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Cartolagem do Flamengo conseguiu rara metamorfose em menos de um ano

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Insensibilidade dos dirigentes destruiu simpatia que até rivais criaram por time de Jorge Jesus em 2019

Quem não padece de clubismo, e gosta de futebol, se apaixona por times, não necessariamente o seu.
O que está longe de ser o pecado mortal de virar a casaca, tido como falha de caráter imperdoável para quaisquer torcedora ou torcedor, única troca inadmissível na vida.

Daí ter sido impossível não gostar do Santos de Pelé, do Botafogo de Garrincha, do Cruzeiro de Tostāo, do Flamengo de Zico, das Academias do Palmeiras, do Inter de Falcão, o Galo de Reinaldo, do São Paulo de Telê, do Corinthians da Democracia, da Máquina do Fluminense, tantos.

O Flamengo de Jorge Jesus gozou da mesma simpatia, por mais que cruzmaltinos relutem em admitir.

O resgate das melhores tradições do futebol brasileiro, feito pelo treinador português, sinalizou a ruptura com o resultadismo burocrático que vinha caracterizando nossos campeões.

Mas a arrogância, o elitismo, a insensibilidade da cartolagem rubro-negra pôs tudo a perder muito mais rapidamente do que se poderia imaginar.

Se 2019 começou sob o horror das crianças mortas queimadas no Ninho do Urubu, entre a expectativa de que o comando na Gávea saberia tratar devidamente da tragédia e as seguidas vitórias do time, ainda sobrevivia a ideia, ao menos, da redução dos danos irreparáveis.

Qual o quê!

O clube preferiu o caminho da judicialização do caso, tenta eximir-se de sua óbvia responsabilidade e comete barbaridades sobre barbaridades.

Se não bastasse, o Flamengo aliou sua marca ao governo genocida na volta açodada do futebol, não soube segurar o técnico, errou grosseiramente na substituição, acabou eliminado tanto na Copa do Brasil quanto na Covidadores-2020, faz campanha abaixo do esperado no Covidão-20, e sua maior vitória nos últimos tempos é hedionda: conseguiu na Justiça suspender a pensão paga às famílias das vítimas.

Clubes populares têm como carma serem também os mais detestados, reunir os chamados anti, invejosos da grandeza.

É dificílimo transformar a antipatia em simpatia.

Alguns, no entanto, mesmo que por pouco tempo, conseguem —e o Flamengo vinha conseguindo, de norte a sul, de leste a oeste.

Hoje a admiração evaporou-se.

Não por culpa de Everton Ribeiro, de Arrascaeta, Bruno Henrique, Pedro ou Gabigol.

Aliás, melhor não perguntar para quem veio de classes excluídas, como Gabigol e Bruno Henrique, o que eles pensam sobre o tratamento dado às famílias vítimas do Ninho do Urubu.

Dirão que é questão da diretoria, a mesma que, agora, ameaça denunciar o Botafogo na Justiça esportiva porque expôs faixa no estádio Nilton Santos com os dizeres “Aqui prezamos pela vida”.
Além de censora, burra a direção flamenguista, ao vestir a carapuça.

Como o governo Bolsonaro que produziu dossiê para investigar professores e policiais antifascistas, certamente por considerar crime não ser fascista, a diretoria do Flamengo parece assumir que não preza a vida.

De fato, haja motivos para a rápida metamorfose. Porque não são poucos, muitos rubro-negros, inclusive, os horrorizados com a gestão de Rodolfo Landim e seus asseclas.

Nada mais antiNação, tão grosseiramente capaz de manchar o Manto Sagrado.

Transformado em enorme, é vergonhosa, carapuça vermelha e preta.

Saibam a rara leitora e o raro leitor que poucas vezes esta coluna foi escrita com tanto desprazer.

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