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Covid-19 para todos

Da FOLHA

Por MARILIZ PEREIRA JORGE

Seremos sacrificados pelos governantes

Devo estar muito mal-informada. Não encontrei nada sobre a queda no número de contaminações e de mortes causados pelo coronavírus, no Brasil.

Zero notícias sobre testagem em massa. Mesmo assim, ligo a TV, entro nos sites e tudo o que vejo são governantes com planos detalhados para reabertura.

Antes era só o mentecapto do presidente. Agora, prefeitos e governadores anunciam retomada das atividades econômicas e sociais. Só pode ser um novo programa social: COVID-19 para todos.

Não ouvi uma única palavra de cientistas e de pessoas com bom senso com aval para que haja flexibilização da quarentena. Pelo contrário, a Organização Mundial da Saúde, o Atila, o Isaias, porteiro aqui do prédio, todos são unanimes de que ainda não é hora de relaxar, não chegamos ao pico da pandemia.

Seremos sacrificados por nossos governantes, que fingem estar sob controle, enquanto parte da população finge que acredita.

Pode surfar no Rio de Janeiro a partir desta terça (2), calçadão está liberado (como se nunca estivesse) e em 15 dias poderemos ir ao shopping. Museus seguem fechados, mas a prefeitura insiste numa queda de braço com a justiça para liberar as igrejas. Que pesadelo.

É mentira que o brasileiro acredita em ciência. Brasileiro só acredita nas imagens dos corpos abandonados nas ruas de Guayaquil (Equador) ou nos caminhões do exército italiano com cadáveres entulhados.

Como não vivemos ainda as mesmas cenas dessa tragédia, agimos como se não fosse conosco. Ainda. Nossa, como você é alarmista. Antes alarmista do que negacionista. Lá na frente, prefiro dizer, estava errada.

Nossas autoridades ignoram que o Brasil fez até aqui um isolamento imprestável, que as UTIs nas maiores cidades flertam com o colapso e as enfermarias caminham para a mesma situação.

A curva da Covid-19 continua sua escalada. Não era para abrir, mas para fechar mais. Que país decidiu flexibilizar o isolamento antes de os números despencarem? Nenhum.

Parte da população aplaude, não vê problemas em defender seus privilégios, desde que ninguém esteja vendo. Todo mundo conhece alguém que mantém a faxineira ou a babá indo e vindo, porque não consegue limpar a privada ou cuidar dos próprios filhos.

Mas elas só andam de Uber, defendem. Todo mundo conhece alguém que apelou para cabeleireira ou manicure em domicílio. Na cabeça dessas pessoas, se for para morrer que seja com o retorque nos brancos feito.

Todo mundo já foi convidado ou soube de festinhas para “só” umas dez pessoas. Uma pizza no domingo à noite. Um passeio de barco. Pouca gente. Umas oito, mais marinheiro e barman.

Para essa galera, se não postou não aconteceu. Então, tudo bem. Enquanto isso, achamos um horror “festa do corona”, em favelas. Hipocrisia, eu quero uma pra viver. E agora com aval dos governos municipais e estaduais.

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