Negro Peñarol

Por ROBERTO VIEIRA
O racismo é ignorante.
Mas não deve nunca ser ignorado.
Porque mesmo em sua ignorância, ou talvez por isso mesmo.
Agride, fere e mata.
Hoje, o Peñarol perdeu na bola e na história.
Vivos fossem.
Isabelino Gradín e Obdulio Varela seriam rápidos.
E rasgariam o manto amarelo e negro uruguaio.
Gradín que abriu as portas aos negros no Uruguai.
E Obdulio, El Negro Jefe.
Primeiro negro a receber a Jules Rimet.
Ao imitar jogadores brasileiros como macaquitos.
Os infelizes torcedores do Peñarol foram além.
Insultaram sua bela e inesquecível memória.
Cuspiram no próprio prato.
Esqueceram da cor que carregam no próprio uniforme.
De uma vez por todas!
É preciso punições severas para estes atos.
Porque, repito, o racismo é ignorante.
Mas a ignorância impune é muito perigosa.
Como diria o próprio Obdulio.
O negro que um dia calou o mundo inteiro.
Jogando bola.
Honrando a celeste olímpica.
Celeste que foi a primeira grande seleção a abrir as portas a todos.
Num tempo em que nossos presidentes brincavam de klu klux klan na seleção.
