O risco dos salários milionários oferecidos pelo Corinthians

A prometida austeridade de gestão da diretoria do Corinthians virou fumaça assim que Duílio ‘do Bingo’ sentou na cadeira presidencial, no início de 2021.

Tentou até enganar nos primeiros meses, quando dispensou jogadores sob discurso de contenção de despesas.

Na verdade, abria brechas para novas negociações.

Sem quitar a dívida de R$ 1 bilhão, somada a outro bilhão da construção do estádio de Itaquera, Duílio passou a oferecer salários milionários a jogadores veteranos, a maior parte deles ligadas a agentes com quem conviveu no departamento de futebol.

O teto do Corinthians, que era de R$ 500 mil mensais – ultrapassado apenas pelo trio de atletas ligados ao agente Carlos Leite (Gil, Cassio e Fagner), foi deixado de lado para viabilização de pagamentos que superam R$ 1 milhão mensal.

Em verdade, ‘inviabilização’, porque é óbvio que essa dívida terá o destino de todas as demais do clube, ou seja, a judicialização.

Fala-se agora em pagar R$ 3 milhões mensais para o novo centroavante, que estaria por ser contratado.

“O valor será pago por um ‘parceiro'”, defendem-se os cartolas.

Mesmo que seja verdade, os riscos são grandes.

O contrato desses atletas é firmado com o Corinthians, implicando em obrigações trabalhistas e cíveis.

Todos os atletas que deixaram o Timão nos últimos meses – inclusive os dispensados por Duílio – ingressaram com ações de grande porte, responsáveis, antes mesmo do julgamento de mérito, por bloqueios das contas alvinegras.

Além deles, acionam o clube também seus empresários, cobrando desde comissões atrasadas até direitos de imagem supostamente devidos a seus assistidos.

Nesse contexto, um atleta que recebesse, seja lá por qual fonte, os tais R$ 3 milhões mensais, geraria despesa trabalhista relevante, além de comissionamento, levando-se em consideração o percentual salarial – sem contar o de transferência, de R$ 300 mil a cada trinta dias.

Isso se forem acertados apenas 10% pela intermediação (há casos, no Corinthians, que superam os 30%)

Os beneficiários abrirão mão dessa quantia?

Até o presente momento, nenhum deles desistiu do dinheiro, conforme comprovam ações propostas contra o clube protagonizadas, em grande parte, pelo ‘trio’ Leite, Bertolucci e Garcia, ainda que, por vezes, representados por terceiros.

A sinergia entre os cartolas do clube e esses ‘empresários’ é tamanha que, apesar de acionarem o Corinthians na Justiça, retornam a fazer novos negócios, evidenciando óbvia promiscuidade entre as partes.

Carlos Leite, semana passada, emplacou a enésima renovação antecipada de seus pupilos mais lucrativos e, por ela, apesar dos atletas já pertencerem há tempos ao Timão, cobrou comissionamentos.

Será que esse tipo de procedimento, assim como os demais, estão sendo aprovados pelo ‘heroico’ compliance do Corinthians?

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