Os fantasmas de Cuca

Como de hábito, o treinador Cuca, sob alegação de ‘problemas particulares’, abandonou mais uma equipe antes do final do contrato.
Dois deles são comentados nos bastidores.
O mais óbvio é a superstição.
Cuca acredita na necessidade de paralisar o trabalho após uma grande conquista.
Seu psicológico não suportaria as cobranças de um possível fracasso posterior.
Cuca perde dinheiro, credibilidade, mas não abre mão das mandingas.
Dizem que esse rol de superstições teve como gatilho a barbaridade cometida (em associação com outros marmanjos), anos atrás (quando ainda era jogador do Grêmio) contra uma menor de idade.
Cuca esconderia a própria culpa sob alguns rituais, como se estes pudessem absolvê-lo do ato tenebroso.
Deveria implorar desculpas à vítima e trabalhar para que outras sejam protegidas.
Enquanto o comportamento seguir amparado na covardia de assumir e se redimir dos erros cometidos, por mais que, eventualmente, obtenha sucessos pessoais e na profissão, Cuca seguirá depressivo, assombrado pelos fantasmas da consciência, motivadores de desatinos ilógicos, como o de abandonar um clube que lhe trata, desde algum tempo, na condição de ídolo.
