nem pensar!

É tudo tão velho que quem já viveu situações parecidas desanima e faz do ceticismo quase uma certeza.

Lembrem-se, ou saibam, raras leitoras e leitores, que cinco anos antes da Premier League nascer, na Inglaterra, havia nascido, no Brasil, o Clube dos 13, experiência que deu tão certo, em 1987, que logo a cartolagem fez acordo para voltar tudo à estaca zero —mesmo com o apoio explícito, então, de Boni, o comandante da Rede Globo disposta a ser para os clubes brasileiros o que a Sky passou a ser para os ingleses.

A começar pelo começo: que necessidade há de a CBF apoiar a liga, Liga Brasileira de Futebol, a Libra, menos para esterlina, forte, mais para naftalina, velha?

Que história é essa de o presidente da FPF liderar os clubes paulistas pela a formação da liga?

Se for mesmo para valer, a Libra é adversária, talvez até inimiga das federações, porque uma liga de verdade organizará o Campeonato Brasileiro com rodadas só aos fins de semana, sem espaço para os estaduais.

E, como alertou o camarada PVC, que negócio é esse de mais um Zveiter na parada? Já não basta tudo de ruim que a família fez para o futebol brasileiro? Mais um?

Incrível a capacidade nacional de se deslumbrar com discursos decorados ou ternos bem cortados.

Não haverá liga alguma se os grandões não dividirem de maneira mais justa os dividendos do futebol.

Nada justifica que a divisão seja diferente da que se faz na Inglaterra —50% igualmente repartido, mais 25% por resultados e 25% por audiência.

Ninguém está pondo em dúvida quantas vezes o Flamengo é maior que o Athletico Paranaense ou quantas o Corinthians é maior o Fortaleza.

O que se quer, por desejável sim, por ser atraente para o campeonato, é diminuir discrepâncias em nome da competitividade, é distribuir riqueza em vez de socializar a miséria.

Ora, estão aí, além da Premier League, a NBA, NFL, a MLB para mostrar como fazer.

Ninguém precisa inventar a roda, basta fazer o óbvio.

A Libra está mais atrasada que a reforma tributária no país em que os pobres pagam mais impostos que os ricos, em que o automóvel paga taxa e o jato ou os iates particulares são isentos.

A lógica dos medíocres, ou dos espertalhões, permanece em plena atividade e assim o futebol brasileiro seguirá na vanguarda do atraso e de cócoras diante do que vê na Europa.

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