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Andrés Sanchez é o Eurico Miranda do Corinthians

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

É preciso dizer que o corintiano, fã do falecido cartola, gosta da comparação

Houve tempos em que criticar Andrés Sanchez era como abrir as portas das redes antissociais corintianas para ser xingado das piores maneiras possíveis.

Ir a Itaquera, então, nem pensar.

No elevador para a tribuna já apareciam as provocações: “Então, você não era contra a construção do estádio? O que veio fazer aqui?”, perguntavam.

Hoje, em igual proporção, a Fiel exige críticas ao cartola, e atribui a ele todas as mazelas vividas pelo clube, do futebol medíocre à dívida gigantesca.

O presidente vencedor deixou de ser o campeão da Copa Brasil de 2009 ou do Campeonato Brasileiro de 2011.

Passou a ser o do rebaixamento para Série B nacional em 2007, o da eliminação nas pré-Libertadores de 2011, pelo Tolima, e deste ano, pelo Guaraní.

Campeão mesmo, dizem os alvinegros furibundos, foi Mário Gobbi, em 2012, com a Libertadores e o Mundial.

Olhar a metade do copo cheio ou vazio é direito de cada um.

Procurar ser justo, equilibrado, imparcial, é obrigação do jornalista.

Sanchez vencia e nem por isso deixava de merecer críticas pela truculência, por nenhuma transparência e por se cercar, com as exceções de praxe, do que havia de pior no Parque São Jorge.

Seus principais parceiros, se não chegam a ser milicianos, transitam pela contravenção do jogo do bicho e outros bichos.

Incoerente e oportunista, Sanchez posava de crítico da CBF, mas não resistiu ao primeiro convite para ser chefe da delegação na Copa de 2010, e diretor de seleções, com Ricardo Teixeira, em 2011, até cair, humilhado por José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, em 2012.

Incrível como ele repete a trajetória de Eurico Miranda, de quem é fã, no Vasco –de herói a vilão mais ou menos pelos mesmos motivos.

Também pela falta de educação, pelo uso que faz do clube e, sobretudo, pelo endividamento brutal, além da imagem antipática que causou ao Corinthians, outrora enaltecido pela “Democracia Corinthiana”, assim como era o Vasco, o clube que derrotou o racismo.

Miranda prometeu fazer do Cruzmaltino o maior clube poliesportivo do país, fez papel de mecenas na Olimpíada de 2000, com 30% dos atletas da equipe brasileira, para, depois, dar calote nos incautos.

Sanchez prometeu pagar a Arena Corinthians em seis anos e fazer do alvinegro um dos três maiores clubes do mundo.

Hoje está às voltas com a iminência de ver suas contas recusadas e ter de se afastar da presidência.

Situação tão delicada lhe impõe fazer mesuras a quem se apresenta como oposição, em busca de apoio para aprovação das contas.

Sanchez agora perde e nem por isso merece apenas críticas.

Afinal, em sua primeira gestão, trouxe Ronaldo Fenômeno, para mudar o Corinthians de patamar.

Tinha tudo para dar errado e deu certo.

Além do mais, plantou um belo centro técnico às margens da rodovia Ayrton Senna, perto de Guarulhos.

A exemplo do bom e folclórico Vicente Matheus, do execrável Wadi Helu, do complicado Alberto Dualib, Sanchez se imaginou dono do Corinthians, megalomania incabível para quem quer que seja.

Como o ouro virou lata, padece em busca de respaldo para não ser enxotado e, ainda por cima, ver a caixa preta ser aberta pelos adversários.

O que explica andar para cima e para baixo com um arsenal de pílulas, as quais mostra para quem queira o seu lugar.

Poderia ser apenas um drama individual, mas mexe com milhões.

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