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Palmeiras, 70 anos

Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO

Manhã de 20 de setembro de 1942.

Dentro de alguns instantes Palestra de São Paulo e São Paulo se enfrentariam em partida decisiva para o título do campeonato paulista daquele ano.

Pelo menos era o que indicava a tabela da competição.

O Palestra de São Paulo tinha assumido este nome de forma oficial em 27 de março daquele ano uma vez que um decreto de lei assinada pelo presidente Getúlio Vargas, em janeiro, proibira o uso de termos e denominações referentes as nações inimigas.

Sendo assim caiu o nome o Palestra Itália em favor do Palestra de São Paulo.

Ainda assim o nome continuou sendo visto com restrições, sobretudo pelos rivais, que usavam de argumentos, supostamente, patrióticos para denegrir o Palestra.

Foram muitas as pressões políticas, até mesmo com ameaças de perda de seu patrimônio e retirada imediata do campeonato em disputa, que, aliás, liderava.

Diante disso, as vésperas da partida decisiva frente ao São Paulo, no dia 14 de setembro, em uma reunião tensa, os dirigentes palestrinos decidiram mudar novamente o nome da equipe.

A história diz que por sugestão do jornalista Ary Silva, foi escolhido o nome Palmeiras.

Para a torcida: “…seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões…”

Conforme o grande Oberdan confidenciou anos atrás em entrevista, a equipe palestrina estava hospedada em uma chácara em Poá, concentrada para a partida, quando os jogadores foram informados que “…Palestra acabou, agora somos Sociedade Esportiva Palmeiras…”

Sendo assim, embora oficialmente na tabela ainda fosse o Palestra de São Paulo, foi o Palmeiras que entrou em campo em 20 de setembro de 1942.

Conduzindo uma bandeira brasileira, sob o comando do capitão do Exército Adalberto Mendes, os jogadores entraram no gramado do Pacaembu para fazer, e porque não dizer, começar uma nova história.

O técnico Del Debbio escalou o novo Palmeiras com Oberdan, Junqueira e Begliomini; Zezé Procópio, Og e Del Nero; Cláudio, Valdemar, Villadoniga, Lima e Etchevarrieta.

Coube a Cláudio Cristovam de Pinho ser autor do primeiro gol do Palmeiras, uma enorme ironia, uma vez que ele seria um dos maiores ídolos justamente do maior rival, o Corinthians.

A história do Palmeiras começou com uma convincente vitória por 3 a 1 frente ao São Paulo, cuja equipe abandonou o campo logo após marcação de penalidade.

Em poucos dias, um novo nome e o título de campeão.

Nas arquibancadas, uma faixa: “Morreu líder e nasceu campeão!”…

…e um episódio que entrou para a história como “A Arrancada Heroica”.

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